A Capa

A capa. Sim, a capa. Uma das partes mais importantes de um livro. É o assunto que me ocupa esta semana.

O meu livro já foi entregue ao Editor, que promete tratá-lo com carinho. Agora há que pensar na capa. “Não julgues um livro pela capa”, costuma dizer-se, mas para isso é necessário ter uma capa que não atraia logo um julgamento… Às vezes olhamos incrédulos para capas que dizem tudo sobre o conteúdo das obras que envolvem. Estão mal cuidadas graficamente. Estão muitas vezes mal impressas e são pouco atractivas. Uma boa capa é um passo seguro para levar um possível leitor a interessar-se por abrir o livro e conhecer o que se esconde para lá dessa capa.

Escrevi o livro para ter leitores. Não foi para mim. O que escrevo para mim fica fechado. Todos os autores, ao publicarem, querem encontrar leitores que desfrutem com a sua obra. No meu caso, às vezes encontro-me em divagação num imaginário diálogo com um leitor inexistente, respondendo a perguntas, dando contextos, mostrando caminhos para que ele prossiga onde eu não fui capaz de seguir. Creio que isso será óbvio quando se lê. Não sei. Mas creio que sim. Outras vezes não há diálogo interno. Há um encadear de frases e conceitos que se vão criando a si mesmos como se não fosse possível destes saírem outros muito diferentes. Parece que as palavras e as frases já existem antes de me passar pela mente e depois pelas minhas mãos para o teclado. Quantas vezes não me sinto o autor, mas sim o primeiro e mais crítico leitor de uma misteriosa vontade de escrever, um suave sopro de uma bondosa e tímida voz que se cala logo que sente ruído. Caçar estas palavras é como caçar uma Gazela, de orelhas no ar, atenta a cada restolhar de folhas no chão.

O que escrevi no livro é meu e de mim. Mas de um meu e mim um pouco múltiplo. O nome que constará na capa é o da personalidade que se apoderou daquelas palavras. Do tirano que apagou umas e incluiu outras a seu bel-prazer. Eu. Mim. O de fora. Da capa que envolve a complexidade multifacetada que é o autor frente à página em branco e esconde o processo criativo sob o manto da edição literária. Manto e capa. Cobertura do processo, tapadura de gargalo. A imagem exterior que protege e ao mesmo tempo convida a conhecer o que está no interior. A capa de um livro é isso mesmo.

Por isso, a capa do livro, é o assunto que nos ocupa. Há que saber ser sedutor sem ser oferecido. Há que conseguir sugerir mistério sem ser barraca de “feira do oculto”. Há que fazer cócegas no cérebro, sem dar demasiado a ver. Mas não cometer a avareza de ser tão abstracto que nada se entenda pela capa.

Ainda pensei na capa dos espadachins como uma boa parábola. Zorro cobre-se por ela, esconde os olhos sedutores por detrás de um gesto em que a capa lhe envolve parte da face oculta pela máscara preta. Dá vontade de conhecer. Saber quem é. O ar altivo, a espada na mão e o chapéu ajudam a completar a imagem do mistério. Quem é o herói solitário que ali se esconde? O desconhecido que intervém nos momentos em que a justiça dos homens falha? Uma capa que serve o propósito de nos interessar pelo desvelar do mistério da identidade do herói. No fundo a capa de um livro deve ter um propósito idêntico.

Curiosamente não se sabe se Johnston McCulley, que criou Zorro em 1919, era Maçon ou talvez Martinista (já que o protótipo de Zorro é um paralelo do Superieur Inconnu da Ordem Martinista, em grande expansão na América nessa época). Supõe-se que se possa ter inspirado na obra da Baronesa Emmuska Orczy, que criou em 1903 outro fantástico herói com as mesmas característica de arquétipo, desta vez apoiado por uma Sociedade Secreta Inglesa, a Pimpernel League (ou Liga Escarlate), liderada pelo misterioso Pipinela Escarlate (de capa, espada e máscara, claro). O que se pode verificar é que a imagem do herói de capa e máscara foi de tal modo influente na cultura pop do século 20, que muitos outros heróis e super-heróis a copiaram, incluindo os incontornáveis Batman e Super-Homem. Muita desta cultura, veiculada pelas revistas de Editores como a Marvel e a DC Comics, têm uma forte raiz simbólica e encontram as suas inspirações em gestas, sagas ou mitos como os de Jasão, Hércules, Perseu ou Ulisses.

Mas vejo que divago, perdido em pensamentos vagos. A Capa. isso é o que importa.

Temos já 3 possibilidades de partida. estou a pedir a alguns amigos que me dêem a sua opinião. Eu reservo a minha para o final.

Por enquanto a capa. O vazio da capa em branco.

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