Carlos Santana em Lisboa

Ontem fui ver o espectáculo de Carlos Santana no Pavilhão Atlântico. Sigo a carreira deste guitarrista há muitos anos. E é difícil segui-la sem seguir igualmente o seu percurso espiritual e as suas preocupações que são de raiz profundamente iniciáticas, embora de uma escola diferente daquelas que sigo, mas complementar. Nasceu no México e vive na Califórnia. A sua música é um mix muito saboroso de música latina com o que há de melhor dos ritmos africanos e do rock.

Conheci o próprio Carlos Santana há quase 20 anos em Lisboa, quando aqui deu o seu primeiro concerto, no Estádio de Alvalade. Nessa época eu tinha o Jornal “Quinto Império” e fui entrevistá-lo à conferência de imprensa que se organizou num hotel de Lisboa. Os outros jornalistas fizeram perguntas “chapa cinco”, do tipo “Então diga lá: como é ter estado em Woodstock, hã?”, ou “Não acha que o Hendrix é o melhor guitarrista de sempre?”. O Santana estava a ficar cansado daquela linha de perguntas (não deve haver país onde um jornalista não tire Woodstock da cartola…), por isso quando lhe perguntei porque razão tinha a foto de um Mestre Espiritual sobre o seu amplificador em palco (já tinha visto Cristo, Morya e Koot-Humi), ele aproveitou para mudar de assunto e fez um discurso sobre espiritualidade e Nova Era que deixou os outros jornalistas sem palavras (e sem saber o que perguntar sobre um assunto que não dominavam). Entre conceitos de Gnosticismo Cristão muito bons e alguns conselhos práticos sobre meditação, consegui uma entrevista quase exclusiva! Quando saímos da sala, abordei-o para lhe pedir um autógrafo no lendário álbum “Lotus” e acabei conversando com ele no bar durante um bom bocado. Fascinante.

(vou ver se recupero a entrevista e a publico por aqui)

Encontrei-o uns anos depois em Madrid. Nesse entretanto tinha trabalhado em produção musical com um outro guitarrista e com um engenheiro de som que o conheciam pessoalmente muito bem e, entre contactos e conexões, lá estive na conferência de imprensa em Madrid do seu multi-platina “Supernatural”, que o colocou de novo nos Tops do mundo inteiro. O circo à volta do artista já não tinha nada que ver com o encontro de Lisboa. Agora havia um batalhão de seguranças e uma multidão à espera de o ver, de lhe tocar e conseguir um autógrafo. A imprensa de toda a Europa estava lá. Iria ser muito difícil falar com Carlos Santana, nomeadamente por motivos profissionais que ali me levavam. Durante a conferência não fiz perguntas, mas logo de seguida fui falar com o Tour Manager (que não vi em Lisboa em lado nenhum), Kevin Chisholm e disse-lhe que tinha um pacote com um CD de um amigo do Santana, mas que tinha de o entregar em pessoa. Depois de entrar na sala onde o guitarrista fazia entrevistas “one-on-one” com várias televisões de muitos países e de lhe mostrar um papel com o nome do amigo mútuo, mandou que eu entrasse e esperasse um pouco. Desta vez as perguntas da media eram diferentes. Tinham mais que ver com a ideia de que ele andava em baixa e que “Supernatural” foi um milagre do seu mentor de sempre – agora na BMG – Clive Davis. Respondeu às mesmas perguntas várias vezes para jornalistas diferentes, sempre com a mesma graça no olhar, sempre atencioso. Ao fim de um bom bocado chamou-me e entreguei-lhe então o CD, falei-lhe do que precisava falar a título profissional e depois disse-lhe que já nos tínhamos conhecido em Lisboa. Depois de recordar a conversa (anualmente conhece milhares de pessoas com quem interage por minutos e que imaginam que foram tão inesquecíveis para Santana com este foi para elas), ele lembrava-se perfeitamente de mim e falámos um pouco mais. Disse-me que no concerto do dia seguinte iria ter uma imagem do “Koot Humi” no palco. Convidou-me com as pessoas que eu nesse dia tinha em estúdio a gravar e que iriam ao concerto, a estar na “after show party” da BMG, que seria dentro do próprio estádio e mandou o Kevin levar-me ao responsável pela festa. Eu já o conhecia da BMG, por ter trabalhado com artistas dessa editora em Espanha. Ali ficou tudo certo. Mas acabámos por chegar muito atrasados ao concerto e assistir num local tão longe do palco que, quando finalmente chegámos lá abaixo à porta lateral, já não havia ninguém da BMG! Os telemóveis estavam todos off e foi Chester Thompson, o teclista, que nos indicou como chegar à festa dentro das bancadas. Em algum lugar nos enganámos, que subimos e descemos andares, abrimos portas e salas, fizemos corredores de lado a lado, mas nada de festa! Ao fim de quase uma hora perdidos, lá encontrámos uma sala onde havia algumas mesas já muito “pilhadas” e sem comida, umas dezenas de pessoas a falar, mas a banda tinha acabado de regressar ao hotel!

Desta vez em Lisboa nem tive tempo de procurar contactar a Produção. Só me ocorre pensar que Carlos Santana saberia apreciar Sintra.

O concerto foi excelente. Como sempre trabalha com um grupo de músicos de excepção. É capaz de contagiar todo o público com a sua alegria e apelos a que dancem e esqueçam o que há de negativo na nossa vida. Faz apelos à paz, mas com inteligência à mistura. Diz várias vezes “Não tenham medo. O medo é uma das maiores ilusões em que vive a humanidade. Não há medo. Não há separação. Tudo é um. Tudo é amor.”

Voltámos a casa de coração cheio.

Carlos Santana, pax in excelsis!

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2 thoughts on “Carlos Santana em Lisboa

  1. Caro Luís de Matos,

    Desejo apenas informar que no museu da “Casa do Tempo”, no centro da vila de Castanheira de Pera, decorre desde ontem e até 3 de Agosto próximo uma exposição de objectivos sobre a Maçonaria portuguesa, mas onde se podem encontrar também peças de origem inglesa e francesa, como aventais bordados a fio de ouro, canhões de ritual, espadins, credenciais, pratos cerâmicos, relógios, Mariannes, etc.
    Uma exposição de objectos que só no Museu Maçónico Português, em Lisboa, poderá encontrar igual…
    Agradeço a sua divulgação pelos amigos, irmãos, cunhadas e manas que apreciam arte e desejem passar uma boa tarde numa boa companhia…
    Em complemento podem também, bem ali ao lado, tomar um bom banho numa praia de ondas artificiais num ambiente natural de luxo, bem próximo do Rio Zêzere e de Villa Isaura / Pedrógão Grande, onde me oncontro e onde o aguardo desde a primeira hora…
    Um abraço

    Aires Henriques

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