Riding With the King – Roger Waters, The Wall e o dia em que ambos se cruzaram no meu caminho (parte 4)

Estávamos à porta do Buddy Guy’s Legend. Mike, o segurança, saiu primeiro da Van e abriu a porta do clube para nós entrarmos. Havia um cartaz a preto e branco com umas imagens estranhas da atracção da noite, alguém chamado Harris [(era Corey Harris, que esteve recentemente em Lisboa, mas que nenhum do nós conhecia)]. Pelas fotos era um músico negro, parecia ter uns 60 anos [(na verdade era mais novo)], com uma barba muito longa e uma ar estranho tipo Rastafari/Blues. Não dava bem para perceber o que podia sair dali.

Dentro do clube um segurança enorme, tipo armário de estilo Luis XV, barrou-me o caminho dizendo:

– São 4 dólares, Sir.

– Eles estão com Mr. Waters – disse um outro tipo.

Fomos imediatamente conduzidos para o espaço reservado ao lado do palco. Era uma espécie de grupo reservado de dois degraus com mesas brancas do lado direito do palco, mas quase dentro dele. Enquanto toda a sala via os artistas de frente, nós estávamos literalmente na sua perpendicular, ao seu lado. Sentei-me com Snowy White sobre o nível mais alto, Roger Waters sentou-se com Mark Fenwick, à nossa frente na parte inferior. Era impossível passar despercebido. De certeza que já havia gente a olhar para nós e a perguntar “quem é aquele gajo com Mr. Waters e o seu guitarrista?”

No palco, cantava um tipo que se parecia muito com o Tom Waits visualmente, mas que soava muito diferente. Tocava guitarra muito alto, com a clássica variação a 3 acordes. O Blues, ao vivo, em Chicago. Era uma sensação fantástica, estar sentado ali, com o Roger Waters e o Snowy White num Clube de Blues, na lendária Chicago. Senti-me ao mesmo tempo muito privilegiado e cheio de sorte. Privilegiado, porque tinha conquistado aquele lugar com trabalhado já que, de modo nenhum eu me poderia sentar ali com eles se fosse apenas mais um fã. Eu fazia parte da indústria. Era Produtor Executivo do Snowy e isso dava-me acesso. Mas também me sentia um sortudo, porque era um momento memorável. Se um dia forem a Chicago, vão querer ir a um clube de Blues com os vossos amigos. A versão de  sonho é eles serem a vossa estrela favorito do Rock e um de seus guitarristas! Quantas vezes é que isso pode acontecer? Quais os planetas que têm de estar alinhados para tornar essa fantasia uma realidade?

Pedimos algumas bebidas. Snowy ficou num Baileys. Mark foi para o whisky. O Waters pediu uma cerveja para ele e para mim. Ninguém me pediu o BI…

O tipo no palco continuou a tocar. Ele era bom. Não sabíamos bem quem era nem ele tomou atenção em nós. Era apenas o supporting act.

– Quem é esse tal Harris? – Perguntou o Roger virando a cabeça para nós entre duas músicas.

– Acho que já ouvi falar dele. – Disse o Snowy. – A expressão “Mago da guitarra” vem-me à cabeça. Talvez seja um fenómeno local ou um puto novo.

– Olha que ele não pode ser assim tão jovem, Snowy – disse eu: – Viste a foto na porta? É mais provável que seja um taxista na reforma que acabou de descobrir uma guitarra na garagem, e agora toca o Blues para ganhar a vida.

– Boa história Luis – disse Roger – e tudo isso apenas a partir de uma foto?

Uma nova canção começou. Lembro-me a olhar para a banda no palco e pensar: “Será que eles sabem que o Roger Waters, em pessoa, está aqui, a ver a actuação deles?” Olhei para o baixista. Devia ter uns 50 anos, cabelos longos com rabo de cavalo e uma barba muito bem aparada. Podia-se imaginá-lo a tocar 30 anos mais jovem em qualquer outro clube. “O gajo tem de saber quem é o Roger Waters. Até pode ser um fã, que conhece bem a obra dos Pink Floyd”, pensei.

A banda terminou seu set. Aplausos deram lugar a um intervalo. O Snowy foi à casa de banho. Aproveitei para procurar saber mais um pouco do Roger Waters.

– Então, Roger, diga-me uma coisa: quando é que o seu novo álbum estará pronto?

– Bem, já foi gravado e o James [Guthrie] está trabalhando nele agora.

– Já está todo gravado? O Snowy contou-me sobre as sessões no Estúdio Compass Point nas Bahamas e ele diz que não há ainda músicas completas, além de “Each Small Candle”.

– Ah! É dessas sessões que está a falar? Eu pensei que estavas a falar do álbum ao vivo! Esse deve sair no Outono. Sobre o outro não sei. Ainda vamos para o estúdio este ano. Vamos estar em tourné o ano todo – além disso eu gostava de tocar na Ásia antes do novo álbum. Para já é o plano e depois vamos ver. Talvez em 2001.

Mais tarde, pelo cruzamento de outras opiniões (Mark, Snowy, Doyle, etc) percebi que Roger é bastante optimista. O álbum ao vivo deve sair antes do Natal. Depois disso continua a tour, por isso é difícil ter tempo para gravar.

– Roger, você quer uma cerveja?

– Claro.

O pequeno palco à nossa frente tinha sido transformado. A primeira banda tinha arrumado o backline e o guitarrista celebrava alto com alguns amigos numa mesa. O baixista passou pelo Roger Waters a caminho de se sentar na plateia e podia-se ver que o tinha reconhecido, mas não tinha certeza se estava a sonhar ou não.

Entretanto no palco havia três tipos, mas nenhum deles parecia ser o “Harris” do cartaz. Dois deles tocava guitarra, o outro apenas um Djembé Africano (tambor). Aquilo seria Blues? Sem bateria, sem teclados, sem piano… sem baixo?

– Roger, eu acho que eles estão à sua espera para entrar no palco. – disse eu. – Não há baixista.

Ele riu-se.

– Por que é que não vais, Snowy? – Disse ele – Assim eles ficam com três guitarras como nós!

A banda foi afinando os instrumentos, todos sentados no palco. Um deles deslizava os dedos pelas cordas e afinava assim, sem fazer ruído nenhum, só pela vibração.

– Olha Mark – disse Roger – Olha como é que ele afina a guitarra! Apenas com o toque.

Eu nunca tinha visto nada assim. Uma mulher veio de um dos lados e perguntou ao Snowy se aquele era o Roger Waters. Ele disse que sim. Ela queria saber se poderia ter um autógrafo. O Snowy disse-lhe para falar com o Mike. Ela assim fez e ele deixou-a subir para o privado. Roger assinou o primeiro guardanapo da noite.

Outras pessoas percebiam agora que ele era realmente o Roger Waters. Outra menina passou por nós. Outro guardanapo assinado. Então, um tipo aproximou-se, trocou umas palavras com ele e conseguiu o seu autógrafo. Roger estava satisfeito e continuava a conversar connosco enquanto bebia a sua cerveja. Notava-se que não estava incomodado com a atenção do público. Uma coisa ele perguntou a toda a gente: “Are you going to the show tomorrow?”

– Eu não tenho nenhum autógrafo de nenhum dos artistas com quem trabalho ou que conheço, incluindo-te a ti. – disse eu ao Snowy.

– Bom para ti. – respondeu – Diz muito sobre como és, não achas? Não tens autógrafos, tens amigos.

– Pois é. Eles é que são os meus autógrafos.

Roger assinava outro guardanapo. No palco, o estranho grupo ainda estava na afinação. Um deles foi então afinar um instrumento Africano (uma espécie de guitarra muito arcaica). O baixista do primeiro grupo lá ganhou coragem e foi ter com Waters.

– Eu estive a olhar para si … Você é o Roger Waters, não é?

– Sim, sou eu. – Disse Roger com um grande sorriso.

O tipo apertou-lhe a mão e lhe deu um abraço sorrindo.

– É bom conhecê-lo. Está na cidade para um show?

– Estou. Nós tocamos amanhã no World Theatre. Você quer vir?

– Porra! Nós voamos daqui hoje à noite! Eu adorava ver seu show. Ouça, você acha que podia fazer-me um favor?

– Sim, diga.

– Importava-se de assinar o meu baixo?

– Claro que não. Dê-mo.

O gajo nem podia acreditar! O Roger Waters estava a assinar o seu baixo!

– O Roger está muito mais aberto hoje em dia. – Disse o Snowy – Isto seria impossível um par de anos atrás.

– Eu acho que ele está feliz e relaxado com a tour – disse eu.

– Acho que tens razão.

O Waters voltou para a nossa mesa, sorrindo.

– Eles não vão estar em Chicago amanhã. – Disse ele.

– Precisa de mais guardanapos, Mr. Waters? – disse eu sorrindo como um idiota.

Ele riu.

Os músicos no palco estavam agora a experimentar uma gaita de beiços. Já nos estavam a fazer nervos. Estavam já há muito tempo a preparar-se e a afinar instrumentos, mas por enquanto nada de música. Então, sem aviso, o tipo do lado esquerdo gritou qualquer coisa como “Don’t leave me babe !!!!!!” em estilo “bluezy”, arranhando a guitarra. Os outros seguiram-no e entraram no “mood”. Ele é que era o Harris! Não tinha mais do que 35 anos de idade, muito diferente da foto que vi, vestido como um mendigo tirado directamente das ruas de Chicago. Não era um visual rastafari. Era mesmo de “homeless dude”. Tinha uma voz muito evocativa. Nela ouviam-se os escravos do Louisiana, um solitário negro sentado numa grade de cervejas vazia, apenas ele e a sua velha guitarra. Nenhum efeito. Nenhuma alta tecnologia. Todos os três em palco eram negros e adoptavam a mesma atitude.

A guitarra com que Harris tocou foi a que está em segundo plano nesta foto. Parece que andou na guerra…

Podíamos realmente relacionar-nos com aquela voz. Mas o som áspero da guitarra, o entorpecimento do ritmo (apenas um único tambor – sem mais nada, sem tom-tom, sem pratos, …) e o sentido geral de descoordenação faziam de tudo aquilo um estranho cocktail.

Roger ficou surpreso. Ele não sabia o que pensar a princípio. De seguida veio um solo. Como posso eu descrever o solo? O tipo estava sentado, sem se mover, fazendo o seu solo, enquanto os outros mantêm o ritmo. Mas o solo, de alguma forma, não acompanha o ritmo. Ou está sempre atrás, ou a “melodia” aparece depois do beat. Muito amador. Muito estranho. Não havia efeitos ou pedais na guitarra. Apenas um som “puro” de “lata” tocado numa guitarra acústica que parecia ter andado na guerra.

– Ele tem uma voz notável. – Roger disse após o *solo*.

– E ele é bom com a guitarra – eu disse – Não é possível falhar daquela maneira se não for de propósito!

O Snowy sorriu. Roger estava hipnotizado por aquilo tudo. A simplicidade da banda, a sua sinceridade, e o facto de que o tipo podia realmente cantar (e pouco mais) foi uma combinação que ele jamais tinha visto. O show continuou no mesmo género por mais uma meia hora. O ponto alto (que nos fez rir) veio quando o gajo se deixou levar num solo de indizível parvoíce e se levantou – mas levantou-se arrebatado pelo que lhe ia na cabeça (e não saía pelo instrumento musical!) – enquanto procurava as notas que lhe iam dentro obtendo pobres resultados, como uma criança que aprende a ler e anda à procura das letras nas frases de um livro complexo. Era vê-lo, de pé pela primeira vez, espinha arqueada para trás, cara distorcida pelo “solo” que gozava por dentro e, num espasmo, sentando-se outra vez enquanto sustinha uma nota invulgarmente correcta como que abatido pela guitarra, terminando a canção num piscar de olhos.

– Tenho de conhecer este gajo! – disse Roger – Nunca tinha visto nada igual! Isto é que é estar a cagar-se para o público. Falem-me de despretensiosismo! É notável.

E assim foi. Eu senti como se estivesse a assistir à experiência oposta à de um show de alta tecnologia de Roger Waters. Roger subiu ao palco para falar com a banda. Disse quem era, falou com o manager deles, trocaram-se contactos entre Mark e eles e convidou-os para o show no dia seguinte (a que não poderiam ir, pois estavam a tocar ali mais uma noite). Roger estava amigável e simpático com todos. Já era tarde e tivemos de ir. Já a caminho da saída, assinou a T-shirt de um tipo e outro guardanapo. De facto, privando deste modo com Roger Waters pude perceber que estava muito mudado desde o tempo em que granjeou a reputação de ser antipático mauzinho com os seus fans.

De volta à van Roger ia dizendo:

– Que voz. Realmente o gajo cantava bem. O que é que achaste, Snowy?

– Bem … Certamente, uma grande voz. – disse ele evitando falar das habilidades do guitarrista.

– E tu Luis?

– É a minha primeira vez em Chicago, e a minha primeira no Buddy Guy’s clube. E devo dizer que é uma experiência inesquecível. O tipo tinha uma voz que imediatamente podemos situar na nossa imaginação, que evoca imagens e lugares muito específicos. Neste caso as plantações do sul. Assim que o ouvimos, vemos essas imagens. Há vozes assim.

– Notável. – Disse Roger.

– Já sobre o ritmo… Não sei muito bem. Não sou músico, mas ele parecia estar a fazer tudo errado, nos lugares errados e nos momentos errados. Era assim uma coisa muito estranha e descoordenada. Pelo menos assim me pareceu.

– Ora, Luis, é isso que eu acho interessante! – Disse Roger – Imaginem só o tipo de artista que ele deve ser para estar assim è frente de uma audiência, num lugar lendário como aquele, e exercer livremente seu talento ou a falta dele. É uma afirmação artística. Um belo momento.

Roger Waters no final dos anos 60, em “Careful With That Axe, Eugene”

Por momentos vieram-me à cabeça imagens perdidas de um Roger Waters de cabelo comprido a malhar no baixo ao lado de Syd Barrett, simplesmente a cagar-se para o que o público pensava de um “Interstellar Overdrive” ou do seu grito num “Careful With That Axe Eugene” dilacerante. Na simplicidade de quem ainda dava os primeiros passos.

– Eu acho que pode estar certo. – disse eu.

Ele continuou a falar disso com o Mark. Estávamos agora a voltar para o Hotel. Quando prestei mais atenção ao que Roger dizia a Mark percebi que estavam a falar de uma coisa que interessa a todos os fans.

– É muito caro – dizia Roger – Caro como o c#$%&#$o!

– Mas é assim que eles querem, e nós não podemos fazer nada. – disse o Mark.

– O que é caro? – Perguntei.

– O preço das T-shirts no show – disse Roger. – É ridículo! Eles estão a cobrar $ 50.00USD por uma T-shirt. Conseguem imaginar?

– 50 dólares? Isso é quase 30,00 Libras! É muito caro.

– Foi isso que eu disse. É muito para um puto. Ou mesmo para um adulto, não interessa. Se pagares 15 dólares por um CD, como é que vais pagar muito mais por uma T-shirt com um logotipo? Isso deixa-me louco. Bem, na verdade nem deixa – Roger fez uma pausa – Estou-me a cagar para quanto eles cobram por uma T-shirt. Ninguém é obrigado a comprar uma nos meus shows. São opcionais. Mas já fico fodido com o preço dos bilhetes. São altos como o c#$$%&$o!!!

– Quanto é que cobram nos os EUA?

– Pode ser qualquer coisa entre $ 80.00USD e US $ 250.00USD. – Disse Mark.

– E os lugares de 80 dólares estão em lugares ridículos, sem uma visão clara do palco imagino eu.

– Claro, Luis. Recentemente o Sting teve bilhetes em algumas cidades a partir de 200 dólares. – Disse o Mark Fennwick.

– É incrível! Eu vi o Sting, há algumas semanas em Portugal e só estavam a cobrar pelo lugar mais caro num estádio cerca de 25 dólares! Mas começar nos 80 e daí para cima? Como é que as pessoas podem ir a concertos nos Estados Unidos, a estes preços?

– Nós lutàmos para reduzir os nossos preços, Luis – disse Roger – Mas eles não querem ouvir as nossas razões. Disseram que há um preço padrão e mais nada. E sabes o que responderam quando perguntei o porquê de cobrar tanto dinheiro pelo merchandizing e pelos os bilhetes?

– O quê?

– “Cobramos porque podemos”, foi o que responderam! “Because we bloody well can!”

– Dizem – acrescentou o Mark – que as pessoas esperam pagar esses preços ridículos. Por isso cobram-nos. Não estão interessados ​​nos nossos pontos de vista. Conseguimos reduzir os preços para os fãs para esta tourné, mas tivemos muito trabalho e chegámos a passar longo tempo a discutir coisas como uma simples redução de 10 dólares no preço dos bilhetes.

– Eu não quero levar para casa o dinheiro dos putos. É que já nem me importo se a Tour não der dinheiro e só recuperarmos as despesas. – disse Roger – Mas é difícil fazer as pessoas entenderem. A ganância é enorme e ninguém está satisfeito com o que já tem. Há que fazer mais. Estou contente por os nossos preços começarem onde começam e ter conseguido levar a nossa avante.

– Bem, eles falam muito dos scalpers – disse Mark – É um bom argumento e uma desculpa lógica. Se vendermos os teus bilhetes a um preço muito baixo em locais onde sabemos que podes esgotar, já sabes que os scalpers vão comprar paletes de bilhetes e fazer enormes lucros às custas dos teus fãs, Roger.

– Bullshit! “Se nós não queremos scalpers, vamos nós mesmos sugar os putos até ao tutano! Cortamos intermediários e somos nós os sanguinários! Bullshit! – Roger estava furioso.

– Eles podem ter razão, Roger – eu atrevi-me a dizer – Se calhar pode haver um meio termo.

Quase podia ouvir “Welcome to the Machine” na minha mente!

O Roger estava mesmo lixado com o facto de que são os fãs que pagam no final de contas, independentemente de ele fazer alguma coisa ou não.

– Em Nova Iorque vão haver imensos scalpers… – Disse Mark.

Roger permaneceu em silêncio e olhou para fora da janela.

Estávamos de volta ao Hotel.

(continua na parte 5)

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