Máscaras, Demónios e Deuses

Lugares limitados. Inscrição obrigatória por mensagem por Facebook ou para incursoeshermeticas@gmail.com

Máscaras, Demónios e Deuses
Tradições Iniciáticas Populares no Império das Descobertas
Local: Museu Nacional de Etnologia
Avenida Ilha da Madeira, Restelo, 1400-203 Lisboa
Data: Domingo, 26 de Novembro de 2017
Início da Visita: 10:30
Final previsto: 13:00
Preço da visita: 10 € (15 € para casais); gratuito para crianças com menos de 12 anos. Entrada no Museu é gratuita ao Domingo.

DESCRIÇÃO
Na sua incessante demanda, as Descobertas levaram os Portugueses ao contacto com tradições populares muito ricas em todas as latitudes. Em algumas terão reconhecido o eco de uma Tradição Primordial também presente no Portugal Ancestral.

De Trás-os-Montes a Timor, pelos Açores, pelo Mali, por Angola, Java e Bali, uma viagem ao âmago do medo, da imaginação, das trevas e da luz.

Luis de Matos

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Mensagem em Pessoa

Lugares limitados. Inscrição obrigatória por mensagem por Facebook ou para incursoeshermeticas@gmail.com

Mensagem em Pessoa – Brasão | Castelos
Local: Sé de Lisboa
Data: Domingo, 17 de Setembro de 2017
Início da Visita: 10:00
Final previsto: 13:00
Preço da visita: 15 € (25 € para casais); gratuito para crianças com menos de 12 anos. Entrada na Sé não incluída. Supõe-se gratuita ao Domingo.

Descrição:

Série de visitas guiadas com leitura e explicações ao redor da “Mensagem” de Fernando Pessoa. As perguntas, as chaves, os simais e os símbolos.

São 6 Visitas a 6 Lugares Mágicos ao redor das palavras de Pessoa

Setembro 10
Palácio Nacional de Sintra – Brasão | Campos

Setembro 17
Sé Catedral de Lisboa – Brasão | Castelos

Setembro 24
Quinta da Regaleira – Brasão | Quinas, Coroa e Timbre

Outubro 1
Mosteiro dos Jerónimos – Mar Português | Possessio Maris

Outubro 8
Convento dos Capuchos de Sintra – Encoberto | Symbolos

Outubro 15
Palácio da Pena de Sintra – Encoberto | Avisos e Tempos


Excertos das visitas:

Mensagem em Pessoa – Primeira Visita

Templários no Além

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No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Sintra fecha o ciclo – O que vale a Pena

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Aos poucos, puxado pelos amigos que se iam inscrevendo e, por um motivo ou outro, não conseguiam estar presentes, fui acrescentando datas ao Calendário de Visitas das Aulas Livres. “Não conseguir ir à Pena! Quando é que vais repetir?”, diziam. “E a Regaleira?”, insistiam. Como não devo ter disponibilidade para repetir algo deste género nos próximos tempos, lá fui aceitando os desafios, semana após semana. Esta semana irá chegar ao fim o ciclo actual de Visitas e Aulas e já abordámos tantos temas e usámos os locais e edifícios históricos como pretexto para tanta filosofia que parece que estou a regressar a casa de uma longa viagem ao regressar à Pena! De Dante a Platão, de Pessoa a Lima de Freitas, de Percival a Galaaz, de lugar em lugar, ideia em ideia, questão em questão, enquadrando os lugares, as doutrinas, as perplexidades. Muito ficou por dizer e muito por observar. Mas a paixão pelos lugares ficou patente. E feliz fui ao ver a paixão compartilhada por tantos.

A eles, obrigado!

 

Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal

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Em pleno dia de Pentecostes acompanhámos o autor e ensaísta Luis de Matos, editor chefe do Templar Globe, numa visita guiada ao Palácio da Pena em Sintra. Terminada a visita pudemos trocar algumas impressões e fazer a entrevista que reproduzimos de seguida.

Templar Globe (TG) – Luis, dia de Pentecostes e visita à Pena. Coincidência?

Luis de Matos (LM) – Diz-me tu.

TG – Falou-se muito das Lendas do Santo Graal. Será por isso?

LM – Não. E sim. Há uma relação entre a Demanda do Santo Graal e o Pentecostes. De facto, a versão da Vulgata inicia-se com a celebração do Pentecostes no reino de Artur, data em que tradicionalmente se lançava tavolado e se armavam cavaleiros. Nesse dias esperavam-se sempre milagres e maravilhas. E o romance começa precisamente com alguns acontecimento que maravilham todos e com a armação de Galaaz, filho de Lancelot. Mas não é por isso que escolhemos a Pena.

TG – Outros motivos?

LM – Sim. Como sabes os meus deveres profissionais afastam-me muitas vezes de Portugal. Sou director de uma empresa na área da Digital Media e Tecnologias da Informação e, embora viva há mais de 30 anos na zona de Sintra, estou mais ou menos entre 1/3 e 2/3 dos dias do ano longe de casa. Poder regressar aos lugares que formaram uma ideia que tenho do mundo – e Sintra é um deles – é um privilégio. Por isso fui desenvolvendo alguns hábitos que tento manter religiosamente. Entre eles está fazer uma espécie de Peregrinação a lugares especiais do nosso país, mais longe de Lisboa, lá pela pausa de Julho. Não sei porquê, mas um mês antes das grandes feiras de videojogos como o Gamescom onde tenho de ir, há sempre ali uma ou duas semanas mais livres. Mantenho o hábito de aproveitar para conhecer melhor Portugal há uns anos. Quase sempre há amigos que acabam por ser arrastados e fazemos uma autêntica comitiva. Outras vezes aproveito para visitar amigos que estão longe e só comunicamos pelo Facebook. Já fiz passeios em estudo nessa época do ano a Braga, Lamego, São João de Tarouca, Carrazeda de Ansiães e uma boa parte das Beiras e Trás-os-Montes…

TG – Tu és de lá de cima.

LM – Sim, fiz a escola primária em Mirandela. Conheço bem Bragança, Chaves, Miranda, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros… Enfim, estar em Trás-os-Montes é estar em casa. Mas como o meu pai era da zona de Moimenta da Beira, a região de Lamego, Tabuaço, Douro e mesmo Viseu são lugares também enraizados na memória que gosto de revisitar. Durante algum tempo andei por ali todos os anos à procura das memórias das famílias que fundaram a nacionalidade. O Vale do Sousa é muito especial, com uma herança românica única. A cidade do Porto também tem muito que se lhe diga.

TG – És tripeiro…

LM – Sou. Não do ponto de vista futebolístico. Não tenho clube. Mas sou do Bonfim, ali sobre Campanhã onde tinha nascido o Mestre Agostinho [da Silva].

TG – Mas essas visitas são em Julho. Ainda estamos em Maio…

LM – Estou a desviar-me! Outro hábito que tenho é comemorar as Luas Cheias de Carneiro – que coincide com a Páscoa, de Touro e de Gémeos. Não é uma questão astrológica, mas sim tradicional. São três momentos muito particulares no ciclo anual. A última coincide muitas vezes com o Pentecostes. Como tenho responsabilidades em algumas organizações de matriz religiosa, a Páscoa é quase sempre comemorada seguindo a liturgia Cristã. E por ser Chanceler Internacional de uma Ordem de inspiração Templária, o Pentecostes é sempre marcado por algum tipo de actividade. Ora, este ano, devido a uma questão de calendário pessoal, que se definiu muito tarde para Maio e tendo-se dado a feliz coincidência de ter terminado o Curso Livre na Universidade Lusófona sobre Templários e Templarismo há poucas semanas e os meus alunos me terem desafiado para lhes guiar uma visita a Tomar, decidi juntar o útil ao muito agradável e, com eles, com o apoio do Instituto Hermético na divulgação e da OSMTHU, fazer um curto ciclo de visitas como costumo fazer em Maio/Junho.

TG – Então esta não é a primeira.

LM – Não. Começámos em Tomar em Abril, apenas para alunos do Curso. Depois aproveitei então o bom tempo e os Domingos, porque estou sempre em Lisboa ao Domingo e marquei uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos, esta ao Palácio da Pena e no próximo Domingo à Quinta da Regaleira, com o Luis Fonseca.

TG – E vai haver mais?

LM – De momento penso que não. Não podemos abusar da paciência das pessoas! Penso em associar-me à festa de São João, que também costumamos fazer em Santa Eufêmea, em Sintra em Junho e talvez mais próximo da tal pausa de Julho (se houver este ano!), logo se vê o que programa. Mas não há mais planos de momento.

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TG – Qual é a relação destas visitas com a Ordem dos Templários a que pertences.

LM – Como sabes o Templar Globe é o órgão de divulgação principal da Ordem Internacional. Fui eu que o fundei e é um lugar de troca e publicação de informação credível sobre os Templários – antigos e modernos. Ultrapassámos há muito o milhão e meio de visitas. Por isso faz parte integrante do modo de comunicar da Ordem. Em geral, tudo o que eu faço pessoalmente relacionado com o tema Templários tem a cobertura do Templar Globe que o divulga através dos grupos do Facebook e internacionalmente. As Comendadorias de Sintra e de Lisboa são importantes bases de apoio ao estudo e actividades da Ordem. Deste modo, o que eu faço, divulgo ou publico sobre os Templários é coerente com o que a Ordem faz. Não confessional nem prosélito, no sentido em que não uso publicações e visitas para cooptar ninguém para a Ordem. Pelo contrário. Há sempre pessoas que me perguntam sobre como entrar na Ordem e eu recomendo-lhes sempre que visitem o site oficial e escrevam um mail para lá. O tema não é a Ordem em que eu estou e onde me sinto bem e onde gosto de trabalhar, mas sim os Templários como Ordem histórica e ideário já muito preenchido de mitos e lendas. Não é uma questão de aumentar fileiras. Bem pelo contrário! O que faço – isso sim – é usar os eventos, publicações e visitas para procurar entusiasmar os que as procuram, a estudar por si mesmos, pensar por si mesmos e concluir por si mesmos. E isso é instrução vital para quem esteja numa Ordem Templária, moderna ou antiga. Mas é também fundamental para quem não esteja em Ordem nenhuma! Ou seja, as actividades públicas que faço são coerentes com o que defendo sobre o mundo iniciático e, nesse sentido, são apropriadas para membros das Ordens a que pertenço, das Ordens a que não pertenço e dos que não querem ser membros de Ordem ou Religião alguma. Há momentos para tudo na vida. Seria matar o propósito das visitas fechá-las a um ramo da grande família fraternal ou usá-las para cooptar gente. Sei que os membros da Ordem Templária aproveitam as visitas para aprender. Mas não se esgota aí. O Curso Livre da Lusófona é outra coisa bem diferente.

TG – Não está afiliado à Ordem?

LM – Absolutamente não. Enquanto na Ordem a aproximação ao tema Templário é na perspectiva da Cavalaria Espiritual como um modelo de comportamento e estudo pessoal, com os seus temas, paradoxos, meditações, objectivos, desafios e imperativos de compromisso interior e com o próximo, o Curso na Universidade é académico. Explora a história da Cavalaria, na qual os Templários se inserem, todo o contexto religioso e depois a história dos diversos movimentos que se foram inspirando nos Templários desde o século XIV ao século XX.

TG – Qual é a diferença?

LM – No primeiro caso estuda-se a doutrina com o objectivo de adoptar as ideias e integrá-las num modelo de comportamento pessoal como via de relação com o divino. No segundo estudam-se as ideias, a suas evolução, de onde surgem e que impacto tiveram na história, na arte, na religião. No primeiro caso vivem-se os Mitos. No segundo conhecem-se os Mitos, as suas origens, o seu arquétipo e o modo como Mito é usado para impulsionar vontades e acontecimentos, sem necessidade de os viver ou acreditar no seu “nada que é tudo”.

TG – E os alunos do Curso da Universidade Lusófona não têm expectativas diferentes de cada visita?

LM – O tema é o tema. Cada um percepciona-o como entende. Creio que as expectativas não são goradas, porque nas visitas estão todo o tipo de pessoas. Os meus livros têm leitores de todo o género. Não sou um autor para apenas um grupo como muitos dos meus colegas autores. Alguns só são lidos nos círculos Maçónicos. Outros só são lidos nos círculos de Nova Era. Outros só são lidos entre duas paragens em bombas de gasolina. Outros só são lidos por académicos. Outros por leitores que não se filiam em nada. Eu tenho uma base de leitores que abarca todos estes grupos e grupo nenhum. O mesmo se pode dizer dos que vão às minhas visitas ou conferências. Procuro não ter uma linguagem “confessional” e proselitista. Não estou a recrutar. Não estou mesmo. Deixem-me em paz. Já tenho muito que fazer. Por isso, ao não ter uma “agenda”, ao não querer promover mais do que o livre pensamento e despertar nos outros a mesma paixão sobres os temas ou lugares que eu mesmo tenho, sem ataduras ou molduras doutrinais, tomo os assuntos de modo que cada um que me ouça ou leia possa tirar o que melhor lhe parecer para a sua busca livre. É seguir as palavras que ouvi ao Mestre Agostinho: “o que importa é gostar do que se faz e ser-se contagioso no entusiasmo”. Por isso, creio que os meus alunos não poderão dizer que lhes tentei impingir doutrinas ou códigos e por isso não creio que as expectativas que tivessem possam ter sido goradas. Espero, isso sim, que os tenha motivado e lerem-me e a deitarem fora os meus livros, trocando-os por coisas ainda melhores.

TG – Mas ao seleccionar um tema como a Demanda do Santo Graal para a Pena já é dar um mote doutrinal.

LM – De modo algum. Foi Strauss que disse “Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal” quando esteve em Sintra. Isso acontece porque reconheceu o cenário no qual as óperas de Wagner se desenrolam. Curiosamente Parzival de Wagner é de 1882 e o Palácio da Pena de 1840. Quem inspirou o quê? Quem é percursor do quê? Neste caso o que é evidente é que o mesmo tipo de imaginário que inspirou Wagner tinha já inspirado D. Fernando II.  O facto de ambos terem tido contacto com círculos iniciáticos muito próximos pode ajudar a explicar a coincidência. Mas a associação da Demanda à Pena não é uma questão doutrinal. É uma questão de facto.

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TG – Então onde é que o Luis traça a linha limite.

LM – Traço a linha limite na interpretação desses factos. Ao fazer uma visita destas procuro dar aos meus companheiros de tarde uma boa história. Como se nos juntássemos à volta de uma fogueira e partilhássemos aventuras. Nas visitas tento não falar só eu. Também quero ouvir e aprender. Estão ali muitos pares de olhos que conseguem ver o que eu não vejo e sabem o que eu não sei. O que já aprendi nestas visitas! Ui! Eu o que posso dar é o referencial que não se encontra logo disponível. Interesso-me por estes assuntos, sempre os mesmos, há tanto tempo que algumas coisas foram ficando consolidadas. Lá diz o ditado “O Diabo sabe tanto, mais por ser velho do que por ser Diabo”. Ao manter sempre a mesma linha, acabo por ir construindo uma mundividência só minha, concreta e definida, consistente. É essa experiência que devo partilhar, poupando tempo a quem me acompanha, para que disponham logo de dados relevantes para que façam a sua mundividência eles mesmos. Saber, por exemplo, que D. Fernando II era maçon ajuda a entender algumas coisas. Mas saber que ele se filiava numa Maçonaria alemã de raiz ligada à antiga Estrita Observância Templária reformada, ajuda a perceber o seu interesse pelo pintor Nicolas Poussin e as particularidades que se encontram nos pratos de Cifka. A interpretação desses elementos já são outros “quinhentos”, por assim dizer. É aí que eu traço a linha. Se me fizerem perguntas sobre a interpretação, não deixarei de responder, sublinhando que é a minha interpretação. Mas o que encorajo é a que cada um procure saber mais. Toca a “googlar” Cifka, Estrita Observância e Nicolas Poussin. Não me perguntem o que quer dizer. Descubram! O mais difícil está feito.

TG – Foi assim no Mosteiro dos Jerónimos?

LM – Claro. Um livro incontornável é “A História Secreta de Portugal” do António Telmo, onde se faz um primeiro exercício de interpretação de muitos dos elementos iconográficos. Mas eu não vou aos Jerónimos explicar António Telmo. Ele é auto-explicativo. Compra-se o livro, lê-se, até se pode fazer a visita com o livro na mão e temos lá o que pensava António Telmo. O que importa é dizer que não foi só António Telmo que pensou os Jerónimos. Importa chamar a atenção para o trabalho sobre o simbolismo do Manuelino do Paulo Pereira, para o célebre programa que a RTP passou da autoria do Manuel J. Gandra e do António Carlos de Carvalho nos idos dos anos 80, para algumas linhas escritas e particularmente os painéis do Rossio do Mestre Lima de Freitas e, já noutro plano, para todo um acervo mais recente de autores como Eduardo Amarante, Paulo Loução, entre muitos outros. Assim sim. Assim já temos uma base para “navegar” os claustros. Há informação de qualidade, há especulação, há teses distintas. É isso que serve o visitante. Serve-lhe saber onde há-de ir procurar para fazer a sua própria visita e a sua construção simbólica sobre os Jerónimos.

TG – Então não se ficou a saber o que o Luis pensa?

LM – O que o Luis pensa é muito útil ao Luis. Mas é pouco útil a quem quer compreender – no sentido bíblico de circunscrever e apreender – por si. Não quero que venham ver-me fazer sapatos, que eu não sou sapateiro. Quero que, ao explicar os sapatos, alguns saiam das visitas a querer ir experimentar fazer um par! Uma vez ou outra, lá vou dando a minha orientação temática, porque o tema está lá e fala-se pouco dele. Por exemplo, um tema fascinante nos Jerónimos é o dos túmulos vazios. Até D. Sebastião lá está! Eu tenho opinião e conto algumas histórias. Mas o essencial é apontar por onde procurar mais informação e pontos de vista inusitados ou inabituais. Acho que é disso que as pessoas mais gostam. Uma história bem contada é um apontador.

TG – E no Palácio da Pena, que temas costumam passar despercebidos.

LM – Muitos. Mesmo muitos. Tal como com os Jerónimos há uma visão mais ou menos consagrada da Pena que ignora muitos detalhes. E é no detalhe que está o tesouro. Sim, Parque e Palácio estão relacionados com a Demanda do Graal. Mas que Demanda? Há várias versões, várias linhas tradicionais. Qual delas? Que elementos estão ali expressos? E que outras correntes são determinantes para a Pena tal como a conhecemos hoje? Passa-se ao lado de quase tudo. Um tema fulcral, por exemplo, é o de saber se havia ali um Convento ou um Mosteiro. Não é tudo a mesma coisa… Outro tema é conhecer a Ordem Hieronimita, o que poderá surpreender os mais desatentos. Outro ainda, sobre o qual nos debruçámos nesta última visita, é o dos vitrais. Os da Capela são de tal modo importantes que foram feitos logo em 1840, ano do início das obras. Fazem, portanto, parte dos planos iniciais e aquilo que neles se expressa será fundamental – no sentido mesmo de fundação. Mas mesmo a colecção de esparsos reunida no Salão Nobre não é aleatória e apresenta bastas razões para uma reflexão cuidada. É mais um apontador pouco referenciado.

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TG – O que podemos esperar para a Quinta da Regaleira.

LM – Tudo.

TG – Tudo?

LM – Apontadores. O 515 pode ser logo tratado. Basta 1 minuto e está. A questão Maçónica já foi muito bem ponderada pelo José Anes. Mais um par de minutos e fica o apontador. Quase todos os que vão ou já leram, ou podem vir a ler em breve o livro. Outro apontador é o do Manuel Gandra que publicou informação relevante sobre a colecção camoniana de Carvalho Monteiro, agora em Washington. Isso toma mais uns minutos. Noutro plano, naquele espaço não se pode ignorar o trabalho do Victor Adrião, que já estuda a Quinta desde há muitos, muitos anos. Trabalho extenso, documentado e detalhado. Mais um par de minutos. Como é costume não direi nada sobre o autor, mesmo sabendo que não é recíproco! Em menos de 20 minutos os apontadores mais conhecidos estarão dados. Perfeito. Será então hora de por isso tudo numa pastinha, fechar e ver em casa. Porque chegou a hora de, isso sim, fazer o que se deve fazer naquele jardim: passear. Deixar-se levar. Deixar-se encantar. Viver a tarde. Olhar o detalhe, deixar a evocação surgir à superfície do consciente. É um jardim iniciático. Comece-se a iniciação.

Fotos: Sunana Ferreira (c) 2015

Texto: TG (c) 2015

Aula Livre – Quinta da Regaleira

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A Quinta da Regaleira e os seus Jardins Iniciáticos e Palácio, está situada na encosta da Serra de Sintra e a escassa distância do Centro Histórico. O seu construtor, Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, deu à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. Modelou o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.

Homem de grande cultura clássica, Carvalho Monteiro era dono de uma excepcional colecção camoniana. A mitologia greco-romana, as visões infernais de Dante e os ecos de um passado distante de misticismo e deslumbre acompanham o visitante que queira decifrar os mistérios de jardins e cavernas, num viagem ao interior da alma.

A visita terá lugar no dia 31 de Maio, iniciando-se pelas 14h30 e terminando 19.00h, sendo guiada por Luis de Matos e Luis Fonseca* (ver: universatil.wordpress.com).

As inscrições são limitadas e devem estar concluídas até dois dias antes da visita por imposições logísticas da própria Quinta.

A visita tem um custo de 10€ por pessoa + entrada no monumento** (ver preços de admissão ao monumento em: regaleira.pt)

Inscrições prévias: ihshi@mail.com

* Luis de Matos é autor, entre outros de “A Maçonaria Desvendada – Reconquitar a Tradição”, “Quero Saber – Alquimia” e “Breve Memória sobre a Ordem do Templo e Portugal”; Luis Fonseca é autor de, entre outros, de “Perit ut Vivat” e “A Doutrina Cristã Esotérica”.

** para alunos do Curso Livre Templários e Templarismo da Universidade Lusófona, bem como membros da OSMTHU a visita é gratuita e apenas devem pagar a entrada no monumento, contudo DEVEM INSCREVER-SE de modo a garantir a participação.

Aula Livre – Visita ao Palácio da Pena

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O Palácio da Pena ergue-se sobre uma rocha escarpada, que é o segundo ponto mais alto da Serra de Sintra. Localiza-se na zona oriental do Parque da Pena, que é necessário percorrer para se chegar à íngreme rampa que o Barão de Eschwege construiu para se aceder à edificação acastelada. O Palácio propriamente dito é constituído por duas alas: o antigo convento manuelino da Ordem de São Jerónimo e a ala edificada no século XIX por D. Fernando II. Estas alas estão rodeadas por uma terceira estrutura arquitetónica, em que se fantasia um imaginário castelo de caminhos de ronda com merlões e ameias, torres de vigia, um túnel de acesso e até uma ponte levadiça.

Em 1838 o rei D. Fernando II adquiriu o antigo convento de monges Jerónimos de Nossa Senhora da Pena, que tinha sido erguido no topo da Serra de Sintra em 1511 pelo rei D. Manuel I e se encontrava devoluto desde 1834 com a extinção das ordens religiosas. O convento compunha-se do claustro e dependências, da capela, sacristia e torre sineira, que constituem hoje o núcleo norte do Palácio da Pena, ou Palácio Velho.

É um dos mais importantes legados do Portugal simbólico. A propósito do antigo Mosteiro da Pena, do Rei Artista D. Fernando II e da recriação arquitectónica e paisagística da mítica Ilha Secreta dos heróis e da Floresta que cerca o Castelo Inacessível do Santo Graal, iremos conhecer melhor mitos e lendas que enquadram o programa simbólico e o lançam, com força e vigor, em direcção ao futuro. Ao Portugal que falta cumprir, nas palavras de Fernando Pessoa.

A visita terá lugar no dia 24 de Maio, iniciando-se pelas 14h30 e terminando 19.00h, sendo guiada por Luis de Matos (ver: universatil.wordpress.com).

As inscrições são limitadas e devem estar concluídas até dois dias antes da visita por imposições logísticas do próprio Palácio.

A visita tem um custo de 10€ por pessoa + entrada no monumento* (ver preços de admissão ao monumento em: parquesdesintra.pt)

Inscrições prévias: ihshi@mail.com

* para alunos do Curso Livre Templários e Templarismo da Universidade Lusófona, bem como membros da OSMTHU a visita é gratuita e apenas devem pagar a entrada no monumento, contudo DEVEM INSCREVER-SE de modo a garantir a participação.