Uma Foto – iii

Um dos meus passatempos é a fotografia. E as viagens, claro. Adoro viajar. Quando os dois se juntam, ficam memórias muito interessantes. Tenho tido o prazer de visitar locais verdadeiramente excepcionais, muitos dos quais não se conseguem traduzir numa fotografia. Como mostrar a impressionante Catedral Cátara de Lombrives, sala subterrânea com um volume superior ao da Catedral de Notre-Dame em Paris e que serviu de refúgio para os Cátaros fugidos de Monségur? Como transmitir numa foto o abismo impressionate do Castelo Templário de Algoso, em Trás-os-Montes, bastião inexpugnável construído por Mestre Gualdim Pais?

Contudo, mesmo tendo em conta a limitação do meio fotográfico, e a minha como simples amador, vou deixando aqui no blog algumas das imagens interessantes, pitorescas, simbólicas, numa palavra, as imagens que me prenederam o olhar, ao largo de algumas dessas viagens.

iii. Imagem da Nossa Senhora do Leite, num retábulo do altar da Igreja de Malta, em Malta (Macedo de Cavaleiros), Trás-os-Montes. Esta imagem é muito interessante por vários motivos. Desde logo Nossa Senhora do Leite é uma imagem algo rara, que podemos encontrar muito relacionada com os Templários. Embora apócrifa, uma em forma de escultura adorna o altar de Santa Maria do Olival em Tomar. A Sé Catedral de Braga confina com uma antiga Rua da Nossa Senhora do Leite, reminiscência de um culto medieval, do tempo em que o futuro Mestre Gualdim Pais – nascido a poucos quilómetros em Amares – frequentaria aquelas vielas. Fulcanelli fala-nos do simbolismo do Leite da Virgem no seu “Mistério das Catedrais”, o que dá uma dimensão Alquímica importante a esta representação iconográfica da Senhora e do Menino. Mas esta imagem em particular chama a atenção por outro motivo. Note-se a representação da Senhora envolta por uma membrana quasi uterina, em forma de ovo, a qual irradia chamas douradas. Muito sugestivo. Mais alguém acha interessante?

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Uma foto – ii

Hoje deixo uma foto tomada em Washington, no Santuário da Imaculada Conceição – de visita obrigatória para qualquer esoterista mais sério. Não se deve deixar que o preconceito anti-católico vença, pois deste modo está-se a perder uma boa parte da Tradição Ocidental ainda presente em muitos locais sagrados da Igreja Católica. As chaves dos mistérios foram repartidas como o corpo de Osiris e há que apanhá-las onde eles estão, não onde gostavamos que estivessem…

Pois em Washington descobri com um amigo que vale a pena sair dos caminhos mais habituais dos turistas e procurar os locais da espiritualidade usados no seu dia a dia pelos homens e mulheres de DC. Talvez adiante faça um post mais detalhado sobre algumas das coisas extraordinárias que vimos. Agora quero só chamar a atenção para um detalhe, por ventura nem sequer o mais importante, mas que se relaciona com o período que estamos a viver e que vem referido no meu livro.

Por baixo de uma das cúpulas há quatro imagens particularmente simbólicas, que dizem muito às Tradições ocidentais. Trata-se de José de Arimateia, de Maria Madalena, de Simão de Syrene e de Lázaro. Destaco apenas este último por enquanto, pela relação que tem com o grau de Mestre Maçon, como poderão ler no livro.

O nome Lázaro tem origem no hebracio “El-Eazar”, que significa “Deus Ajudou”. A história de Lázaro aparece-nos na narrativa de João (11:18, 30, 32, 38). Lázaro de Betânia era irmão de Marta e Maria. Quando morreu, foi levantado da tumba por Jesus onde estava como morto, após aí ter permanecido durante 4 dias. O episódio inspirou o mundo da arte durante séculos e teve uma influência determinante na aparição do grau de Mestre e sua liturgia na Maçonaria. Lázaro, enrolado em faixas de linho – ao mais puro estilo da antiga tradição Egípcia – mostra o poder da palavra (do Verbo) em Cristo, tema central de vários Altos Graus e Ordens Interiores da Maçonaria, onde essa palavra, esse Verbo capaz de dar vida, se perdeu desde a morte do arquitecto do Templo.

Convido por isso os leitores, depois de olharem para a imagem reproduzida acima, a relerem as passagens bíblicas referidas, tomando inspiração em João e de seguida a lerem a abertura do mesmo Livro, concluindo com uma leitura do Ritual do Grau de Mestre de qualquer Rito, particularmente no que se refere à perda da palavra. Os comentários estão abertos a quem os quiser usar.