I Shot The Sheriff

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O vídeo é indescritível e por isso impossível de recomendar com um link. No entanto mais de 1 milhão de pessoas ao redor do mundo o viram. A partilha do terror não conta com a minha conivência. A comodificação das emoções não me agrada. Por isso não recomendo o vídeo de horror. Cito-o porque é tempo de falar dessa comodificação, fenómeno novo que a internet exponencía.

Voltando ao vídeo. Sinaloa, México, um grupo de polícias regressa ao carro e fecha as portas deixando o local a alta velocidade. O local é o de um desacato, onde um grupo de homens arrasta um outro pelo chão. A polícia já lá não está. Esteve. Viu. Retirou-se. O homem é arrastado para trás de um carro, entre os gritos de uma mulher e empurrões. A testemunha com o telemóvel é um familiar, desesperado. Escondido da vista, o grupo agride e depois, com um tiro, mata o homem que implora no chão. A polícia já está longe. Soube-se depois que o vídeo retrata o grupo de El Chapo a executar um membro dos rivais Los Zetas, em 2011. Só agora foi divulgado por uma organização clandestina e secreta de jornalistas, os Reporteros Asociados de Sinaloa. A polícia investigou agora e, perante a exposição viral do vídeo, não pode ignorar o que ignorou há 5 anos. Em menos de uma semana a investigação concluiu que foram os polícias que identificaram a vítima na rua e chamaram os assassinos, abandonado então o local. Seis deles estão presos, acusados de homicídio e conivência. Um deles é o xerife.

Mas por que motivo este vídeo se destaca de tantos outros que correm a net com semelhantes actos, especialmente num país como o México, onde a guerra de cartéis de droga já provocou mais de 150.000 mortos? Por que motivo deu já origem a movimentos de indignação, partilhas nas redes sociais, protestos nas ruas e uma investigação rápida e certeira das autoridades? Porquê esta vítima entre 150.000?

A resposta é simples. O efeito viral fez com que ele chegasse a nós através de múltiplos canais, fazendo com que não o pudéssemos ignorar. Impôs-se. Desviamos o olhar, mas ele lá estava, no Twitter, no Facebook, no Jornal das 9. Como o Charlie Hebdo, os atentados de Paris, a foto de Alan Kurdi, o rapaz Sírio que morreu nas praias da Europa grega. O choque. O terror. Não deixando desviar o olhar.

Ora, há muito que sabemos que a media (incluindo a social, como o Facebook e o Twitter) vive de alimentar as emoções dos destinatários da mensagem. Todas as emoções, boas e más. O carinho pelos gatinhos, tal como o horror pelas decapitações do DAESH. Quando os criadores da mensagem são igualmente os destinatários e não há um editor intermediário (como num órgão de informação tradicional), o editor passa a ser cada um de nós, sem filtros. E por isso, o medo de um repercute-se e espalha-se como um virus (por isso de maneira viral), alimentando-se do medo de outros. O horror de um faz ricochete na indignação de outros. Cresce a onda viral, que contamina tudo, à medida que partilhamos e lhe damos força, à medida que contaminamos os que estão na nossa lista de amigos. Todas as semanas há uma imagem de horror. Todas as semanas há um vídeo, uma foto, um cadáver, um motivo de alarme, uma imagem do medo, um gatilho para a indignação.

Há hoje mais violência no mundo?

Reformulando a pergunta: matar à queima roupa um membro de um clã rival de criminosos é coisa nova? Decapitar vítimas de sequestro com uma cimitarra afiada é invenção recente? Lançar o caos e a morte numa capital europeia é acto nunca antes visto na história deste pacífico e calmo continente? Ver as autoridades serem coniventes com assassinos nunca aconteceu antes? É coisa rara? Inaudita? Que crianças morram em travessias criminosas, em embarcações impróprias, num perverso acto de tráfico humano é facto ignorado até há poucos meses? A corrupção de políticos, as fraquezas de carácter de muitas figuras públicas, os impostos por pagar e as contas nas Ilhas Caimão são coisa de hoje? Apareceram hoje? Há mais hoje do que antes?

Não.

O que acontece hoje, é que todas estar coisas e muitas mais, que nos induzem um sentido de injustiça, desordem, medo e terror (que alimentam as nossas emoções mais instintivas de sobrevivência pela anulação do outro, herança de um cérebro animal), tudo isso aparece no nosso feed. Em tempos aparecia da televisão, mas dessa nós desligávamos e mudávamos de canal. O nosso feed não. É o “alimento” que nos alimenta.

Ora, para o feed – output da media que o gera – o conteúdo é uma commodity. Uma simples mercadoria. Que nós geramos de livre vontade e a preço zero.

As emoções que adicionamos ao conteúdo que criamos têm um valor para nós. Não para a media. Geramos o conteúdo gratuitamente porque investimos emocionalmente nele. Sentimos o seu valor. Partilhamos o que nos “diz” alguma coisa e está de acordo com o que sentimos. É este investimento emocional que dá valor às commodities “medo”, “terror” e “indignação”. Comodificamos assim as emoções. Este é um fenómeno novo.

É um fenómeno novo porque nunca antes as nossas emoções tiveram um meio de alimentarem as emoções em massa de maneira tão automática e inconsciente, de modo instantâneo, ao serviço de um media que as distribui em massa.

Devemos saber, contudo, que há regras gerais que se verificam no valor das commodities. Quanto mais escassas (como o ouro, ou a platina, ou o trigo fora de estação), mais valiosas são. Quanto mais vulgares e abundantes, mais o seu valor deprecia.

Comodificar as emoções e particularmente as que são suscitadas por imagens de horror ou medo, como o crime em todo o seu detalhe, ou a miséria humana e o desespero, levará inevitavelmente à indiferença e ao adormecimento do sentimento. A partilha instintiva do “boneco” do terror é, para todos os efeitos práticos e deontológicos, a colaboração involuntária no objectivo do perpetrador do acto. A utilização até à exaustão de imagens de sangue, lágrimas, violência, injustiça, insegurança ou medo é o caminho certo para que a sua eficácia (ou seja, o valor da commodity) se reduza a nada com o passar do tempo. Por este motivo, é um acto insensato.

Insensato porquê? Porque o medo, o horror e a sensação de injustiça são os geradores da indignação, mecanismo que pode produzir a mudança. São fundamentais à dinâmico social. Ao depreciar cada uma dessas emoções, tornamo-nos, como sociedade, cada vez mais adormecidos, menos capazes de intervir e mudar. Tudo parece normal. Aceitável. Tornamo-nos manipuláveis. Ficamos vulneráveis. Aos poucos, os maiores actos de barbárie parecerão coisas normais e correntes, próprias do tempo e da natureza humana. Quando assumimos que “todos os políticos são corruptos” deixamos de ir votar e damos um golpe na democracia. Quando achamos que “todos os Muçulmanos são terroristas”, deixamos de ver o outro como ele é e passamos a vê-lo como o medo o pinta. Quando somos todos “Charlie”, ninguém é Charlie.

Por isso, da próxima vez que uma foto ou um vídeo lhe cause horror, lhe mostre a violência em close-up em carne viva, ou desumanize o outro e o torne em objecto abjecto, pense duas vezes antes de o partilhar. Pense duas vezes antes de se tornar viral. Não deixe que o feed o alimente de veneno.

A prova pode tirá-la agora: clicou na imagem com que inicia o post na esperança de ver o vídeo?

Desejo que não. Mas se o fez, já viu que não há link.

Agora a prova final: consegue não ir procurar o vídeo para o ver?

Pois eu desejo que sim…

Portugal SA – Assembleia de Accionistas Reconduz Administração

ADMINISTRATION

Ao longo dos últimos quatro anos ouvi muitas vezes criticar a simplicidade com que Medina Carreira dizia “Uma dona de casa geria melhor o país do que os últimos governos”, ao sublinhar que, não havendo mais dinheiro, tem de se reduzir a despesa. Pedir emprestado é como usar o cartão de crédito. Os críticos diziam que a economia de um país não se compara à economia caseira. Assisti com interesse às múltiplas soluções que foram sendo implementadas para resolver o problema, cortando despesas de modo selectivo (só algumas, especialmente as de pessoal) e aumentando a receita através do aumento de impostos. Já todos sabemos os efeitos e os resultados.

O que, para mim, se destaca é que as soluções encontradas não são de uma gestão de economia caseira, mas as usadas na gestão das empresas. E, sendo certo que a economia de uma nação não se pode gerir como quem gere uma casa, também não é menos certo que não se pode gerir a nação do mesmo modo que se gere uma mercearia. Mesmo que seja uma mercearia muito grande.

Ora foi precisamente o que aconteceu. Portugal tornou-se em Portugal SA.

Uma empresa não é uma entidade moral e não serve interesses colectivos acima do interesse particular de gerar lucro aos seus accionistas. Não é assim numa nação. Há um passado, um futuro e um presente que não são traduzíveis em números financeiros. Há a qualidade de vida dos nacionais (artigo 9º da Constituição), temas como a justiça, a educação e a saúde (artigo 63º e seguintes) que, apesar de terem uma realidade financeira, respondem a critérios de equidade, igualdade e dignidade humana que, esses sim, determinam os recursos financeiros necessários. São os dados do problema. Não são o problema. O número de médicos, camas, professores, juízes, etc., a protecção à queda em situações de pobreza, a garantia de uma vida digna e livre, etc., não são “o problema”. São os dados do problema, tal como força da gravidade, a resistência dos materiais ou o factor tempo o são na construção. Dados do problema. Pontos fixos que contribuem para o cálculo do que é variável. Ao tirar o ser humano do centro da equação, neste caso o Português, procurando soluções que o ponham em causa, resta perguntar para que servem tais soluções ao governo de um país que tem o Português como objecto único. Repito, o objecto único da governação de Portugal é o Português. Por isso só a ele é dado votar quem o governa.

Deste modo, retirando o Português do lugar que lhe é próprio como objecto da governação, vale a pena recordar o koen: “Se uma árvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para a ouvir cair, ela faz barulho”? No nosso caso: “Se um governo governa o país sem considerar as consequência para o Português, está a governar”? A resposta é simples: não. Estará a administrar. Estará a pensar nos accionistas (nem todos são “o Português”) e nos stakeholders (os que apostaram e querem ver o retorno no seu investimento). Mas não estará a governar de acordo com o mandato que lhe foi dado. Dito de maneira mais empresarial: não está a governar de acordo com o briefing que recebeu. E o briefing é a Constituição. A maneira de implementar o briefing é que é o Programa de Governo e nesse, tem liberdade de acção. Essa é a variável do problema. A redução do governo a uma administração é um downgrade, por prescindir dos instrumentos e das soluções ao alcance de uma soberania. E esta é uma discussão muito longa…

Quando uma empresa despede em larga escala, pode resolver um problema de overstaffing e orçamental. Os despedidos deixam de pesar nas contas. Mas quando uma nação despede, os despedidos continuam nas contas. E mesmo que sejam varridos para debaixo do tapete com truques estatísticos, continuam a custar dinheiro à nação. A população (activa ou não) de um país, por definição, não é um excesso. É o país!

A governação e a administração têm inúmeras diferenças. Na administração há toda uma área criativa de como reportar os números que se querem destacar. Lembro aqui a anedota:

“Três candidatos responderam ao anúncio de uma empresa de Recursos Humanos para uma posição de assessoria financeiro numa empresa sua cliente. A entrevista consistia apenas numa pergunta:

Pergunta ao primeiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: São 4. 

Pergunta ao segundo candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: Podem ser 4 ou 22.

Pergunta ao terceiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: (tirando uma caneta e um papel do bolso) Quanto é que V. Exa. deseja que sejam?

Foi contratado logo…”

Para a administração, a forma de reportar faz toda a diferença. Na verdade o P&L é o que, no final, importa. Já na governação tudo o que sejam números criativos não passam de artimanha, porque a realidade do Português é aquela que ele vive. Digam os números o que disserem. Sejam eles “o que V. Exa. queira que sejam”. Só numa administração seria aceitável dizer “a empresa está melhor, nós é que estamos pior; trabalhamos mais tempo, ganhamos menos, temos menos certezas sobre o futuro, muitos de nós foram mandados para casa”. Quando a administração chega ao governo, não somos cidadãos, não somos sequer sócios, somos empregados. É com esse pressuposto que as decisões são tomadas. A administração determina, nós obedientes executamos.

O problema essencial é que, ao mesmo tempo, sendo empregados, somos também a principal fonte de rendimento da “empresa” Portugal SA. A sua única esperança de que se pague o que foi pedido emprestado e o que se gastou com luxos. Somos empregados a quem a empresa cobra uma comissão. Sem dar garantias de emprego, reforma ou condições de trabalho. Mesmo os que não trabalham para o Estado, na forma de agir da administração, são empregados todos os dias até ao dia das legislativas, em que todos somos consultados como uma Assembleia de Accionistas e nos pronunciamos sobre os números. Os tais que podem ser maleáveis na esperança que nós também o sejamos.

Este é o estado das coisas. No Portugal SA, a Assembleia de Accionistas reconduziu a Administração.

Esperam-se mais decisões financeiras, frias e necessárias ao P&L. Que se lixe o briefing. E pensando nisso, mal que o diga, não era melhor alterarem-no logo de uma vez? Portugal SA veio para ficar. Por isso vou-me eu embora.

O último a sair que apague a luz, para não ficarmos a dever aos chineses.

Aula Livre – Quinta da Regaleira

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A Quinta da Regaleira e os seus Jardins Iniciáticos e Palácio, está situada na encosta da Serra de Sintra e a escassa distância do Centro Histórico. O seu construtor, Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, deu à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. Modelou o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.

Homem de grande cultura clássica, Carvalho Monteiro era dono de uma excepcional colecção camoniana. A mitologia greco-romana, as visões infernais de Dante e os ecos de um passado distante de misticismo e deslumbre acompanham o visitante que queira decifrar os mistérios de jardins e cavernas, num viagem ao interior da alma.

A visita terá lugar no dia 31 de Maio, iniciando-se pelas 14h30 e terminando 19.00h, sendo guiada por Luis de Matos e Luis Fonseca* (ver: universatil.wordpress.com).

As inscrições são limitadas e devem estar concluídas até dois dias antes da visita por imposições logísticas da própria Quinta.

A visita tem um custo de 10€ por pessoa + entrada no monumento** (ver preços de admissão ao monumento em: regaleira.pt)

Inscrições prévias: ihshi@mail.com

* Luis de Matos é autor, entre outros de “A Maçonaria Desvendada – Reconquitar a Tradição”, “Quero Saber – Alquimia” e “Breve Memória sobre a Ordem do Templo e Portugal”; Luis Fonseca é autor de, entre outros, de “Perit ut Vivat” e “A Doutrina Cristã Esotérica”.

** para alunos do Curso Livre Templários e Templarismo da Universidade Lusófona, bem como membros da OSMTHU a visita é gratuita e apenas devem pagar a entrada no monumento, contudo DEVEM INSCREVER-SE de modo a garantir a participação.

Praxes Académicas e Ritos de Passagem

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Esta Segunda-Feira a TVI-24 teve a gentileza de me convidar para o Programa “Discurso Directo” no qual se abordou o tema das Praxes Académicas à luz das últimas informações sobre a tragédia da Praia do Meco. O meu obrigado à Paula Magalhães e à TVI-24 pelo convite.

Antes de mais convém ressalvar que, não somente a minha intervenção na televisão como este texto, como ainda o Programa que se seguirá na série “Pérolas aos Poucos”, procuram abordar o tema na sua forma genérica e não expressamente o que aconteceu na Praia do Meco há pouco mais de um mês, não apenas porque a informação é escassa e pouco fiável, mas particularmente porque a dor dos pais e familiares de todos os envolvidos deve ser respeitada acima de qualquer outro facto, empalidecendo por isso todas as explicações e opiniões que pudessem ser emitidas e que deixa, assim, de fazer sentido.

Contudo, genericamente falando, as Praxes, a sua história, o seu fundamento e prática ao longo dos anos merece um estudo atento e uma reflexão profunda. Nos últimos anos tem sido trazida recorrentemente para os jornais e televisão pelos piores motivos e os abusos sucederam-se no passado, pelo que as opiniões no pressente são largamente desfavoráveis e facilmente manipuladas no sentido de pedir o seu fim imediato e sem apelo. Mas tal atitude é fruto de uma irracionalidade tão grande como muitos dos abusos que procura resolver, sendo por isso um posicionamento que, longe de resolver o problema, apenas o pode empolar ainda mais.

Dito isto, desejaria abrir o debate pela partilha do vídeo do Programa da TVI-24 “Discurso Directo”, de 27 de Janeiro de 2014, que vos convido a ver. Depois, se assim for do vosso agrado, poderão seguir-nos pela TVL já na Quinta-Feira e mais tarde complementar com um artigo mais circunstanciado onde poderei dar alguns dos links para que cada um possa seguir a pesquisa por si mesmo.

Assim e para já, aqui fica um resumo curto do “Discurso Directo” (3 minutos):

http://www.tvi.iol.pt/videos/14071410

E aqui de seguida fica a versão completa (48 minutos) com as chamadas telefónicas e reportagem:

Reconstituição do Ritual de Praxe de praia feita pela TVI-24 baseada na “Hora do Diabo” de Fernando Pessoa.

http://www.tvi24.iol.pt/…/meco-praxe…/1533037-4071.html

E ainda um documentário do Hugo Almeida que vê a Praxe por dentro. Está muito bem feito e recomenda-se vivamente. Ver o tema, agora por dentro, sem mediatismos nem embelezamentos. Recomendo:

Lista de Maçons Publicada em Blog – Quando a mediocridade sobe à cabeça

Um dos meus amigos alertou-me para a “Casa das Aranhas” e para a lista de Maçons ali publicada. Fui ver, curioso. “Mais uma denúncia pública dos nossos vícios?”, pensei, sabendo que os tais “vícios” tendem a ser conclusões de detective de fim-de-semana. Não era. Era pior. Um blog indizível de um Muçulmano recém convertido a bater na Maçonaria com todo o tipo assumpções e preconceitos errados. Os nomes publicados são inúmeros e claramente saíram de uma base de dados privada (logo, a sua apropriação, bem como a sua publicação, é crime). O direito à privacidade é um daqueles que este senhor não reconhece. Vou ver se me lembro disso mais tarde.

São estes “impolutos inimigos” que a Maçonaria conseguiu granjear sem ganhar nada com isso. São “virgens ofendidas” sem obra, sem história e sem rosto. No dia em que se lerem o nome dos Grande Portugueses do século 21 eles estrão lá para ouvir e vaiar. Muitos dos Grandes Portugueses terão sido Maçons. Nenhum dos que vaia o foi. A Maçonaria ofende-os porque o mundo os ofende. A sociedade e a ordem ofendem-nos. Os ricos ofendem-nos. Os carros caros ofendem-nos. As casas em Cascais ofendem-nos. Para eles não há mérito que possa ter recompensa, não há talento que possa ser genuíno, não há carreira que se faça sem cunhas ou ajudas indevidas. E tudo isto porque são medíocres idiotas e mal formados que não têm méritos, por isso não têm recompensa, não têm talento, não são genuínos capazes de pensar por si, nem têm carreira ou sequer imaginam poder tê-la sem que cunhas (que não têm) os favorecessem. Não é tanto a questão de ver que a Vera Pereira tinha amigos (e nem deve ser da Maçonaria!), mas de perceberem que eles, este medíocres inqualificáveis, não os têm. Assim, constroem a sua filosofia do mundo: nós estamos na miséria porque os Maçons mandam nisto por detrás das cortinas. Mais valia acordarem e perceberem que eles são as cortinas, eles são os obstáculos a si mesmos. Eles, caro leitor, são a escória que ladra como os cães, constrói um mundo fantasioso em que acreditam com base em parcelas de informação e leituras desconexas e, com base neste chorrilho de lixo mental, despejam das suas imundas bocas e tétricas mãos, condenações extensivas a todos os que possam partilhar de um mundo que não é o deles – confortavelmente inocentes da “corrupção” dos outros, de todos os outros, que passam a vida a mamar na teta do estado. Por eles, era julgamento sumário e pendurar os Maçons por uma corda. Ao estilo do Islâmico Irão. Porque será?

Porque será que estados ditatoriais, confessionais e autocráticos também perseguem os maçons, publicam listas e enforcam quem apanham? O que há de oposto entre tirania e maçonaria, que a tirania teme? O que há de oposto entre Estado Islâmico e maçonaria, que o Estado Islâmico teme? O que há de oposto entre uma autocracia e a maçonaria, que o estado autocrático teme? O que temem a Coreia do Norte, o Irão, a China e Burma, só para citar alguns dos países onde não há maçonaria? O que temem os países onde esta listinha seria a condenação à morte directa dos seus integrantes? A publicação neste blog não é tão persecutória como se a lista fosse só de negros? Ou só de Judeus com acções na banca? Ou só de Chineses com lojas e armazéns de bugigangas em Portugal? Ou só de homossexuais? Não é para evitar este tipo de arbitrariedades que temos um estado de direito, uma democracia, um país soberano e independente, defensor dos direitos dos cidadãos, entre eles o da intimidade e liberdade de associação?

Ora, responder a gente desta, ainda por cima quando o autor do citado blog procura impor argumentos igualmente falaciosos sobre o Islão, os quais se assemelham ao que diz denunciar sobre a Maçonaria, é um exercício inútil. Argumentar com idiotas chapados só faz de nós idiotas chapados. Mas quem pode, com ar sério e sem passar a linha da insanidade, responder a afirmações de estalo como estas: ” A maçonaria é igualmente utilizada por outras sociedades, como os infames Jesuítas e a Sociedade Teosófica para recrutar membros e atingir os seus fins. (sic)”? Ou ainda: ” o seu propósito original- defender os interesses dos maçons em detrimento do resto da população.(sic)”? Ou: ” sendo esta organização um verdadeiro sindicato (sem ter o mérito de lutar pelos direitos dos trabalhadores em geral, sendo limitado a uma profissão) (sic)”? Tudo preciosidades a que a história nunca chegará a fazer jus ao largá-las no caixote-do-lixo de onde saíram (e saem uma vez por outra para assustar o mundo, que gosta desta coisas mais “picantes”).

A citação de Alice Bailey faz-me pensar que o autor tem uma anatomia curiosa, pois só se pode inferir das palavras inspiradas de Baliley as ideias abstrusas que o blog propaga se lermos e digerirmos os livros de Bailey ao contrário. Ou seja se, um vez de os ingerirmos pela boca, os digerirmos no estômago e o expelirmos pelo extremo rectal, a nossa anatomia faça o circuito inverso correspondente à interpretação inversa de tão iluminador texto: se o ingerirmos pelo ânus, o digerirmos no intestino grosso e o expelirmos pela boca. Assim se pode explicar a citação e conclusões escatológicas expressas no texto do blog. E cheira mal que tresanda!

Por isso, nem vou perder tempo a explicar nada ao seu autor, porque até tenho nojo só de pensar onde é que ele vai meter as minhas palavras e o que pode sair do outro lado! De todo o modo, uma luta inteligente, racional e intelectual sobre a Maçonaria está posta de lado, eu não bato em gente desarmada como é o caso do autor do blog. Por outro lado admiro a sua consciência de classe: ele não tem classe nenhuma e temos todos consciência disso. É de homem.

João Silva Jordão (se esse é mesmo o seu nome), os Maçons não dominam o mundo. Não são mais corruptos que a média dos portugueses (onde você se inclui). Não se juntaram para tramar o pais, que já vem estando tramado há muitas décadas. Não é Maçon quem quer, mas quem pode, isso é verdade, por isso não mantenha esperanças, que não vale a pena. Não são eles que decidem empregos, não são eles que mandam nas mais de 300 Câmaras Municipais do país, não são eles que determinam orçamentos e adjudicam obras desnecessárias. Não são eles em quem você vota quando há eleições. De todos os cargos eleitos e de nomeação, que são mais de 1.000, quando se fala de 80 maçons (a maior parte dos quais há muito retirados, tal como os jornais mostraram), falamos de 0,8%. Digo 1.000, mas são milhares. É ver as nomeações e eleições. A realidade dos factos desmente que o país esteja na situação em que está por acção da maçonaria ou dos maçons. Eu sei, eu sei que a realidade não lhe diz nada a si. Entendo perfeitamente.

Percebo pelo seu blog que você tem orgulho em representar os idiotas comuns e os medíocres do nosso país. Tiro-lhe o chapéu, porque eles há muito precisavam de uma figura como a sua que unisse numa só pessoa todas as faltas do colectivo. Gabo-lhe a síntese. Mas a verdade, meu caro, a verdade do mundo real – não a que construiu e quer crer na sua cabeça – é que certas pessoas têm direito a ter certos privilégios. Sim, leu bem. Há pessoas que têm direto a ter certos privilégios. A estas pessoas chamam-se vencedores. Lutam pelo que acreditam e vencem. E como é assim que funciona o mundo, é natural que estes vencedores gostem de se associar, cooperar, discutir, construir, avançar e fazer avançar. Esses vencedores vão-se encontrando em muitos lugares na vida, um deles é a Maçonaria. Eles não mandam por serem Maçons. Não têm poder por serem Maçons. Mandam e têm poder por serem quem são! Vencedores.

A realidade é dura, João Silva Jordão. Continue a escrever as suas crónicas, que rapidamente cairão no esquecimento logo que não seja plataforma para divulgar mais ficheiros de nomes. Acho que encontrou o seu propósito na vida e o seu nicho de pulhice. Olhe que é raro. Continue. Quando as visitas voltarem a ser 5 por dia, lembre-se deste pensamento: até ver como se prestou a divulgar no seu blog a lista de maçons, eu perguntava-me porque é que o Grande Arquitecto tinha criado dedo do meio na mão. Agora, graças a si, já sei.

Rádio Televisão Portuguesa – RIP

A política é uma área onde habitualmente não me meto. Não gosto. É suja, suja os que nela tocam, está cheia de falsidades, hipocrisia, mentira, falsos importantes e fachada para o eleitor ver. Mas a razão mais forte talvez seja a de que a política nos trata a todos nós – eleitores – como deficientes mentais (sem desprimor para quem nasceu com uma condição médica), fala connosco como se fossemos bebés e quiséssemos muito um rebuçado, esquecendo logo o motivo do protesto enquanto chupamos o doce na boca, decide por nós como se fossemos todos inimputáveis perigosos sem tino ou beira. Parece que a maior preocupação que têm não é administrar bem o que é nosso, mas fazer a “Gestão da Birra”, prometendo os brinquedos para amanhã para não chorarmos, sabendo que esquecemos tudo depressa. A “Gestão da Birra” é o manter-nos de chucha na boca, calados, a dormir a sesta, sem fazer barulho. Quando cheira a merda, fomos nós. Trocam a fralda, dão-nos palmadinhas nas nádegas repreendendo numa voz de patetice (“N’ino mau! Ol’a o cócó que aqui ‘tá!”), num passe de mágica, com mais ou menos pó de talco aromático, lá voltamos a dormir e a sair-lhes do caminho. O que mais me faz evitar a política é ver que eles têm razão: colectivamente comportamo-nos como bebés mimados, inimputáveis e, em muitos casos, deficientes mentais por opção…

Vem isto a propósito das “notícias” desta manhã, que davam a RTP1 como destinada à privatização e a RTP2 à extinção. “Notícias”? Escrevi “notícias”? Devo ser deficiente mental por opção. Mas há quanto tempo já todos sabemos que a privatização da RTP vai cair em mãos angolanas? Notícia? O que é interessante é o repolho na salada mista, ou seja, o que é metido na receita para desviar a atenção: a RTP2 extingue-se! Todos iremos discutir a RTP2 e esquecer a decisão de fundo, criminosa, patética, irresponsável e, pior, estúpida. Medíocre. Dão-nos um rebuçado de estalo: a extinção da RTP2 e nós, que nem uns danados, não falamos de mais nada: salvem a RTP2, salvem as baleias e já agora salvem o Vale do Tua, que uma vez que nem RTP tenhamos, nada disso vai mais aparecer no nosso radar de atenção curta. E quem nos salva dos que deitam no caixote do lixo quase 60 anos de investimento?

A Televisão Pública não é um luxo. A Televisão Pública tal como a temos tido é um lixo. Por isso é um luxo muito caro. Tem remédio. Tem caminho a fazer. Precisamos dela por ser o tampão aos critérios comerciais das outras televisões. Ninguém vê? Que importa. A Televisão Pública é como o Teatro, a Ópera, a Música, a Literatura, a Poesia, o Desporto Amador. Não é uma actividade comercial por si mesma porque o benefício é intangível monetariamente na maior parte das vezes. Mas é incomensurável em termos culturais e científicos. Onde vão os nossos filhos ambicionar a ser o Cousteau? Onde vão querer aprender como o Attenborough? Onde vão saber o que é uma Orquestra? Onde vão ouvir “A Cavalgada das Valquírias” e o “Assim Falava Zaratustra”? “Carmina Burana”? Onde vão conhecer Pessoa, António Vieira, Agostinho da Silva? Onde vão conhecer os Painéis de São Vicente, de Grão Vasco, e da Charola de Tomar? Onde vai a escola entrar em ressonância com as suas experiências cognitivas pessoais num país de museus cheios de turistas, monumentos a cair aos pedaços, auditórios vazios de cultura e autores clássicos esgotados há anos? Onde vão saber que nem todos os Muçulmanos são terroristas? Onde vão poder vislumbrar que o mundo é diversificado, múltiplo, colorido, onde nem sempre se fala inglês e onde há outras línguas, expressões para o espírito humano, metas muito além das financeiras? Onde vão saber que a História não é ficção? No canal que nos dá Colombo seguido de Aliens? Vão aspirar a ser celebridades por 15 minutos, imitar os cantores da moda, ser cópias de cópias, consumidores de marcas, replicants de um mundo comercial? O mundo comercial tem lugar. Não me interpretem mal. Faz avançar a economia. Mas tem o seu lugar, que já está defendido. Onde vão então os nosso filhos conhecer o que é genuíno? O que não dá lucro em notinhas de banco, agora e já? Onde vão saber que há pintores, escultores, autores e leitores, que há músicos, editores, excêntricos e génios portugueses? Onde poderão aprender a aspirar à excelência, ao saber, à cultura, a despertar a imaginação, a não ter medo de ousar, a não serem calculistas, a conhecer a diversidade, as raças (para lá do “preto de estimação” de muitas séries que aí andam, estereotipando o próprio estereotipo!), as religiões, o país para lá de Lisboa, Porto e Algarve? Onde?

Uma Televisão Pública não é um luxo. É uma afirmação de quem somos. Talvez por isso esta decisão seja tão revoltante. Demonstra, matematicamente, que nos deixámos reduzir a nada.

A alienação da RTP é uma metáfora para a alienação dos Portugueses. Emigrem… Vão… Mandem remessas… Mas vão…

É estúpida e medíocre porque a função do Governo não é alienar o património que temos, mas sim fazê-lo render a nosso favor. E no caso de uma estação de televisão os exemplos não faltam pela Europa fora de estações públicas a fazer o que a RTP não faz. A pergunta do gestor responsável não é apenas quanto custa a manter. É também saber quanto – e o  que – custa não a ter. O Governo não serve para cortar o braço ao paciente quando há uma ferida. É para curar a ferida. É para reparar o braço. É para – de modo inteligente, racional, competente e em nosso nome como administradores do que é nosso, erradicar o erro, por um fim aos desmandos despesistas, corporizar um projecto com pés e cabeça, fazer cumprir linhas, metas, orçamentos, serviço, limites, etc., seja o que for que, após cuidada análise, possa ser a Televisão dos Portugueses, fazendo serviço público para os Portugueses. Precisamos de Governo porque queremos estes assuntos estudados, analisados, decididos e executados de acordo com a solução que nos servir melhor MANTENDO O QUE É NOSSO. De outro modo não precisamos de Governo. Vender, vender à bruta e à cega não é solução racional, é medíocre. É a saída de quem não analisou, não procurou alternativas, não se empenhou em que o bem material fosse usado para proveito do seu dono. Vender é a opção dos que não querem ter trabalho. (será da dos que querem ter trabalho na empresa que se vai vender, uma vez vendida?).

Resolver o déficit da Saúde? Fácil, vendam-se os Hospitais, ambulâncias, camas, medicamentos, equipamento médico, equipamento de apoio, mobiliário e decoração, vendam-se os terrenos e façam-se contratos de aluguer de terrenos e edifícios. No curto prazo a balança será muito positiva. Depois, logo se vê… Emigrem. Vão…

Vendam-se tribunais, vendam-se as Câmaras Municipais, vendam-se as Estradas Nacionais e os caminhos florestais, vendam-se as sedes dos Bombeiros e as mangueiras e agulhetas e outras tretas. Publiquem-se os volumes e volumes dos casos de corrupção arquivados para vender em fascículos na próxima Feira do Livro e vendam-se os direitos para adaptação cinematográfica. Vendam-se escolas à Igreja, vendam-se os recreios à Fisher-Price e os refeitórios à McDonalds. Vendam-se a Rádio Difusão Portuguesa, venda-se a Rádio Televisão Portuguesa, venda-se o Diário da República porque não é função do Estado manter o serviço mínimo que a Lei exige aos Sindicatos. Venda-se a Lei, mas depressa, que está a perder o valor. Não há quem a ponha na ordem. E venda-se a ordem, porra! Venda-se a ordem já. Vendam-se as fardas da polícia, vendam-se as armas nas feiras, os radares de velocidade no E-Bay, os crachás para derreter, os carros à sucata e as esquadras para sucursais bancárias (estão bem situadas…). Venda-se a ordem, venda-se.  Venda-se tudo, porra, que é mais fácil do que pensar, do que fazer funcionar, do que administrar e governar.

Não, não se venda o Governo. Pouco vale e precisamos de alguém a quem culpar pela nossa sesta da tarde.

Em defesa da família tradicional: Que venham as espanholas!

Sai-me cada uma! Esta tarde sentei-me à mesa do meu café do costume pronto a ler o jornal do dia. Entre o café e o salgadinho lá fui passando as páginas. Verão sem notícias… Pouca coisa nova. Na penúltima página há uma crónica que me chama a atenção: “A extinção do não-lince ibérico”. Raio de título…

Cito partes, para nos entretermos:

“[O Público] noticiou que «pela primeira vez, um lince-ibérico, proveniente do programa de reprodução em cativeiro, teve crias em liberdade». Com efeito a fêmea Granadilla, nascida em Espanha e libertada em 2010, teve quatro crias. (…) A boa notícia ecológica é muito de saudar, dado o fundado receio de extinção desta raça ibérica.”

Chamando à colação um discurso de Bento XVI sobre a importância da ecologia, aproveitando o exemplo louvável da procriação em cativeiro do lince-ibérico, o autor passa ao que lhe interessa:

“Fecham-se, todos os anos, centenas de escolas no país, mas ninguém diz que é por falta de alunos (…). As entidades oficiais estão mais empenhadas na contracepção e no aborto livre do que na consolidação da família. Há milhares de professores no desemprego e os sindicatos pretendem que seja o ministério a resolver a sua difícil situação laboral, mas esquecem que nenhuma portaria ministerial pode “criar” os alunos que seriam necessários para justificar esses postos de trabalho.”

Esfreguei os olhos em descrédito… Eu não podia estar a ler aquilo! Queres ver que ainda defende que devia ser prioridade a criação de gente em cativeiro como a do lince-ibérico? Ou mesmo que seja em liberdade… Há mais incentivo ao aborto livre e à camisinha e o governo devia-nos meter na cama? Mas que coisa… Por isso o país não funciona! As entidades oficiais para ali empenhadas em que se use o contraceptivo e se possam fazer abortos à vontade do freguês e, claro, acto contínuo cai a natalidade e entalam-se os professores!… Afinal o mundo é tão simples, visto numa redoma de vidro.

Nã! Não podia ser sério. Era certamente a coluna do Ricardo Araújo Pereira, ou de outro comediante a provocar. Mas não! Pasme-se! É a coluna de opinião do meu já conhecido Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, Vice-Presidente da Conferderação Nacional das Associações de Família (CNAF) e licenciado em Direito, doutorado em Filosofia… Sim, aquele das invectivas contra a Maçonaria! Não há hipótese, este senhor parece ter tirado licença para me irritar… E não é que aquilo do lince em cativeiro e da falta de apoio à prociação humana era mesmo da sua lavra?

Continuei incrédulo (é que sou Cristão, Católico, praticante e fico com o rosário eriçado quando alguém em nome da minha religião coloca o Quod Erat Demonstrandum à tese de que os Católicos são imbecis que não vivem no mundo das outras pessoas, incapazes de serem racionais e inteligentes, cujo QI não ultrapassa a data das aparições de Fátima…):

“Do que se precisa realmente é de mais mães e de mais bebés e, para isso, são urgentes medidas que contrariem a trágica queda de natalidade.”

Um padre a defender a f%&a?! Bem, pelo menos o sexo, que eu não conheço outro processo natural de ter mais mães (e já agora, mais pais, senhor Padre, licenciado em Direito e doutorado em Filosofia?). O que é preciso é que f&%#am mais, meus filhos. Procriem, senão temos de ter medidas governamentais de apoio à procriação, como foi o caso dos linces. Deus nos valha.

A pouca vergonha… Antigamente é que era, famílias de 11 e 16 filhos, como a dos meus pais e avós. Aquilo era um regalo para o olho, às dezenas. Fo%&iam, fo%&iam e depois marchavam. Era em casa, nas casas da vizinhança, nas aldeias perto. Filharada de dúzia. E morriam sempre um ou dois antes dos 5 anos. Metade nunca ia à escola. O caçula ficava para padre. Isso é que era sociedade com a família a sério. Eram logo 14 baptizados, 12 primeiras comunhões, 8 casamentos e um ror de funerais. Não estou a dizer que o senhor Padre esteja a atribuir à falha de gente na Igreja de hoje a mesma causa da falta de alunos nas escolas. Têm de fechar igrejas? Tadinhas… Mas não é por falta de haver gente. Porque a razão é outra, senhor Padre. Não é a falta de família. A que há chegava. É a falta de direcção espiritual credível e que responda à família de hoje. Isso é que é. Mas voltando aos “incentivos à procriação”, tão longe das prioridades deste governo, o meu avô Isaac, que já lá vai, esse sim, era um dos que não precisava de incentivo do governo. Só com a mulher que lhe aturou o alcoolismo até à morte teve mais de meia dúzia, bom cristão, que não sabia o que era a contracepção e criou alunos que encheram as escolas das redondezas durante anos, dando trabalho aos professores, alguns com proles respeitáveis deles mesmos. Esse bom cristão que era o Isaac (com dois “aa”). Naquele tempo o interior do país povoava-se, não é como agora que não cumprimos o nosso dever.

Segue, alucinado pela sua retórica:

“A cura da tuberculosse converteu o Caramulo numa curiosa cidade-fantasma, onde as ruínas dos velhos sanatórios recordam uma numerosa população que, graças ao actual tratamento da doença, por meios que dispensam o internamento hospitalar, já não existe.”

É isso mesmo! Como foi que eu não vi? Pobre Caramulo… Abandonado, agora que aqueles “progressistas” comunistas inventaram maneiras de curar a tuberculose… E quem pensa no Caramulo? Quem? O Governo? Os Sindicatos? Quem? Vamos voltar a introduzir a tuberculose em cativeiro, para salvar o Caramulo.

“Não consta que as entidades oficiais, as organizações ambientalistas [!? por serem hippies irresponsáveis que passam o tempo a “fazer amor” pelos cantos e depois a fazer abortos livres? Será por isso que os ambientalistas deviam interessar-se por isto?] e a sociedade civil tenham ficado consciencializadas da gravidade da situação. Nem parece que estejam, por isso, seriamente empenhadas num aumento sustentado dos nascimentos (…)”.

Não posso ficar calado, senhor Padre, licenciado e Vice-Presidente da CNAF. Está o senhor sensibilizado para o problema? Tem cumprido a sua função de procriador? Está consciente “da gravidade da situação”? Faça-me um favor, em nome deste Católico (será que serei o único?), quando for para dizer estas barbaridades estúpidas, não apareça com batina de padre nas fotos e não esqueça que se representa a si sozinho, mesmo quando um certo número de famílias não têm coragem de o mandar bugiar porque não se revêem nas suas continuadas palermices.

Mas, que digo? Devo penitenciar-me. Devo pedir desculpa. Uma figura respeitada. Da Igreja! E eu que nem sou doutorado em Filosofia e falo do que não sei…

Sabe que mais, Padre Gonçalo, estou consigo!

Eu devo penitenciar-me porque sou um dos responsáveis pela situação. Eu e a minha senhora só tivemos um rebento. Um rapaz. Tem 14 anos e ainda não engravidou nenhuma miúda por aí, mas mantemos esperanças. Que raio! Abortos nem pensar. Contraceptivos ainda menos. Vai ver que a nova geração vai ultrapassar a minha. Mas não me conte já acabado. Fazemos um trato, que tenho amigos que seguirão comigo. Tal como na questão do lince-ibérico, que tão astutamente usa como paralelo (de génio, senhor Padre), ofereço-me com uns amigos para um programa de repovoamento pago pelo estado (ou pela Igreja, porque não? Deve ela estar ausente deste problema com luminárias como o senhor? Deus nos livre!). Fazemos “área reservada do homem-ibérico”, mandam-se vir umas espanholas e lhe garanto que em menos dos dois anos que demorou aos linces lamberem as patas de contentes, nós estamos a procriar que nem malucos. Tudo dentro da decência, sem abortos e sem contraceptivo. “Au naturel”, senhor Padre, que nisso concordo consigo – que se vê ser gente que sabe – é muito melhor e Nosso Senhor não se ofende.

Que venham as espanholas!

Só me pergunto, com tanto homem e mulher de Igreja inteligente, capaz, influente, bem formado humanamente e com uma visão justa e de experiência dos problemas, como é que o Público dá meia página a esta verborreia pseudo-católica retrógrada e minoritária numa Igreja que é a que professo? Deus só pode estar a dormir ou então é um gozão de primeira!

Acho que é esta última.