O que me ocupa a mente – i

Anjos ou Demónios

 

O que me ocupa a mente neste momento é a natureza do mal. Estou a fazer um estudo sobre o assunto e há aspectos que me chamam muito a atenção.

Já repararam quando há um assassinato brutal, ou uma série de homicídios que finalmente se descobrem ser da autoria do mesmo serial killer, que os vizinhos e amigos – a maior parte das vezes – dizem que era uma pessoa normal, que nunca pensaram que ele fizesse uma coisa assim? Lembro-me há uns anos uma entrevista feita na rua a Ian Huntley, o assassino das miúdas de 10 anos Holly Wells e Jessica Chapman na altura em que as duas ainda estavam desaparecidas e não se sabia o que lhes tinha acontecido e ele – o assassino -, poucos momentos depois de as matar, falava tranquilamente para as câmaras da Sky News, desejava que a polícia as encontrasse vivas e deixava uma mensagem de apoio à família… A frieza e ausência de remorsos era incrível e o choque ao saber-se que tinha sido ele o assassino foi tremendo. Huntley tinha um comportamento tão normal que a sua namorada, Maxine Carr, chocada com a sua prisão e acusação, mentiu à polícia, dando um falso alibi, facto que lhe viria a custar 3 anos de cadeia. Mas note-se a natureza encoberta do mal, que explodiu num jorro incontralável de os 15 minutos que durou a carnificina, de tal modo que a própria namorada do assassino não podia acreditar na sua culpa!

Ainda no mês passado foi divulgada a seguinte notícia:

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“Bruxelas – O professor belga que foi detido na semana passada, acusado da morte de um casal de jovens, confessou à polícia ser um «serial killer».

O homem de 38 anos confessou à polícia mais três assassinatos, cometidos nos últimos dois anos. Ronald Janssen revelou que, desde 1990, matou entre 10 a 15 raparigas e mulheres, entre os 15 e os 28 anos e que praticou outros crimes como roubo.

Janssen foi detido no final da semana passada, na sequência da morte de Kevin Paulus e Shana Appeltans, um jovem casal, de 22 e 18 anos, cujos corpos crivados de balas foram encontrados na madrugada de 2 para 3 de Janeiro num carro, a arder, na localidade de Loksbergen, nos arredores de Halen, na Bélgica.

Já depois de estar detido, o professor de desenho, pai de duas meninas, e considerado pelos colegas e alunos «um bom professor», confessou ter assassinado os jovens e admitiu também ter sequestrado, violado e matado Annick Van Uytsel, de 18 anos. O corpo de Annick foi encontrado num canal de água dois dias depois de a jovem ter desaparecido após uma festa em que Janssen também tinha estado. O crime aconteceu em 2007 e deixou a comunidade chocada.

(c) PNN Portuguese News Network”

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Note-se bem que era considerado pelos colegas e alunos um bom professor. Tem duas filhas, de 8 e 11 anos.

Acerca dos motivos dos seus crimes e o modus operandi deste pacato professor, a imprensa internacional dá conta do seguinte:

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“Os dois últimos assassinatos ocorreram na cidade de Halen a 1º de janeiro de 2010, quando matou a tiro a sua vizinha, Shana Appeltans, de 18 anos, e o namorado dela, Kevin Paulus, de 20, sobre quem disse num depoimento policial que “o incomodava”.

Interrogado também sobre a morte de Annick Van Uytsel, de 18 anos, cujo corpo foi encontrado em 2007 num córrego dentro de um saco de plástico, o professor confessou tê-la matado após escolhê-la “ao acaso”.

Na noite do desaparecimento de Van Uytsel, Janssen teria obrigado a garota a entrar em sua camionete, inclusive com sua bicicleta, ameaçando-a com uma arma. Depois, disse que a levou ao porão de casa, onde a reteve por várias horas antes de assassiná-la.

A imprensa belga assegura que o professor, nunca levantou suspeitas em seu círculo de amigos, colegas ou alunos.

“Ele parecia um professor modelo, que se comportava adequadamente com seus alunos”, afirmou à televisão local RTBF o advogado que representou Janssen durante seu processo de divórcio, Jan Lambert.

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Este é apenas o mais recente caso de relevância internacional. Mas todos os dias podemos seguir traços idênticos do Mal absoluto a conviver pacificamente nas nossas vidas, ao nosso lado, anónimo e insondável. Muitas vezes nunca descoberto.

O que me intriga é a manifestação desse mal. O facto de essas pessoas estarem equilibradamente em controlo das suas faculdades e agirem com plena e total consciência. Mas de haver um momento, um click, uma especie de eclipse que bloqueia a Luz do Bem (que o indivíduo conhece e pratica no seu dia a dia, que caracteriza 99,99% da sua vida), o qual dá lugar a explosões de caos, morte e destruição avassaladores. A ausência de remorso e de compaixão e identificação com o sofrimento do outro ocorrem nesse estado misterioso, mas estão presentes em outros momentos da vida regular do assassino, já que os vemos cuidar carinhosamente dos seus animais domésticos ou serem pessoas inteiramente integradas no seu entorno social e capazes de gestos de bondade e até de amor.

Que poder é esse que o Mal tem, que contorno da serpente pelo pilar da Severidade é esse que oblitera num segundo toda a acção normal do indivíduo e o mergulha na obscuridade mais perversa, deixando-o emergir de novo no mundo da normalidade como se nada se tivesse passado?

Este ponto ocupa-me a mente neste momento.

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