Maçonaria e Igreja – A Desmistificação de uma Contradição

No dia 7 de Março de 2012, o Jornal “Público” incluiu às suas páginas 47 um artigo de opinião assinado por Gonçalo Portocarrero de Almada, Licenciado em Direito e Doutorado em Filosofia, Vice-Presidente da CNAF (a Confederação Nacional das Associações de Família), padre da Igreja Latina, sob a autoridade da Santa Sé.

O dito artigo, pelas inúmeras imprecisões e sentenças que dita (é de opinião, por isso tem direito a fazê-lo), deve ser minuciosamente conhecido para que se perceba o verdadeiro estado de vergonhosa ignorância e isolamento social em que a Igreja (ou uma parte dela, já que há luz que vai brilhando nas trevas, diga-se) tem preferido manter os seu clero, o que pouco abona em seu favor e muito diz do modo como mantém o seu rebanho informado…

O comentário supõe-se ser isento, até porque a qualidade de sacerdote do autor não é explicitada. É escrito por um cristão, para cristãos. Ignora desde logo o facto de que a faculdade de julgar lhe está interdita como sacerdote (aberta, sim ao Bispado, que sabiamente se afasta deste tipo de armadilha do demónio). Para um “Licenciado”, esperava-se que usasse a “licença” para melhores fins. Mas já é um hábito (o trocadilho é propositado). Senão vejamos:

Como Vice-Presidente da Confederação Nacional das Associações de Família, o autor tem assinado e co-assinado declarações e comunicados sobre assuntos – tal como a Maçonaria – dos quais não tem o menor conhecimento. Há uma faculdade qualquer que possui – que francamente me escapa – que lhe permite falar pelos outros, talvez com medo que os outros não saibam falar por si mesmos. E fá-lo com tal despudor que se poderia facilmente confundir com absoluta ignorância, demagogia ou hipocrisia – mas não é. Veja-se esta declaração da Direcção de que é Vice-Presidente acerca de um assunto que lhe é tão vedado como a Maçonaria:

“Comunicado:

CNAF em nome das Famílias Portuguesas apela ao bom senso e patriotismo do PS e do PSD, nesta hora de grave preocupação quanto à nossa sobrevivência colectiva. Exige que para além do cumprimento do Acordo de aprovação do Orçamento Estatuto, passem a trabalhar para que não se perca o futuro dos nossos filhos. Porque nós, famílias, votámos para que os elementos dêem prioridade a Portugal.

Lisboa, 3 de Novembro de 2010

A Direcção Nacional”

Agradeço desde já à CNAF o voluntarismo de falar em meu nome e da minha família. Mas tenho de tomar com um enorme grão de sal qualquer declaração em nome da minha família e do meu filho feita por pessoas que NÃO PODEM CASAR e supostamente NÃO TERÂO FILHOS… Desta vez passa. Passa, mas da próxima vez digam “em nome de Famílias Portuguesas” ou “de algumas Famílias Portuguesas”. Seria pelo menos realista. E verdade. Mas já vejo que a verdade… Além disso, seria de bom tom que um sacerdote não assinasse uma declaração em que defende o futuro “dos nossos filhos”. Ao enveredar pelo sacerdócio celibatário, o autor deve estar consciente que não há futuro para “os nossos filhos”. Pode haver – e Deus assim o permita – para o MEU filho. Mas jamais para os NOSSOS filhos. E sobre filhos e criancinhas, já lá iremos…

A CNAF (e bem), defende a família tradicional. Também eu. Tenho uma. Mas o que aconteceria à minha família tradicional se o meu filho único fosse para o Seminário, recebesse a ordenação e mantivesse os votos? Lá ia a família tradicional por água abaixo. O que faz alguém que escolheu não ter uma Família Tradicional (nem a começar), fazer declarações públicas sobre esse assunto, que não conhece, é um mistério que nem a Maçonaria pode desvendar! Eu sei, que, pessoalmente, nunca chegaria a Vice-Presidente da Associação de Produtores de Vinho do Porto, porque sou abstémio, não produzo vinho e pouco importa que o meu pai, a minha mãe e os meus irmãos bebam um cálice de Porto pela Páscoa, pois isso não me qualifica para fazer declarações públicas sobre o tema… Sim, é verdade que todos temos família, pai e mãe, irmãos e primos, mas a Família Tradicional que se defende é a que se pode começar, não a que já nos deu origem. Esta é a família que fundamos nós. E sobre esta… o que nos leva a ditar pronúncia quando escolhemos não a ter? Esta contradição enorme, que é uma vontade destemida de se meter em assuntos que se desconhecem e de qualquer modo não se pretendem conhecer, passeia-se pelo artigo relativamente à Maçonaria. Não é um assunto que conheça. Não é um assunto que lhe interesse. É o assunto do momento. Assim, no que me respeita, o autor não somente cutuca com um pau muito longo a Maçonaria sem nunca se aproximar, como afirma perentoriamente que eu não posso ser Cristão e Maçon,  dizendo de caras que, se o sou (e sou!!! Veja-se aqui), ou sou parvo e estúpido ou estou de má fé. Este senhor! O mesmo que manda declarações sobre a “Família tradicional”!!!

Não tenho nada contra a CNAF. Deve haver nela muitos pais e mães que sabem bem o que é criar um filho nos valores Cristãos nos dias de hoje. Haverá muitos pais e mães que saberão o que é agasalhar o filho nas manhãs frias de chuva quando ele ou ela vai para a escola, o que é a sensação de impotência vê-lo sofrer com um entorse ou um braço partido, o que é prescindir de um ou outro luxo para lhe dar o melhor e o que ele mais gosta para a sua educação… Esses pais e mães podem falar por si com verdade e conhecimento de causa, defender os valores para os seus filhos e família, porque os têm e se eu me identificar com eles, juntar-me-ei aos seus propósitos. Mas só entendo que tome posição pública quem tem habilitações para o fazer. E sobre a família, a habilitação é ser pai ou mãe. Ponto final. Não vejo que haja outra. Neste aspecto, o celibato sacerdotal é incompatível com a representação da defesa dos valores da Família Tradicional em nome dos que as começaram e mantêm na luta do dia a dia. Simplesmente não partilhamos a mesma legitimidade, pais e não-pais.

A única característica redentora, é que fala de um assunto que a Igreja (mais uma vez, alguma Igreja, já que também aqui há muita luz nas trevas) conhece bem: o desejo dos homossexuais constituírem família. Claro que as declarações da CNAF (de que é Vice-Presidente, recordo) são todas contra. Diga-se que a minha opinião – que é minha e não posso arrogar-me de fazer campanha porque só me represento a mim e mais ninguém – é a de que um casamento entre dois homens ou duas mulheres não deve ser chamado casamento. Mas isso sou eu. Não fiz votos de servir TODOS OS CRISTÃOS, não sou obrigado a ouvir confissão, não é minha função absolvê-los (mesmo, não só de boca), não preciso de considerar todos iguais perante Deus se não quiser. Não preciso. Eu tenho a liberdade de ser ignorante. Não escrevo no Público. Ninguém me lê. Não sou Vice-Presidente de nada. E só imagino que possa ser uma característica redentora ter tais desassombradas posições públicas sobre o casamento dos homossexuais em nome “das Famílias” e vestido de sacra batina, porque seguramente se percebe alguma coisa do assunto, mais do que ler uns relatórios e, se a nossa condição de casado está vedada, Deus sabe que parte do casamento de homossexual conhecemos para nos arrogarmos tais opiniões tão assertivas e em nome de tanta gente anónima.

No caso das opiniões sobre a Maçonaria, suponho – posso estar enganado – que terá usado a mesma honestidade intelectual e humana.

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Eis o texto do Público:

“1. Todas as pessoas são livres de opinar sobre o que quiserem, mas só algumas têm a competência necessária para dirimirem, com autoridade, uma questão polémica. A Maçonaria talvez possa permitir que os seus súbditos sejam católicos, mas não que os cristãos sejam maçons, porque só a Igreja, pela voz autorizada do seu magistério e da sua hierarquia, é apta para decidir se um fiel pode, ou não, pertencer à Maçonaria.

2. Sobre esta matéria, a verdade é que a Igreja não tem sido omissa. Já em 1738, com a Constituição Apostólica In eminenti, de Clemente XII, a Maçonaria foi formal e expressamente proibida aos católicos, sob pena de excomunhão. Desde então, todos os papas confirmaram a radical e insolúvel incompatibilidade entre as duas instituições. Leão XIII, na Encíclica Humanum genus, de 1884, reafirmou a interdição dos fiéis aderirem à Maçonaria e, em mais 225 documentos, reiterou até à saciedade esta condenação. O diagnóstico foi sempre o mesmo: são duas visões insanavelmente divergentes no que respeita a Deus, ao homem, à verdade e à liberdade. Também os papas actuais, nomeadamente o beato João Paulo II e Bento XVI, mantiveram o mesmo veredicto que, portanto, se deve considerar doutrina definitiva e irreformável da Igreja. Pelo menos enquanto a Igreja e a Maçonaria forem o que são.

3. Também, do ponto de vista canónico, não há lugar para dúvidas. O anterior Código, de 1917, previa a pena máxima, ou seja, a excomunhão automática, para o católico que se inscrevesse numa qualquer loja maçónica. O Código actual, de 1983, embora não imponha de forma imediata essa sanção, que contudo também não exclui, esclarece que um cristão que pertença à Maçonaria fica, ipso facto, em situação de pecado grave ou mortal e, em consequência, privado da comunhão sacramental.

4. Como entender, então, que alguém se afirme publicamente como católico e maçon? A expressão, contraditória nos seus termos, só admite duas possíveis explicações.

A primeira hipótese é a de que o dito crente ignore, de boa-fé, a doutrina da Igreja sobre o particular, bem como a natureza intrinsecamente anticristã da Maçonaria.

Alguns cristãos – crianças, analfabetos, etc. – talvez desconheçam esta incompatibilidade, mas seria estranho que entre os maçons, uma elite supostamente tão ilustrada, se desse uma tal ignorância. É, no mínimo, curioso que, em pleno séc. XXI, haja ainda intelectuais, como os ditos pedreiros-livres, que desconheçam uma doutrina reafirmada repetidamente, há quase três séculos, pela Igreja, e atestada por nada menos do que 598 declarações unânimes do seu magistério!

Se a boa-fé for autêntica e tão crassa a ignorância, o crente maçon é inocente de uma tal incoerência. Mas deixará de o ser se, esclarecido sobre a impossibilidade de pertencer às duas entidades, não deixar a Maçonaria.

5. A outra hipótese é a de que o cristão, que publicamente se diz maçon, aja de má-fé. Com efeito, um fiel que, conhecendo minimamente a doutrina cristã, adere consciente e voluntariamente a uma ideologia que sabe ininterrupta e fundadamente proibida por todos os papas, de fiel só tem o nome. De facto, um soldado, que desobedece a quase seiscentas ordens dos seus legítimos superiores, não é apenas um refractário, mas um desertor, ou um traidor. Talvez fosse pensando nestes tais “cristãos” que Paulo VI afirmou que o fumo de Satanás se infiltrou na Igreja de Deus…

Quem, de forma tão acintosa, desrespeita um mandato formal da máxima autoridade religiosa e disso faz público alarde, ofende gravemente a Igreja, que devia amar e servir. Aliás, estes “cristãos”, que são tão solícitos no apoio à “sua” Maçonaria, nunca vêm a público defender a Igreja, ou o seu magistério, que amiúde contradizem. Não em vão Cristo disse que é pelas obras que se conhecem os seus verdadeiros discípulos e, ainda, que ninguém pode servir a dois senhores.

6. Talvez seja esta a prova que faltava para poder concluir, na verdade da caridade, que a Maçonaria – não obstante a eventual boa-fé, por ignorância invencível, de alguns dos seus membros – continua fiel, apesar das suas campanhas de desinformação e de branqueamento do seu passado, ao seu ideário anticristão e anticlerical.

Afinal de contas, “católico maçon” não é apenas uma contradição, mas uma dupla mentira: nem católico… nem pedreiro!”

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Algumas respostas a tanta parcialidade. A Bula de 1738 excomunga os Maçons, efectivamente. E fá-lo explicitamente por estes se reunirem em lugares privados com cristãos de outras denominações (expressamente Anglicanos). Seguramente a Igreja hoje não condena à excomunhão nenhum católico que se reúna em lugares privados (ou não) com membros de outras religiões. Leiam-se os documentos em vez de se citarem em abstracto. Fazer isso seria intelectualmente honesto.

Já a Bula de 1884 é uma justa reacção à laicização da Maçonaria Belga, Francesa e Italiana, o que por si só era um sinal dos tempos, mas que converteu muito mal formados Maçons e Carbonários em ladrões e assassinos, já que era a época (nada limitada à Maçonaria) em que se queimavam igrejas, enforcavam padres e pilhavam conventos. Em Portugal a Maçonaria não teve nada que ver com a lei de 1834 que extinguiu os conventos. Eram ventos históricos e a Igreja reagiu – e bem – em defesa do Cristianismo católico que estava a ser injusta e barbaramente perseguido. Não creio que se possa contestar essa Bula, que não reafirma a de 1738 (as razões desta eram então irrelevantes), mas condena com absoluta justiça várias maquinações secretas, nas quais a Maçonaria se deixou envolver. Do mesmo modo, não é intelectualmente honesto manter intactas as razões da Bula de 1884 quando as condições históricas se alteraram e por isso mesmo, Bulas e declarações posteriores vieram a retirar a Maçonaria do conjunto das tais maquinações (que ainda as há em vários países, designadamente Irão, Paquistão, etc.). Invocar, neste contexto, a defesa justíssima que um determinado Papa fez da Santa Sé face a um movimento muito mais vasto que a Maçonaria e que teve o seu momento histórico, é intelectualmente muito pobre. É o mesmo que invalidar a Igreja porque os Romanos mandavam os cristãos aos leões por os considerarem subversivos e clandestinos. Um argumento é válido no contexto de uma época.

Não há “duas visões divergentes no que respeita a Deus, ao homem, à verdade e à liberdade” (sic). Eu sou membro do Regime Escocês Rectificado, que é desde há mais de 200 anos uma Maçonaria estritamente Cristã. A visão de Deus desta Maçonaria (não falo pela outra, do mesmo modo que não me parece coerente alguém falar pela minha família) é a de Orígenes e da Escola de Alexandria, a dos Pais da Igreja. Não há a menor divergência sobre Deus. Quanto ao homem, essa divergência também não existe, pois o modo como o homem é equacionado na Maçonaria que pratico é a que decorre da mesma Escola de Alexandria (numa penada: o homem é um ser caído que deve aperfeiçoar o seu interior espiritual caído e conduzir a sua vida no mundo com base nos valores das Virtudes e do amor fraternal para com todos os homens, perfeitamente expressos nos Evangelhos, de modo a poder resgatar a sua pureza original perdida, trabalho que não pode ser alcançado a não ser pela intermediação de Cristo). Não vejo divergências. Quanto à verdade, essa é uma só, estejamos onde estejamos, pelo que o conceito de verdade exclui, desde logo, “divergência” ou a possibilidade de haver duas verdades. Finalmente no que respeita à liberdade, os princípios que seguimos são os mesmos. Não me recordo que haja um grande tratado teológico para ler sobre a liberdade nem que esta seja património de qualquer Igreja. A liberdade não nos pode excluir da comunhão. Não entendo em que sentido pode o autor defender que a liberdade da Igreja é de algum modo distinta, oposta ou até excluente de uma possível liberdade Maçónica (se existisse uma especificamente Maçónica, que só os Maçons tivessem…).

Até aqui o artigo de opinião dado à estampa no Público é isso mesmo: opinião, pura e simples. E ainda por cima intelectualmente desonesta. Mas depois torna-se um pouco mais atrevida e manipuladora (duas características que, num sacerdote, são de evitar em absoluto e têm colocado a Igreja em situações de muita aflição): “também os papas actuais, nomeadamente o beato João Paulo II e Bento XVI, mantiveram o mesmo veredicto que, portanto, se deve considerar doutrina definitiva e irreformável da Igreja.” (sic).

Ora:

1 – Não há nenhuma veredicto ou Bula do Papa João Paulo II sobre a Maçonaria e a Igreja. A haver, desafio qualquer um a publicá-la.

2 – Não há qualquer veredicto ou Bula do Papa Bento XVI sobre a Maçonaria. A haver, faço o mesmo desafio.

Isto não significa que alas da Igreja Latina sob a autoridade da Santa Sé não tenham tirado de contexto um determinado documento, ao qual já iremos. Contudo, a pressa com que se referiram Bulas diversas e a falta delas para agora se citarem pareceres (que não fazem jurisprudência Canónica) é mais uma desonestidade intelectual.

3 – Há uma carta de 1983 da Congregação Para a Doutrina da Fé em resposta a um pedido de esclarecimento da Grande Loja Unida da Alemanha (citada sempre fora de contexto e dada como se tivesse força de lei canónica) na qual se diz que a qualidade de Maçon e Católico é incompatível, estando o Maçon em pecado grave, não podendo receber a comunhão. Eis o texto em Inglês:

Declaration on Masonic Associations (Quaesitum est) English Translation of a Latin Document from the Sacred Congregation for the Doctrine of the Faith November 26, 1983 It has been asked whether there has been any change in the Church’s decision in regard to Masonic associations since the new Code of Canon Law does not mention them expressly, unlike the previous code. This sacred congregation is in a position to reply that this circumstance is due to an editorial criterion which was followed also in the case of other associations likewise unmentioned inasmuch as they are contained in wider categories. Therefore, the Church’s negative judgment in regard to Masonic associations remains unchanged since their principles have always been considered irreconcilable  with the doctrine of the Church and, therefore, membership in them remains forbidden. The faithful, who enroll in Masonic associations are in a state of grave  sin and may not receive Holy Communion. It is not within the competence of local ecclesiastical authorities to give a judgment on the nature of Masonic associations which would imply a derogation from what  has been decided above, and this in line with the declaration of this sacred congregation issued Feb. 17,1981. In an audience granted to the undersigned cardinal prefect, the Supreme Pontiff John Paul II approved and ordered the publication of this declaration which had  been decided in an ordinary meeting of this sacred congregation. Rome, from the Office of the Sacred Congregation for the Doctrine of the Faith, Nov. 26, 1983 Cardinal Joseph Ratzinger, Prefect  Father Jerome Hamer, O.P. Titular Archbishop of Lorium, Secretary”

É uma carta em que se faz a declaração e conta a dita carta com a aprovação de João Paulo II. Como carta. Não consta que João Paulo II tenha dado autorização para que fosse usada para nada mais do que responder à Grande Loja da Alemanha, no contexto relativo a 1983. Se quisesse ter passado tal declaração a lei canónica, ou considerasse o assunto da maior importância pastoral, teve ampla oportunidade para o abordar nas suas encíclicas nos anos seguinte, o que não fez.

É uma carta da Congregação e, como tal, está assinada pelo então Prefeito da Congregação (não pelo Papa… atenção à honestidade intelectual…), que nessa qualidade dá o seu parecer. É uma carta e um parecer. A Congregação para a Doutrina da Fé, anteriormente designada “Santo Ofício”, é apenas uma das nove Congregações da Cúria Romana. Não é a Cúria Romana, nem é o Papa, nem é a Santa Sé. A maior parte dos que escrevem sobre estes assuntos adoram confundir aqueles que não sabem bem como é constituída a Santa Sé, como funciona, o que tem valor de lei, etc… Depois tomam a parte pelo todo e o facto de quem assinou o documento (da parte) ser hoje a cabeça do todo, mas ainda assim não ter escrito a tal Bula que os inimigos da Maçonaria tanto lhe pedem, só ajuda a confundir as cabeças mais simples. Faz lembrar aquele funcionário que, quando tinha responsabilidades como porteiro, tinha a chave da porta da rua e dizia alguns palavrões. Quando foi promovido a ascensorista, já usava um uniforme e já se calava mais. No dia em que foi eleito presidente do Conselho de Administração houve palavras que não voltou a usar. O Cardeal Ratzinger é hoje Papa. Pois hoje que faça lei canónica (que o pode) sobre a Maçonaria, em vez de deixar os fiéis perdidos, presa da dialéctica de “demónios” como eu. Porque será que, sendo tão assertivo como Prefeito, o não é agora como Papa?

Em nome da honestidade intelectual, mostremos o que é a Congregação para a Doutrina da Fé no contexto do Vaticano:

http://www.archeparchy.ca/documents/EcclOrgChart.pdf

Quando a encontrarem no organograma oficial, depois dê-em-lhe o peso que realmente tem para fazer lei canónica.

Ora, o que seguiria à tal carta com um parecer seria a legislação sobre o assunto, já que – como bem reconhece a carta – o novo Código de Direito Canónico não proscreve a Maçonaria e revoga todos os anteriores. Sobre este assunto, um artigo esclarecedor para quem quiser ser intelectualmente honesto e não falar destas coisas pela rama: Maçonaria e Catolicismo – O que diz o Direito Canónico.

Posto isto, é admirável a leviandade como se resume um assunto tão complexo, suportado por uma carta assinada por alguém que hoje é Papa numa época em que não o era, isto citado, assim como o vêem, por um “Licenciado em Direito”.

Ou seja, é mentira que os Papas actuais, seja João Paulo II, seja Bento XVI, tenham publicado qualquer tipo de veredicto ou peça legal canónica que suporte a opinião do autor do artigo do Público, por mais que este o repita e outros lhe dêem eco. O que é verdade á que há uma parte da Igreja que gostaria de manter os Maçons longe dos altares. Assim foi durante muito tempo com o Império Romano e a Igreja, obrigando esta a reunir em locais escondidos, ao abrigo de desconhecidos, sob pena de ir para ao Circo e ser pasto para os leões. A Igreja foi pragmática e acabou por resolver o problema “convertendo” o Imperador. Não vá um dia um Maçon ser eleito Papa e usar a mesma estratégia!

Estou só a brincar…

Voltando às mentiras:

“3. Também, do ponto de vista canónico, não há lugar para dúvidas. O anterior Código, de 1917, previa a pena máxima, ou seja, a excomunhão automática, para o católico que se inscrevesse numa qualquer loja maçónica. O Código actual, de 1983, embora não imponha de forma imediata essa sanção, que contudo também não exclui, esclarece que um cristão que pertença à Maçonaria fica, ipso facto, em situação de pecado grave ou mortal e, em consequência, privado da comunhão sacramental.”

O artigo que citámos sobre o Direito Canónico é por demais revelador e deixa claro que não há nenhuma norma que coloque o Maçon em pecado mortal. E, como também bem demonstra o dito artigo, revoga todo o Código de 1917, pelo que não procede citá-lo para nada a não ser agitar fantasmas e distrair os tolos com gestos de prestidigitador. São artes circenses.

O autor segue depois com a sua conclusão de que são duas coisas incompatíveis ser Cristão e ser Maçon, sem argumentar o porquê, dando-o como um facto somente apoiado nas meias verdades e mentiras – que percebo não serem propositadas, mas apenas por não ter estudado o assunto com o detalhe que merece, já que o autor tinha a sua ideia pré-concebida, sendo os documentos e a sua natureza irrelevante para essa “verdade” que traz no seu íntimo.

A verdade é que de uma Bula taxativa de excomunhão em 1738, passando por um Código de Direito Canónico que não deixa margem para interpretações, passámos ao Vaticano II onde a Maçonaria já não estava na lista de condenações, que cessaram as Bulas ainda na primeira metade do século XX, que em 1983 entraram em vigor novas leis canónicas e que, após todo este abrandar da posição inflexível inicial, já só sobra um único documento contemporâneo (bom… com quase 30 anos…) que é uma carta de parecer de uma Congregação da Cúria… Houvesse norma do Direito Canónico e esta estaria explícita e seriamos recordados dela. Houvesse Bula e seria constantemente lançada à cara dos Maçons. Mas não há nem uma nem outra. Não é preciso ser muito inteligente para ver que a posição do Vaticano mudou de modo claro nos últimos cem anos e que se aproxima a passos largos de – não como hoje, já não referir explicitamente a Maçonaria – mas de abraçar esses Irmãos que sejam Católicos no seio da comunidade que é sua, por isso ser justo e não haver um único argumento teológico em contrário. Seguramente a Igreja saberá encontrar na sua diversidade os modos de tornar realidade essa reconciliação que, ao não se fazer, deixa em cheque a própria Fé da Igreja na Doutrina que proclama, que não é outra que a da Redenção e regresso ao Pai. Maçonaria e Igreja podem continuar de costas voltadas. Mas a quem serve tal obra?

Destaco uma passagem, que me pareceu singularmente interessante por estar tão desapegada da realidade e ser tão auto-subserviente que parece ignorar o que tem de brilhante e clarividente: “Talvez fosse pensando nestes tais “cristãos” que Paulo VI afirmou que o fumo de Satanás se infiltrou na Igreja de Deus…” (sic). Entre todos os problemas que tinha Paulo VI, com um Banco Ambrosiano quase a falir metido com a Máfia Italiana, com os casos de pedofilia na Igreja a multiplicarem-se de tal modo endemicamente que ainda hoje estoiram por todos os lados, estou mesmo crente que eram “estes cristãos” a quem se referia o Santo Papa quando dizia que “Satanás se infiltrou na Igreja…” Tenha paciência, senhor padre, tenha paciência…

No final fica só uma pergunta: em que pé está o casamento entre Maçons (mesmo de sexos diferentes)?

Fica ainda um desafio: Porque não marcamos um debate sobre o Cristianismo e a Maçonaria, com a presença de Cristãos e Maçons e discutimos abertamente este assunto, com toda a honestidade intelectual, com amor e fraternidade, mas sem batinas nem aventais, como Irmãos em Cristo?

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13 thoughts on “Maçonaria e Igreja – A Desmistificação de uma Contradição

    • Melhor não diria!

      O texto do Público só pode ter sido escrito por alguém sedento de protagonismo no seu círculo de relações pessoais. O problema é que se não caísse na tentação de especular sobre o que não sabe e pelos vistos não entende, não seria grave, assim sendo, ao agir desta forma grosseira demosntra a pre-formatação da sua mente e piro ainda, tenta formatar a mente de outrém.

      Pronunciando o nome de Deus em que eu o dito autor do texto do Público tb deve acreditar e espero que não seja em vão, “Queira o Altíssimo que tal não aconteça e que dê a clarividência necessária para a tal gente para que tais preconceitos deixem de existir”

      TAF

  1. Caro Luís de Matos,

    Este seu ataque pessoal contra o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é injusto em múltiplos aspectos, mas eu queria focar-me no essencial sem perder tempo com subjectividades.

    Penso que saberá que os textos do Magistério, se não forem revogados, permanecem sempre em vigor. A lista de documentos do Magistério a afirmar a incompatibilidade entre Maçonaria e cristianismo é, como sabe, extensa e precisa, afirmando essa incompatibilidade para TODO o tipo de Maçonaria, para TODAS as correntes, mesmo as regulares.

    É risível que persista na pretensa compatibilidade entre catolicismo e Maçonaria.

    Para ilustração de quem ler este seu texto, gostava de aqui deixar algum contraditório:

    http://www.ewtn.com/library/ANSWERS/BACAFM.htm
    http://www.box.net/shared/g3176oljnf

    Sem duvidar nem por um momento de que o rito maçónico a que pertence não pode nem deve ser confundido com a maçonaria irregular ou mesmo com certas correntes paramaçónicas de pendor mais esotérico, é fácil concluir que, por muito amigável que seja a sua corrente para com o cristianismo, a incompatibilidade permanece, e ela não se deverá a hostilidades mas sim a atitudes radicalmente diferentes perante a graça divina, a salvação e o conflito entre iniciação maçónica e iniciação cristã.

    Terei todo o gosto e estarei sempre disponível para o debate que sugere.

    Cumprimentos,

    Bernardo Motta
    Lisboa

    • Caro Barnardo Motta:

      Os documentos que cita continuam a confundir Lei Canónica com declarações de uma ou outra Congregação. No que respeita à Lei Canónica cito do seu documento: “A person who joins an association which plots against the Church is to be punished with a just penalty; one who promotes or takes office in such an association is to be punished with an interdict.”

      Tal como afirmei, isto é perfeitamente legítimo da parte da Igreja. Contudo, não se aplica à Maçonaria Cristã. Pode aplicar-se a outras (seguramente que sim). Tenho lido declarações de alguns ditos maçons que me põem os cabelos em pé. Mas esses não são cristãos. Muitos nem sequer me reconheceriam a mim como maçon, porque eu não sou nem socialista, nem laico nem republicano. O meu longo comentário foi uma reacção ao facto de um sacerdote da minha Igreja declarar publicamente que eu sou um idiota ou que estou de má fé. Confundiu-me com outra Maçonaria qualquer, como eu o poderia confundir com um “sacerdote” da Igreja Universal do Reino de Deus. Se eu o fizesse, estaria equivocado. Ele também o está. No seu dizer, NENHUMA Maçonaria e NENHUM Maçon pode ser Cristão e Maçom ao mesmo tempo, o que é falso. E os argumentos teológicos estão ausentes de toda a documentação que cita. Diz o tal artigo do Público que há visões incompatíveis de Deus, da verdade e da liberdade. O que dizem os documentos que o Bernardo cita é que a excomunhão (que foi levantada) se deve à perseguição à Igreja, a qual é histórica, mas não é universal à Maçonaria. E o que vale hoje é o Código Canónico citado acima. Não refere a Maçonaria porque a Igreja sabe que seria uma generalização injusta e falsa.

      Sou Cristão, sou Maçon, comungo da Eucaristia, sou praticante. E nada nas regras da minha Igreja me impede de me aproximar do altar e viver plenamente ambas as dimensões da minha vida. E se as regras não o impedem, a Teologia, que devia ser o cerne da questão (em vez das impermanentes leis humanas), não é contraditória em nenhum ponto. Já os homens, esses são outra conversa…

      Obrigado pela sua disponibilidade. A haver mais, poderemos marcar um debate.

      Luis de Matos

  2. Gostaria de deixar registrado neste Blog “A oração do Papa” João XXIII.

    “Senhor e Grande Arquiteto do Universo, humilha-nos a teus pés e invocamos o teu perdão pela heresia que, no decorrer dos séculos, nos impediu de reconhecer em nossos irmãos maçons os teus fiéis prediletos. Temos lutado contra a liberdade de pensamento, pois não tínhamos compreendido que o ” primeiro dever de uma rreligião, como justamente afirma o Concílio, consiste em reconhecer o direito de crer em Deus. Temos também perseguido todos os que, pertecendo à mesma Igreja, haviam aberto caminho à verdade, filiando-se às “Lojas”, com sereno desprezo às injúrias e ameaças. Acreditamos louca e cegamente que um sinal da cruz pudesse ser superior a três pontinhos em pirâmide. De tudo isto nos arrependemos cegamente, senhor, e te imploramos que nos faça ter, justamente com o teu perdão, também um Compasso, que sem dúvida alguma sobre nossos altares de compensado estaria bem melhor que os velhos crucifixos. Amém”
    Vale esclarecer que a referência nominal ao grande Arquiteto do Universo foi feita pelo próprio pontífice, constando do texto original. A oração em si é um exemplo digno do grande homem que foi o Papa João XXIII, não apenas por fazer justiça dos maçons e à Sublime Ordem, mas principalmente pelo conteúdo de humildade que possui e por conter ali as condições básicas de uma verdadeira oração.

  3. Eis, alguns dos fortes motivos , que gerou os conflitos – Igreja x Maçonaria.(Unificação da Itália)

    Neste momento façamos uma pequena paragem. A maçonaria até aqui havia sido sempre condenada e perseguida por terceiros motivos. Até esse momento a Igreja Católica nunca tinha sido atingida diretamente pela influência maçônica.
    O facto que realmente condenou a maçonaria pela Igreja Católica aconteceu no processo da reunificação da Itália. O trauma desse episódio não é esquecido até hoje por alguns sectores da Igreja.
    A Itália, nesta época, era uma “Manta de Retalhos”, constituída por vários estados entre os quais os Estados Pontifícios, que correspondiam a aproximadamente 13,6% do total da Itália, ou seja, eram 41.000 Km², que pertenciam ao clero e localizavam-se na região central.
    A população dos Estados Pontifícios não tinha acesso a nenhum cargo público, que era explorado pelo clero. Todos os funcionários públicos usavam o hábito.
    O inconformismo e os movimentos de libertação começam em 1767, sendo os jesuítas expulsos de Nápoles.
    Em 1797 é fundada a Carbonária, seita de caráter político independente da maçonaria, que tinha como objetivo principal a Unificação da Itália.
    Pio VII em 1821, lança a Bula Ecclesiam A Jesu Christo condenando a atividade dos carbonários. A Carbonária tornou-se perigosa e prejudicial à maçonaria pois era confundida com esta. Os Carbonários tinham os seus aprendizes, mestres, grão-mestres, oradores, secretários, sinais, toques, palavras, juramentos e, é claro, segredos.
    Os principais líderes Carbonários: Cavour, Mazzini e Garibaldi eram maçons, por isso, a Carbonária era muito confundida com a maçonaria, porém, diferenciavam-se pela origem, finalidade e actividades. Os carbonários matavam se fosse preciso. Nos Estados Pontifícios explodiram grandes desordens. A insatisfação contra o clero, que não permitiam que os leigos ocupassem cargos administrativos, era grande.

    Em 1848 o Papa Pio IX é obrigado a refugiar-se em Nápoles, devido á revolução, e lança após alguns meses a encíclica Quibus Quantisque, responsabilizando a Maçonaria pela usurpação dos Estados Pontifícios.
    Em 1849 é proclamada por uma Assembléia a República em Roma. Nesse momento, Pio IX lançou cerca de 226 condenações contra a maçonaria. Ele e o seu sucessor, Leão XIII, lançaram cerca de 600 documentos de condenações.
    Em 14 de maio de 1861, Vítor Manoel é proclamado Rei da Itália Unificada.
    Como se vê, a Maçonaria estava condenada. Motivo? A Unificação da Itália… Ideal Carbonário.
    Em 27 de maio de 1917 é promulgado por Bento XV, o primeiro Código de Direito Canônico, também chamado de Pio Beneditino onde se refere a Maçonaria da seguinte forma, no seu Cânon 2335:
    • ” Os que dão o seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem Ipso Facto, na excomunhão simplificter reservada à Sé Apostólica.”
    E mais, recomendava noutros Cânones o seguinte:
    • Que as católicas não se casassem com maçons; que seriam privados de sepultura eclesiástica; privados da missa de exequias; não seriam admitidos em associações de fiéis; não poderiam ser padrinhos de casamento; não fariam a confirmação do baptismo (crisma); não teriam direito ao patronato, etc.
    Os Sacramentos proibidos são: Baptismo, Eucaristia, Crisma, Penitência (confissão), Matrimónio, Ordenação Sacerdotal e a Unção dos Enfermos.
    Para atender os anseios dos irmãos católicos, a Maçonaria criou o Ritual de adopção de Loutons, de apadrinhamento, Ritual de Pompas Fúnebres e o Ritual de confirmação de casamento.
    Em 11 de fevereiro de 1929 foi criado o Estado do Vaticano pela assinatura do Tratado de Latrão, onde o poder Papal ficava restrito ao Vaticano com 44.000 m2 (anteriormente tinha 41.000 km2) e Pio XI reconhecia a posse política de Roma e dos Estados Pontifícios e afirmava a sua permanente neutralidade política e diplomática,etc.
    Com o Tratado de Latrão assinado, encerra-se o processo da Unificação da Itália. O ideal Carbonário fora conseguido e a Carbonária desaparece logo após a Unificação da Itália.
    Enfim, ficou o estigma da condenação.
    Em 27 de novembro de 1983, já sob a autoridade do Papa João Paulo II, foi publicado um novo Código de Direito Canônico, que entrou imediatamente em vigor, reduzindo para 1752 os 2414 Cânons do antigo código.
    O Código mais importante, referente á Franco-Maçonaria, é o 1374: “Aquele que se afilia a uma Associação que conspira contra a Igreja, deve ser punido com justa penalidade; e aqueles que promovem e dirigem estes tipos de Associações, entretanto, devem ser punidos com interdição”. Com isto, a maçonaria está legalmente e literalmente livre do estigma.
    Entretanto, no mesmo dia, foi publicado uma Nota no jornal oficial do Vaticano, a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que dizia:
    • “Permanece imutável o juízo negativo da Igreja perante as Associações Maçônicas, porque os seus princípios sempre foram considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja, e por isso, a inscrição continua proibida. Os fiéis que pertencem às Associações Maçônicas estão em estado de PECADO GRAVE e não podem receber a SANTA COMUNHÃO.
    • Não compete às autoridades eclesiásticas locais, pronunciarem-se sobre a natureza das Associações Maçônicas com um juízo que implica na revogação do que é estabelecida”.
    A publicação da Declaração foi mais uma acomodação política aos minoritários insatisfeitos, e pode-se dizer a contragosto do Papa. Afinal, ela afrontava uma decisão já tomada e aprovada, logicamente pela maioria de toda a Congregação reunida com a finalidade específica de renovação do Código.
    Enfim, com a publicação no novo Código do Direito Canônico, e também da declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, o que mudou na relação entre a Maçonaria e a Igreja Católica?
    Mudou muito pouco em relação ao que se esperava, mas esse “muito pouco” é alguma coisa para quem não tinha nada. É uma esperança.
    Paciência e esperança, essas são as palavras.
    A pacificação total virá com certeza, mas não se pode ter pressa. Já foi um enorme passo a publicação do novo Código de Direito Canônico. Na medida em que, paulatinamente, as luzes se forem acendendo no entendimento de cada autoridade eclesiástica certamente novos horizontes surgirão.
    Vimos, pela própria aprovação do Código do Direito Canônico, que a maioria do clero quer a pacificação, senão ele jamais seria aprovado, e é isto que deve acalentar as esperanças dos católicos, e até lhes dar confiança diante das vicissitudes.
    Se o progresso é lento para a pacificação total, por outro lado, não há nada que justifique um retrocesso no futuro.
    FÉ E VAMOS VER, MEUS IRMÃOS, A PAZ TOTAL VIRÁ

    • Por favor, José João de Souza, ao copiar parte de um trabalho, artigo ou livro de alguém (mesmo que seja seu), por favor, dê-nos as referências de origem. Assim sabemos de onde vem e podemos contrastar com os livros que temos e o resta da informação que cada um de nós possui. De outro modo é inútil e até confuso!

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