Ordem de São Miguel da Ala – Maio em Belmonte

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Há uns quantos anos o Nuno da Câmara Pereira convidou-me a dar-lhe uma ajuda na Ordem de São Miguel da Ala, de que era Comendador-Mor, porque havia que reabilitar o Colégio do Menino Jesus em Carnide, uma instituição de solidariedade social apadrinhada pela Ordem há muitas décadas, que tinha caído no descrédito junto às autoridades de tutela, estando em vias de fechar, sem alunos, sem dinheiro e com funcionários com salários em atraso.

Maus anos de gestão, más decisões, pouca atenção ao propósito real (Real diria..) de uma Ordem com as características da Ala, muita mágoa, levavam então o Nuno a retomar com muita paixão a liderança da Ordem depois de se ter afastado na maré de uma carreira musical intensa. O seu regresso era crucial, contando com a totalidade dos fundadores originais da Ordem ainda vivos, da qual tinha sido um ele mesmo, ainda um jovem desconhecido do mundo do espectáculo, no dia longínquo em que assinara a escritura, entre pares, entre augustos valentes com um propósito.

Associei-me com gosto. Relembro a cerimónia na Igreja de São Miguel, junto ao Castelo em Lisboa. Como poderia esquecer? Seguiram-se meses de luta pelo legado, em perigo, colégio, ASA e tudo. De um momento para o outro os sinais da Ordem caíam na rua, apareciam como adesivos colados em faiança, disfarçados de verdadeiros não eram reais, como num jogo de espelhos havia Alas de São Miguel desde Sagres até Bragança… Havia que por ordem (diria “por Ordem”) na fancaria como se punha já no colégio. Em pouco tempo o colégio já não precisava de fechar. Devido às muitas horas de dedicação de muitos, deu-se a reviravolta. Limparam-se contas, motivou-se a equipa, enfrentaram-se os problemas, criaram-se soluções, planeou-se e executou-se com as crianças e as famílias em mente. Hoje o resultado é pouco menos que prodigioso. Abrem-se as portas sem vergonha.

 

Em paralelo apareceram algumas polémicas. A Ordem, relutantemente, viu-se forçada a recorrer à justiça. É que, enquanto no colégio se reparava o estrago com trabalho e suor, foi necessário fazer prevalecer a verdade acima da ambição e da fantasia com recurso a instâncias oficias. Desde muito cedo que a media apanhou o fio do que viria a ser um longo processo. Instância sobre instância, em serena cadência que caracteriza os que confiam na indiscutível vitória da verdade, a Ordem foi vendo a sua identidade reforçada e o seu direito defendido por sentenças sistemáticas a seu favor. A atribuição de indemnizações e a execução de penhoras a quem havia ultrapassado as fronteiras da lei só se deu em consequência de uma teimosia mal informada e da noção incorrecta de que a lei poderia, de algum modo, proteger uns em face de outros pelo simples facto de serem qualquer outra coisa que não homens comuns e todos por igual sujeitos à mesma lei. É meu desejo que o futuro seja de paz e com menos títulos de jornal, agora que tudo é bem claro.

O saldo que faço destes anos de trabalho com os meus confrades é positivo. Vale a pena acreditar quando se tem a lucidez e a razão, quando a elas se adiciona a Fé e se labora na obra humana, colectiva e disciplinada de uma Ordem. Muitos há que preferem ser o resultado do passado a ser a causa do futuro. Por isso vamos ao futuro que se faz tarde.

BELMONTE

Escrevo sobre a Ordem de São Miguel da Ala porque, em todos estes anos em que aqui vou publicando, poucas vezes lhe fiz referência.

Ora, dá-se o caso de que no passado dia 7 de Maio tive o prazer de ver dois distintos amigos brasileiros serem armados Cavaleiro e Dama de Ordem numa cerimónia em Belmonte. Tratou-se de Alexandre e Chaia Figueiredo, advogados do Rio de Janeiro, residentes no nosso país desde o ano passado.

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Porquê o dia 7 de Maio?

A Ordem de São Miguel tem uma fundação mítica justificada pela lenda da conquista de Santarém. Naquela tarde de Março de 1147 conta-se que as nuvens ao sol poente desenhavam uma grande asa colorida nos céus, de ocidente para oriente. Este efeito, como um mau agoiro, atemorizou a guarnição moura que defendia a fortaleza da cidade que, em vão, vigiava as planícies infindas às sua frente a sul. Não seria dessa direcção que a sua segurança seria ameaçada.

Já noite escura pouco mais de duas dezenas de soldados liderados por Afonso Henriques, chegados pelo norte, dominaram os vigias e sentinelas, entrando no castelo e surpreendendo a guarda. Santarém caiu definitivamente em mãos cristãs. A Asa no céu não foi esquecida. Corria a voz que, durante as escaramuças, havia quem tivesse visto a mão de Afonso Henriques coberta por uma mão luminosa e alada, que, dizia-se, só podia ser do Arcanjo seu protector. A lenda termina com o agradecimento de Dom Afonso, decidindo conferir a alguns dos seus mais privados a Ordem de São Miguel da Ala no São Miguel de Maio, a dia 8.

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A história não tem documentos que possam suportar a lenda. Sabe-se no entanto que a Ordem teve a sua presença, ainda que diminuta – e talvez por isso, constituída por particular escol – na história, sendo ocasionalmente referenciada como tributária da Ordem de Cister. Já no século XIX D. Miguel terá constituído um grupo nela inspirado, com características quasi maçónicas e imbuída de total secretismo, cujos objectivos puramente políticos a afastam da tradição mais antiga. Essa tradição antiga é a que São Miguel da Ala de hoje retoma.

Porquê Belmonte?

Belmonte está indissocialvelmente ligada à família dos Cabrais. Pedro Álvares Cabral foi o achador do Brasil. Tal como muitos dos Almirantes da época das Descobertas, a sua origem não era próxima do mar. São exemplos Pêro da Covilhã, Antão Gonçalves (Oliveira do Hospital), Diogo Cão (Monção), Afonso de Paiva (Castelo Branco), Bartolomeu Dias (Mirandela), Nicolau Coelho (Vale do Sousa), etc. A ligação de Belmonte a Cabral e do legado desta família a São Miguel da Ala é mais do que simplesmente simbólica. Bastará recordar o papel que o Brasil representa em toda a nossa história, até aos dias de hoje. De como a língua e a cultura de ambas as nações as irmanam. Basta consultar a obra e biografia de Vieira, Anchieta, Pessoa ou Agostinho da Silva para sublinhar a origem e destino comum do Portugal e Brasil. Belmonte é, assim, um lugar que simboliza de modo muito visível a unidade espiritual que entrelaça os dois lados do Atlântico.

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Acresce que o Comendador-Mor da Ordem, o Nuno, se chama de facto Nuno Cabral da Câmara Pereira e que esse Cabral lhe chega por via directa, como descendente do pretérito Pedro. Isso mesmo teve oportunidade de sublinhar, com bastante mais detalhe que aqui não cabe, durante a cerimónia oficial de abertura do dia de São Miguel em Belmonte.

Finalmente, a Ordem e Belmonte reforçam a sua estreita relação com a celebração de um acordo histórico que se resume em poucas palavras: por iniciativa conjunta, a sede oficial da Ordem será o Castelo de Belmonte, atribuição confirmada e anunciada pelo Presidente do Município, António Rocha, entusiástico anfitrião das celebrações. A ele se deve a vontade expressa por muitos dos visitantes em regressar para melhor desfrutar da paisagem, património e gastronomia da região, que superou as expectativas dos que não a conheciam. E eram muitos.

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Para estas cerimónias fizeram-se presentes Irmãos de várias Ordens de Cavalaria, destacando-se o Duque de Maqueda, Grande de Espanha, com uma numerosa delegação, bem como muitos Irmãos de França, Espanha, Itália e Brasil. A festa incluiu a visita ao magnífico Museu (interactivo) das Descobertas, ao Castelo de Belmonte, ao Cellium, bem como um desfile da Cavalaria pelas ruas principais em direcção à igreja onde, de portas abertas à população, teve lugar a cerimónia de armação de novos Cavaleiros e Damas e a tradicional missa. Nem a chuva persistente e os ventos fortes detiveram os Cavaleiros. Dizia um visitante: “chuva civil não molha militares”! E lá foram ao castelo!

As poucas fotos que pude tirar não ilustram com justiça os procedimentos do dia. Tentarei por isso complementá-las com um curto texto.

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A CERIMÓNIA

A cerimónia começou com o desfile de Cavaleiros e Damas pelas ruas de Belmonte precedidos pela banda filarmónica, em marcha firme, terminando no adro da igreja, lugar onde se dá a entrada ordenada e em modo militar na igreja. Os dignitários ocupam os seus lugares. SAR Dom Pedro de Loulé preside, sentado à esquerda. Junto ao altar está o Capelão, Padre Delmar e dois sacerdotes espanhóis que acompanham os visitantes. Os Oficiais da ordem estão nas primeiras filas, dirigidos pelo Comendador-Mor e Marquês de Castelo Rodrigo, Nuno da Câmara Pereira. Atrás, em várias linhas de assentos, todos os Irmãos e Irmãs nos seus mantos brancos. Ainda mais atrás o grupo de postulantes que serão armados de seguida. A igreja está cheia, mas ainda tem espaço para um conjunto muito grande de habitantes de Belmonte, que seguem cada momento da cerimónia com grande interesse, muitos de telemóvel na mão a fotografar.

O Reverendo Cavaleiro Pinto Coelho aproxima-se do ambão e inicia a Exortação à Cavalaria. Explica em palavras certeiras, numa voz de comando pausada e bem colocada, o que é a Cavalaria e o que se espera de cada um dos postulantes uma vez assumidos os compromissos de São Miguel. Recorda-se a nossa história, fala-se do fundador mítico, Afonso Henriques e dos feitos de Santarém. Sublinha-se o serviço e a causa.

O Kyrie e o Gloria in Excelsis são cantados por uma intérprete de assinaláveis dotes vocais, acompanhada ao piano e violino.

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Os postulantes aproximam-se do altar. A espada é benzida e preparada para a sua função sacra. Ajoelham-se postulantes um a um diante da dupla autoridade representada pelo Comendador-Mor (em nome do Ordem) e do Capelão-Mor (a Igreja). Em posição de súplica ouvem as palavras de ambos. A espada, pesada, reluzente, ergue-se ao céu imponente. É o momento. O postulante baixa a cabeça e o Comendador-Mor consagra o Cavaleiro. O Capelão-Mor, pela bênção, sela o laço fechado. Ajoelhou-se postulante, mas levanta-se Cavaleiro, inteiro, vertical, coberto pelo manto alvo e puro, uniforme entre todos os companheiros da Cavalaria, capa de protecção e sinal de confraternidade.

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Segue-se a celebração da missa. A igreja, até ali cheia de olhares curiosos, diferenciada entre os Cavaleiros e os crentes que os observam, transforma-se. Com o Capelão-Mor, concelebrando com os outros sacerdotes, a igreja converte-se na sala de visitas de Deus. Passa a ser um lugar onde todos celebram em festa a Fé que lhes é comum. Já não há distinções. Todos são parte da mesma comunidade que deseja celebrar a Eucaristia.

A Ordem de São Miguel da Ala tem sentido a Asa protectora em muitos momentos. Mas é nas inspiradas homilias do Padre Delmar, na sua oratória que ordena palavras e imagens vivas sem esforço, que toda a cintilante luz do Arcanjo se vai espargindo pelos presentes. Desta vez quis-nos deliciar com uma breve exposição sobre a Palavra como Espada, recordando São Paulo. Sem esforço, foi acompanhado por uma atenta audiência, cativa de cada uma das suas palavras. Como uma delícia breve e que pede por mais, o momento pareceu rápido. Passou à liturgia eucarística e à comunhão.

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A cerimónia terminou de forma emotiva com uma oração à Virgem Mãe pelo Nuno, num registo diferente daquele que se lhe conhece do fado, a capella, que fez ressoar cada pedra viva daquela igreja.

Seguiu-se a ceia de gala, degustação muito apreciada das especialidades da região. Num ápice era hora de regressar a casa. Ficou o agradecimento ao novo amigo António Rocha, Presidente da Câmara, a SAR Dom Pedro de Loulé, que nos agraciou com a sua imprescindível presença, ao Capelão-Mor Padre Delmar que é sempre um exemplo excelso e inspirador, a todos os Cavaleiros e Damas da Ordem que trabalharam de forma árdua para que tudo corresse de maneira digna e no cumprimento e estrita observância da Tradição e sobretudo ao Comendador-Mor, Nuno da Câmara Pereira que, em tão inspirada hora, há tantos anos, me convidou a partilhar da sua árdua tarefa e como, com o seu entusiasmo, o seu alento e a sua liderança, leves se fizeram os fardos que aqui nos trouxeram. Obrigado Nuno.

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Fica para último a referência a três amigos que saíram de Lisboa como Postulantes e voltara como confrades. Alexandre e Chaia, que escolheram o meu país para morar, tomem esta cerimónia como um sinal das boas-vindas. Ao Fernando Coelho, providencial ajuda para que se proporcionasse a minha presença em Belmonte, um grande abraço de instantânea amizade. Fomos desconhecidos um do outro. Voltámos Irmãos. É isto a Cavalaria, não é Fernando?

6 perguntas sobre o “Bestiário Maçónico”, o último livro de Luis de Matos

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De onde surgiu a ideia de fazer uma compilação dos animais simbólicos presentes nos ritos Maçónicos?

Já foi há uns anos. Estava a estudar o simbolismo do Leão, porque faz parte central do Rito Escocês Rectificado, que me interessa especialmente. Há muitos dicionários maçónicos e simbólicos, mas a maioria das vezes não ajudam muito. Por exemplo, em quase todos os casos, relativamente ao Leão, referiam que estava num quadro do 4º grau do Rito Escocês Rectificado, junto a uma legenda em latim. Ora, isso já eu sabia. Era por isso que procurava o significado… Era como ir a um guichet de informações perguntar como chegar ao Rossio e dizerem que fica na Praça D. Pedro IV, também conhecido como Rossio, bastando para tal dirigir-me ao Rossio!… Outros dicionários entravam na vertente alquímica, com a relação entre o Leão e os ácidos. Certo, certo. Mas é na Maçonaria? De onde aparece. O que significa? Que motivo levou a que fosse ali colocado? O livro surge então numa tentativa de responder a esta questão. Aos poucos começaram a aparecer outros animais e, puxando pelo fio, fui encontrando mais e mais. No início ainda pensei que já haveriam Bestiários Maçónicos publicados. Há uma sólida tradição de Bestiários Medievais muito interessantes, quer do ponto de vista lendário, quer iconográfico. Mas não encontrei, quer em Portugal, quer nos estrangeiro, nenhum que fizesse a lista dos animais que aparecem nos rituais da Maçonaria e o seu significado. Isso tornou o projecto ainda mais aliciante. Depois falei com o pintor Pedro Espanhol, desafiando-o a criar uma sequência de quadros sobre o mesmo assunto, visto da sua perspectiva muito única. A capa do livro faz parte dessa sequência. No fundo é um contributo muito simples e muito inicial para uma área de estudo ainda não sistematizada. Espero que o livro inspire outros autores a ampliarem não só a lista de animais, como o seu significado. Fica o convite.

Os rituais maçónicos referem assim tantos animais, que cheguem para um livro?

Sim. De facto inicialmente pensei em fazer apenas um artigo de fundo para alguma das publicações em que colaboro. Mas este trabalho obrigou-me a voltar à sequência de graus dos muitos sistemas de ritos e altos graus da Maçonaria. Muitos não são praticados em Portugal. Outros já não estão em uso em nenhum lugar do mundo. Foram muitos meses a decifrar rituais, imagens, esquemas simbólicos, catecismos de graus, manuscritos. Aos poucos apareciam os animais. O livro refere 32 diferentes, a que se acrescentam 3 ordens de seres sagrados, além de fazer um estudo acerca da evolução dos Altos Graus maçónicos e do uso de animais como artifício simbólico. Quando dei por mim, estavam escritas quase 300 páginas. Tivemos de usar um formato de livro maior, não apenas por causa das ilustrações, como pelo texto, conseguindo reduzir assim a 250 páginas. Durante os últimos anos trabalhei para uma empresa americana de videojogos e as longas viagens de avião sobre o Atlântico e na Europa foram uma constante. Uma porção significativa do livro foi escrita em aeroportos à espera do voo e no ar! A revisão final foi feita em tempo de retiro próximo de Tomar.  Ainda assim é o livro mais volumosos que escrevi até agora.

Quais são os animais mais conhecidos usados simbolicamente nos graus maçónicos?

O Rito Escocês Antigo e Aceite apresenta dois que quase todos leitores reconhecerão de imediato: o Pelicano e a Águia Bicéfala. São símbolos tão antigos e tão polissémicos que os encontramos em muitos outros contextos. O Pelicano, por exemplo, é o símbolo do Montepio Geral, instituição criada por maçons no século XIX. Já a Águia Bicéfala aparece como símbolo proeminente na Igreja Ortodoxa, sendo frequente vê-la coroando cúpulas na Rússia. O símbolo tem um significado arquetípico, que é o seu eixo simbólico. Depois tem um significado contextual, dependendo de como é usado relativamente a outros símbolos. Os ritos maçónicos tomam muitas vezes o significado arquetípico e depois expressam mensagens simbólicas própria nos diversos graus. Um exemplo é o Cordeiro, usado frequentemente. Em alguns casos, como no Rito Escocês Antigo e Aceite, aparece como o animal que repousa sobre o livro lacrado com os Sete Selos, tal como referido no Apocalipse. Noutros, como no caso do Rito Escocês Rectificado, aparece em glória, com o estandarte da Jerusalém Celeste. O Rito de Mamphis-Mizraim, de inspiração Egípcia, vai igualmente buscar vários animais, entre eles a Fénix, símbolo da imortalidade. Já referi o Leão, podia ainda referir a Abelha com o a sua colmeia e a Serpente, que encontramos muitas vezes na rica iconografia de aventais setecentistas, em quadros de Loja e outras fontes mais efémeras, como convocatórias aos trabalhos, circulares, diplomas, jóias distintivas, etc.

Sendo o simbolismo maçónico essencialmente geométrico, porque recorreram os maçons ao simbolismo animal?

O simbolismo geométrico e arquitectónico é a base de todo o simbolismo maçónico. Ele é usado para expressar as leis que governam o Universo e enquadrar o Homem na criação como um ser que participa de uma dada ordem das coisas. “Ordo ab Caos”, motto presente no Rito Escocês Antigo e Aceite, reafirma essa noção. Deste modo, a geometria, imutável e baseada em princípios verificáveis e constantes, dá um vislumbre sobre o Universo. Mas o processo iniciático, de aperfeiçoamento e melhoramento interior, tem como objecto o Homem. E ele é totalmente fluido e volátil. Está em permanente mudança, mimetizando-se em “pessoas” distintas ao longo da sua vida e enfrentando dentro de si versões rebeldes e desobedientes de si mesmo. Quem já tentou deixar de fumar sabe que é assim. Quem já se deu por si em situações – boas ou más – sem que percebesse como ali chegou, sabe que há camadas ou níveis de consciência de si mesmo e das decisões sobre si mesmo que variam com o tempo, o lugar e o contexto. Umas vezes esse “eu consciente” é suficientemente capaz de tomar decisões racionais. Outras vezes é obscurecido, num processo de eclipse, por um outro “eu”, menos racional, que tendencialmente toma decisões ligadas à herança animal que carregamos em virtude da evolução que levamos neste planeta. São decisões instintivas, que fazem um by-pass à racionalidade. E em geral são essas que nos conduzem a intermináveis problemas. Ora, desde há muitas gerações que essa natureza animal, inconsciente e maioritariamente instintiva, é simbolizada por animais. Todos sabemos que Ricardo Coração de Leão não era um cobarde. Todos sabemos que Cristo é “o Cordeiro de Deus”. Todos queremos que o nosso jogador de futebol favorito seja “uma fera”, mas sabemos bem que, quando as coisas correm mal, “os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio”. A tradição de usar os animais como metáforas e, em seu redor, construir alegorias sobre o comportamento humano, é longa e antiga e a Maçonaria foi beber a essa fonte tradicional.

Houve algum animal que o surpreendesse?

Sim. Eu sabia que o simbolismo da Serpente era muito versátil e muito usado em todo o tipo de contextos. Contudo não esperava encontrar tanto material simbólico à minha disposição. A imagem que transparece da maneira como a Serpente  foi usada simbolicamente surpreendeu-me. Bastará dizer que ela, ao mesmo tempo, é temida pelo veneno mortal e usada como símbolo da farmácia… Doença, morte e cura ao mesmo tempo. É o animal que acompanha os sábios e que é esmagado como o mal absoluto pelos santos. Essa contradição aparente é muito interessante. Surpreendeu-me também o uso da Borboleta no 5º grau do Rito Escocês Antigo e Aceite. É associada ao sopro vital que é exalado pelo Mestre Hiram ao morrer. A imagem é muito poética e em algumas jurisdições – em Portugal este grau é comunicado e não praticado – é cantado um Hino Fúnebre muito inspirador, que publico no livro.

 

O que pode o leitor aprender com este Bestiário?

O leitor em geral pode perceber como e porquê os animais foram usados como símbolo desde tempos imemoriais para transmitir alegorias sobre o comportamento humano inconsciente. Todos os que se interessam por simbolismo, em qualquer vertente, têm aqui muito que explorar. Quem se interessa pela condição humana e pelos seus desafios civilizacionais, culturais, religiosos ou espirituais, poderá enquadrar muitos deles pelo modo como os animais foram usados para os melhor definir. A superação de cada indivíduo, a busca da consciência universal, o domínio de si mesmo, a ligação à natureza cada vez mais afastada e perdida, a responsabilidade da espécie humana no contexto de todas as outras espécies como um cuidador, entre outros temas, encontram no Bestiário Maçónico amplo material de estudo. Para o leitor que, além de se interessar por simbolismo, seja maçon, o livro é um guia acerca de uma categoria simbólica particularmente ignorada e, embora presente nos rituais e profundamente importante para a compreensão da Ordem, raramente abordada no seu todo. Nem tudo são compassos e esquadros!…

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“Bestiário Maçónico”, por Luis C. Matos

Edições Nihil Obstat

Preço: 24,50€  19,95 € (até 30 de Novembro 2015)

Mais informações e encomenda de exemplares: Emial para ihshi@mail.com

Abertas as inscrições para a nova edição do Curso Livre – Templários e Templarismo

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INSCRIÇÕES ABERTAS

Aulas: Sábado 5 de Dezembro e Sábado 12 de Dezembro
Total: 20h

Nova edição do Curso “Templários e Templarismo I” na Universidade Lusófona.
Seguido de “Templários e Templarismo II”
Prof. Alexandre Honrado e Luis de Matos

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Universidade Lusófona – Lisboa

Informação: ihshi@mail.com

Universidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Aula Livre – Quinta da Regaleira

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A Quinta da Regaleira e os seus Jardins Iniciáticos e Palácio, está situada na encosta da Serra de Sintra e a escassa distância do Centro Histórico. O seu construtor, Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, deu à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. Modelou o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.

Homem de grande cultura clássica, Carvalho Monteiro era dono de uma excepcional colecção camoniana. A mitologia greco-romana, as visões infernais de Dante e os ecos de um passado distante de misticismo e deslumbre acompanham o visitante que queira decifrar os mistérios de jardins e cavernas, num viagem ao interior da alma.

A visita terá lugar no dia 31 de Maio, iniciando-se pelas 14h30 e terminando 19.00h, sendo guiada por Luis de Matos e Luis Fonseca* (ver: universatil.wordpress.com).

As inscrições são limitadas e devem estar concluídas até dois dias antes da visita por imposições logísticas da própria Quinta.

A visita tem um custo de 10€ por pessoa + entrada no monumento** (ver preços de admissão ao monumento em: regaleira.pt)

Inscrições prévias: ihshi@mail.com

* Luis de Matos é autor, entre outros de “A Maçonaria Desvendada – Reconquitar a Tradição”, “Quero Saber – Alquimia” e “Breve Memória sobre a Ordem do Templo e Portugal”; Luis Fonseca é autor de, entre outros, de “Perit ut Vivat” e “A Doutrina Cristã Esotérica”.

** para alunos do Curso Livre Templários e Templarismo da Universidade Lusófona, bem como membros da OSMTHU a visita é gratuita e apenas devem pagar a entrada no monumento, contudo DEVEM INSCREVER-SE de modo a garantir a participação.

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Curso – Templários e Templarismo

 UNIVERSIDADE LUSÓFONA

Professores: Alexandre Honrado | Luís de Matos

Curso presencial

6 Quintas-feiras das 20h às 22h
12 horas lectivas
Início a 4 de Fevereiro
Custo: 75 Euros

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Extinta há quase 700 anos, a Ordem Militar e Religiosa dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, vulgo Ordem do Templo, tem características históricas únicas e é quase um mito urbano.

Entre outros atributos, é-lhes conferida a responsabilidade de esconder o Santo Graal, administrar uma fortuna enorme, de serem uma sociedade secreta, capaz dos atos mais bárbaros para angariar poder

De pequeno grupo com apenas nove membros em 1118, em menos de dois séculos transformou-se na mais poderosa organização da Europa, com propriedades em vários países e com uma capacidade financeira que lhe permitiu, até, emprestar dinheiro a monarcas. Independente das hierarquias religiosas da época, na dependência direta do Papa, a Ordem do Templo gerou tantas invejas que não admira que, quando Filipe, o Belo, rei de França, resolveu persegui-la, tenham sido muitos os que a ele se aliaram.

A sua dramática extinção inspirou, também, histórias arrebatadas.

Este curso permite viajar até aos subterrâneos da memória, para conhecer, numa visão dupla, os “Templários e Templarismo” com Alexandre Honrado e Luís Matos, dois estudiosos do passado com visões distintas do mesmo tema.

Inscrições: 

http://www.ulusofona.pt/escolas-e-faculdades/fcsea/cursos-livres/curso-livre-templarismo.html

Livro “Breve História Sobre a Ordem do Templo em Portugal” na Amazon: 

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II Jornadas de Estudo da Maçonaria Cristã – Sintra

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No passado dia 30 de Novembro de 2013 tive o prazer de participar nas II Jornadas de Estudo da Maçonaria Cristã, organizadas pela JPL “Adhuc Stat!”, nº5 do GPRDH, a Oriente de Sintra. A Loja, que trabalha no Regime Escocês Rectificado, comemorou recentemente o seu segundo ano de vida e, como vem sendo habitual, assinala o dia de Santo André – padroeiro do Rito que pratica – com um dia de estudo e divulgação dos fundamentos da Maçonaria Cristã aberto aos maçons de todos os Ritos e Obediências, bem como ao público em geral. A iniciativa tem o apoio do In Hoc Signo – Hermetic Institute e da Akademia Maçónica de Sintra.

Como Presidente do In Hoc Signo e durante muitos anos membro do Rito Escocês Rectificado, fui honrado com o convite para apresentar um trabalho que vem antecipar o meu livro (a sair em 2014 pela Zéfiro), que aborda a rica simbologia maçónica. Deste modo, apresentei uma curta comunicação intitulada “O Leão no Simbolismo Maçónico do Regime Escocês rectificado”.

Deixo um pequeno extracto:

“O Leão é um dos símbolos mais usados pelas religiões e pela tradição para representar a força do animal solar por excelência, divindade absoluta da vida e da morte e mediador de toda a Criação. Representa o poder soberano, a ordem e a sabedoria. Sendo o Rei dos Animais incorpora todas as qualidades e defeitos do seu lugar régio, incluindo a autoridade, a nobreza e a magnificência, mas também a cólera e a violência. É a luz manifestada na sua maior potência, o Ouro esplendoroso, sendo por isso o protector e o que cuida, ao mesmo tempo o Pai e o Mestre, mas igualmente o tirano e opressor se for consumido pelo orgulho e se ficar cego pela própria luz. Na Bíblia o Leão é o portador da destruição ordenada pela divindade, como é igualmente o símbolo do poder dos monarcas sobre o povo e o seu rugido é considerado tão poderoso quanto a Voz de Deus. Energia pura, é a destruição e a construção. O Rigor, a Justiça e a Síntese ao mesmo tempo. Na Árvore da Vida está representado na esfera do Esplendor, Tiphereth, a esfera central. O Leão aparece igualmente na visão de Daniel, como um dos animais proféticos, que os comentadores têm associado ao Império Babilónico. É ainda o símbolo da Justiça e da Clemência, estando associado a inúmeras lendas onde despedaça os iníquos e poupa os justos.

Tradicionalmente diz-se que o Leão habita um covil ou cova. É um habitante do interior da Terra, lugar que domina com o seu aspecto duplo de Sol Exterior e Sol Interior. O Leão em hebraico é Ari , cujo valor na Gematria é 211, relacionando-o com palavras como Herói, Acesso e Vista e dando-lhe a letra Dalet como atributo. Dalet assemelha-se a uma porta, com um alpendre ou cobertura. Por esta associação o Leão guarda a porta para a Caverna. É assim que vemos a inocência de Daniel provada na Caverna dos Leões. Estes não lhe tocam pois está inocente. É numa cova que Hércules deve matar o Leão de Nemeia. É assim que vemos os Leões que guardam o acesso a locais de poder, como Castelos, Palácios Reais e, na literatura medieval, encontramo-los à entrada do Castelo do Santo Graal.

(…)

O Leão domina o poder de dar a vida e é vitorioso sobre a morte. Os Bestiários medievais perpetuavam a lenda que terão recolhido de Aristóteles e Plínio, a qual afirmava que a leoa dava à luz as suas crias mortas, mas que as acarinhava por três dias e lhes dava a vida através do seu alento. A associação à morte e ressurreição de Cristo ajudou à propagação do mito, marcando o carácter Crístico e de senhor da vida e da morte do Leão.

Os Alquimistas chamavam Leão Verde ao primeiro agente magnético empregado para a preparação do Alakest, ou Dissolvente Universal. Este é um tema amplamente explorado pelos Rituais Alquímicos do Barão de Tschoudy e de Dom Pernety. Alguns grandes Adeptos deram-lhe nomes diferentes para despistar os curiosos. Basile Valentin chama-lhe Vitriol Verde, expressando a sua natureza quente e ardente, outros chamaram-no Esmeralda dos Filósofos, Orvalho de Maio ou Pedra Vegetal.

No contexto Maçónico devemos separar o Leão genericamente usado como símbolo solar, a que se atribui a Força, a Sabedoria e a Beleza como expressão de uma trinuidade criadora, igualmente emblema da Tribo de Judá tal como nos aparece nos graus de Arco Real e do Rito Escocês Antigo e Aceite, do seu simbolismo particular tal como aparece no Rito Escocês Rectificado, que iremos analisar à parte. O trono de Salomão tinha dois Leões em ouro, que se perpetuaram na sua associação aos mais nobres entre os nobres, sendo usado nos tronos de monarcas e Papas ao longo de milénios. É o animal emblemático da Tribo de Judá, a tribo que viria a gerar a linhagem sagrada dos monarcas de Israel, incluindo David, Salomão e o futuro Messias. O Leão é o emblema heráldico mais usado em todos os tempos. Os Evangelhos de Mateus e Lucas dão a genealogia de Jesus, colocando-o como um príncipe da Tribo de Judá.

A realização da Obra do Leão é a realização da perfeição da obra física. O Leão é o símbolo da genealogia do Mestre, pelo que representa a transmissão imemorial e ininterrupta do Conhecimento de Mestre a Discípulo. A esta segue-se a Obra da Águia, contraparte imortal da matéria realizada representada pelo Leão (Ouro, luz manifestada, Sol, etc.). Deste modo, os graus simbólicos estão associados ao Leão e os graus filosóficos estão ligados à Águia.

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No Rito Escocês Rectificado o Leão aparece no 4º grau, o de Mestre Escocês de Santo André, como emblema do grau. A descrição dos rituais originais de 1778, manuscritos por Willermoz, diz: “Um Leão sob um céu tormentoso e carregado de nuvens, repousando ao abrigo de uma rocha e brincando tranquilamente com alguns instrumentos de matemática e estas duas palavras por divisa: MELIORA PRAESUMO, que significam ‘entrevejo coisas melhores’”. Não iremos desmontar aqui a simbólica de tal emblema, trabalho que Willermoz convida todos os Mestres Escoceses a fazer frequentemente, mas apenas referir alguns pontos mais salientes do seu estudo que podem abrir interessantes avenidas de pesquisa simbólica.

O Leão do Rito Escocês Rectificado (RER) está a coberto de uma rocha, protegido da tormenta que se desenrola à sua volta mas que não o afecta, já que está imperturbável, brincando com “instrumentos de matemática”. Já vimos anteriormente que o Leão (Ari em hebraico) se relaciona com a letra Dalet. Esta prefigura a imagem da rocha que vemos nas diversas representações do emblema maçónico, com uma cobertura protectora. Contudo, é também associada à porta, pelo que o Leão que brinca com instrumentos de matemática está a guardar uma porta ou entrada (papel que lhe é atribuído tradicionalmente, à entrada de fortificações e palácios em todo o mundo), acesso a uma caverna subterrânea, a arquetípica Caverna do Leão. René Guénon atribui à caverna o significado de “centro” e relaciona-a com o coração designando-a como “caverna do coração” . O Leão na sua Caverna é uma imagem clara do Homem que despertou a centelha no seu coração, a Presença que se manifestava na Arca no seu Sanctum Santorum, figurada no RER pela construção do Templo Místico de Salomão, objectivo último do Maçon Rectificado.

Por outro lado a Caverna refere-se ainda ao que está oculto, invisível, desconhecido. Este aspecto pode ser lido a muitos níveis simbólicos, já que do ponto de vista universal o Leão na caverna é a representação do Rex Mundi na sua cidade oculta interior, sendo igualmente a referência à Ordem Interior (uma Ordem de Cavalaria) que rege o Regime Rectificado, expressão da uma Ordem Invisível de que tivemos já oportunidade de falar.

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Uma última referência aos instrumentos de matemática com que o Leão brinca no emblema Rectificado. A Matemática é a antiga Aritmética. Ora, a palavra Aritmética vem do Latim Arithmetica, que encontra raiz no grego Aritmetiké Tekhné (ou “arte numérica”), em que número é Arithmos. Ora, Arithmos deriva da raiz indo-europeia “Ar”, que dará palavras como Arte, Ara, Ordem e o hebraico Ari (Leão). Assim, o Leão que brinca com instrumentos de Aritemética é a personificação da própria essência da Matemática. O Logos, veículo da Criação e destino da Reintegração. A medida de todas as coisas começa no Leão e termina no Leão. Ele é não só o que detém a Palavra Perdida, mas detém igualmente a Dimensão Perdida.

No RER, então, o Leão na sua Cova ou a coberto do seu Penhasco está protegido, está no seu lugar, imperturbável, detendo a plenitude do conhecimento aritmético e a medida de todas as coisas. Nenhuma tempestade o distrai ou atemoriza. É a imagem do Templo Místico de Salomão reedificado no Maçon. Ao entrever coisas melhores, segundo a sua divisa, exorta todos os que estão a passar por maus momentos a ancorarem a sua Esperança no futuro. Alude à coragem extraordinária de Santo André, discípulo de São João Baptista que, reconhecendo o Leão de Judá (Cristo), não hesitou em deixar para trás a sua existência anterior, incompleta, passada, para se reunir ao trabalho da construção do Novo Templo com o Cristo. Para fazer essa transição entre toda uma vida dedicada a um Mestre pela do Mestre dos Mestre, André personificou o MELIORA PRAESUMO, passando ele mesmo da Antiga Lei à Nova Lei. Até ali o Templo era exterior (Tabernáculo no Deserto, depois Templo de Salomão, depois Templo dedicado por Zorobabel), mas com Cristo a construção do Templo é mística e interior.

O Leão, forte, soberano, em majestade é uma das mais poderosas imagens simbólicas usadas pela humanidade em todos os tempos. No seu aspecto sereno e imperturbável é a representação do Homem realizado.”

Resta-me mais uma vez agradecer à JPL “Adhuc Stat!” o convite e a oportunidade, desejando as maiores felicidades e êxitos no trabalho Rectificado.

Que a Ordem prospere.