Abertas as inscrições para a nova edição do Curso Livre – Templários e Templarismo

bannercurso02_01

INSCRIÇÕES ABERTAS

Aulas: Sábado 5 de Dezembro e Sábado 12 de Dezembro
Total: 20h

Nova edição do Curso “Templários e Templarismo I” na Universidade Lusófona.
Seguido de “Templários e Templarismo II”
Prof. Alexandre Honrado e Luis de Matos

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Universidade Lusófona – Lisboa

Informação: ihshi@mail.com

Universidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Templários no Além

ba

No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Portugal SA – Assembleia de Accionistas Reconduz Administração

ADMINISTRATION

Ao longo dos últimos quatro anos ouvi muitas vezes criticar a simplicidade com que Medina Carreira dizia “Uma dona de casa geria melhor o país do que os últimos governos”, ao sublinhar que, não havendo mais dinheiro, tem de se reduzir a despesa. Pedir emprestado é como usar o cartão de crédito. Os críticos diziam que a economia de um país não se compara à economia caseira. Assisti com interesse às múltiplas soluções que foram sendo implementadas para resolver o problema, cortando despesas de modo selectivo (só algumas, especialmente as de pessoal) e aumentando a receita através do aumento de impostos. Já todos sabemos os efeitos e os resultados.

O que, para mim, se destaca é que as soluções encontradas não são de uma gestão de economia caseira, mas as usadas na gestão das empresas. E, sendo certo que a economia de uma nação não se pode gerir como quem gere uma casa, também não é menos certo que não se pode gerir a nação do mesmo modo que se gere uma mercearia. Mesmo que seja uma mercearia muito grande.

Ora foi precisamente o que aconteceu. Portugal tornou-se em Portugal SA.

Uma empresa não é uma entidade moral e não serve interesses colectivos acima do interesse particular de gerar lucro aos seus accionistas. Não é assim numa nação. Há um passado, um futuro e um presente que não são traduzíveis em números financeiros. Há a qualidade de vida dos nacionais (artigo 9º da Constituição), temas como a justiça, a educação e a saúde (artigo 63º e seguintes) que, apesar de terem uma realidade financeira, respondem a critérios de equidade, igualdade e dignidade humana que, esses sim, determinam os recursos financeiros necessários. São os dados do problema. Não são o problema. O número de médicos, camas, professores, juízes, etc., a protecção à queda em situações de pobreza, a garantia de uma vida digna e livre, etc., não são “o problema”. São os dados do problema, tal como força da gravidade, a resistência dos materiais ou o factor tempo o são na construção. Dados do problema. Pontos fixos que contribuem para o cálculo do que é variável. Ao tirar o ser humano do centro da equação, neste caso o Português, procurando soluções que o ponham em causa, resta perguntar para que servem tais soluções ao governo de um país que tem o Português como objecto único. Repito, o objecto único da governação de Portugal é o Português. Por isso só a ele é dado votar quem o governa.

Deste modo, retirando o Português do lugar que lhe é próprio como objecto da governação, vale a pena recordar o koen: “Se uma árvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para a ouvir cair, ela faz barulho”? No nosso caso: “Se um governo governa o país sem considerar as consequência para o Português, está a governar”? A resposta é simples: não. Estará a administrar. Estará a pensar nos accionistas (nem todos são “o Português”) e nos stakeholders (os que apostaram e querem ver o retorno no seu investimento). Mas não estará a governar de acordo com o mandato que lhe foi dado. Dito de maneira mais empresarial: não está a governar de acordo com o briefing que recebeu. E o briefing é a Constituição. A maneira de implementar o briefing é que é o Programa de Governo e nesse, tem liberdade de acção. Essa é a variável do problema. A redução do governo a uma administração é um downgrade, por prescindir dos instrumentos e das soluções ao alcance de uma soberania. E esta é uma discussão muito longa…

Quando uma empresa despede em larga escala, pode resolver um problema de overstaffing e orçamental. Os despedidos deixam de pesar nas contas. Mas quando uma nação despede, os despedidos continuam nas contas. E mesmo que sejam varridos para debaixo do tapete com truques estatísticos, continuam a custar dinheiro à nação. A população (activa ou não) de um país, por definição, não é um excesso. É o país!

A governação e a administração têm inúmeras diferenças. Na administração há toda uma área criativa de como reportar os números que se querem destacar. Lembro aqui a anedota:

“Três candidatos responderam ao anúncio de uma empresa de Recursos Humanos para uma posição de assessoria financeiro numa empresa sua cliente. A entrevista consistia apenas numa pergunta:

Pergunta ao primeiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: São 4. 

Pergunta ao segundo candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: Podem ser 4 ou 22.

Pergunta ao terceiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: (tirando uma caneta e um papel do bolso) Quanto é que V. Exa. deseja que sejam?

Foi contratado logo…”

Para a administração, a forma de reportar faz toda a diferença. Na verdade o P&L é o que, no final, importa. Já na governação tudo o que sejam números criativos não passam de artimanha, porque a realidade do Português é aquela que ele vive. Digam os números o que disserem. Sejam eles “o que V. Exa. queira que sejam”. Só numa administração seria aceitável dizer “a empresa está melhor, nós é que estamos pior; trabalhamos mais tempo, ganhamos menos, temos menos certezas sobre o futuro, muitos de nós foram mandados para casa”. Quando a administração chega ao governo, não somos cidadãos, não somos sequer sócios, somos empregados. É com esse pressuposto que as decisões são tomadas. A administração determina, nós obedientes executamos.

O problema essencial é que, ao mesmo tempo, sendo empregados, somos também a principal fonte de rendimento da “empresa” Portugal SA. A sua única esperança de que se pague o que foi pedido emprestado e o que se gastou com luxos. Somos empregados a quem a empresa cobra uma comissão. Sem dar garantias de emprego, reforma ou condições de trabalho. Mesmo os que não trabalham para o Estado, na forma de agir da administração, são empregados todos os dias até ao dia das legislativas, em que todos somos consultados como uma Assembleia de Accionistas e nos pronunciamos sobre os números. Os tais que podem ser maleáveis na esperança que nós também o sejamos.

Este é o estado das coisas. No Portugal SA, a Assembleia de Accionistas reconduziu a Administração.

Esperam-se mais decisões financeiras, frias e necessárias ao P&L. Que se lixe o briefing. E pensando nisso, mal que o diga, não era melhor alterarem-no logo de uma vez? Portugal SA veio para ficar. Por isso vou-me eu embora.

O último a sair que apague a luz, para não ficarmos a dever aos chineses.

Novo Curso Arcana Templi

ArcTbanner01

Inscrições: ihshi@mail.com

O Instituto Gualdim Pais, em colaboração com o IHS-HI e com a Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolimitani Universalis (OSMTHU) vai promover mais uma edição do Curso de Instrução do Templo e da Cavalaria Espiritual, a ter lugar no dia 12 de Julho de 2015 em Sintra.

Excepcionalmente o Curso terá a duração de 8h (uma manhã e uma tarde), estando abertas as inscrições para cada uma das datas.

O Curso é composto pela Instrução Preliminar que é dada a todos os que ingressam na Ordem do Templo (OSMTHU), a qual aborda múltiplos temas relacionados com a histórica Ordem do Templo, bem como com a Cavalaria Espiritual como Via Iniciática, explorando a sua expressão Cristã reconhecida nos Templários, assim como na Ordem de Cristo, entre outras, bem como a sua história e sobrevivências até aos dias de hoje em múltiplos ramos.

O Curso faz ainda uma introdução ao que é a Instrução de Cavalaria, explanando os seus valores teológicos e iniciáticos, recorrendo a textos canónicos e documentos das diversas épocas.

Está sujeito a inscrição e todos os que o completarem são reconhecidos pela Ordem como aptos a propor-se para instrução mais adiantada e filiação na Festa de São Miguel, em Setembro de 2015.

Desde 2009 que não é possível filiar-se a este ramo da Ordem sem completar o Curso de Instrução preliminar, o qual é dado em ambiente restrito.

Após o Curso, a Ordem irá fechar de novo as suas portas até oportunidade futura que se venha a justificar.

Sobre o Ramo OSMTHU da Ordem do Templo

A Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém Universal é descendente da Ordem retomada por Fabré Palaprat em 1804, o qual trabalhou sob as Ordens de Napoleão, com o Chanceler da Ordem (e do Império), Cambaceres. Parlaprat foi igualmente Patriarca da Igreja Joanita, após ter sido ordenado Bispo na sucessão apostólica pelo Bispo Machaud. Ao longo do século XIX e século XX a Ordem teve uma história conturbada, essencialmente centrada em França e na Suiça. Após a morte de Parlaprat em 1838 a Ordem é dirigida por um Conselho de Regência. Em 1934 é eleito Regente Emile Vandenberg. Nessa época a Europa viva tempos difíceis e com o início da Segunda Guerra, os arquivos da Ordem foram colocados sob a guarda de um diplomata destacado na Bélgica. Quando a guerra acabou o Regente Vandenberg viu-se envolvido num acidente fatal e a continuidade da regência da Ordem foi assumida sem eleição pelo diplomata que havia guardado os arquivos anos antes. Os diversos Priorados tiveram reacções distintas a esta atitude não protocolar e, desde essa época vários se declararam autónomos da nova regência auto-proclamada. De 1945 em diante nasceu um ramo da OSMTH que não reconheceu durante décadas nenhuma autoridade a não ser as autoridades nacionais devidamente eleitas e cuja proveniência de Cavalaria pudesse ser verificada. Já na década de 80 constituiu-se uma Federação Internacional com o objectivo de preparar a eleição livre e universal de um Grão Mestre internacional. Este facto deu-se em 1999, tendo o espanhol Fernando de Toro-Garland sido eleito em sufrágio verificado por auditores externos à Ordem e proclamado em Santiago de Compostela. Pelo seu carácter internacional, o Conselho Magistral, órgão executivo internacional, decidiu acrescentar “Universalis” à designação da Ordem de modo a distinguir melhor dos outros ramos. Seguiu-se o Grão Mestre Antonio Paris, de Itália, para o período 2004-2009, que entretanto se retirou por motivos de saúde. Desde essa data o Conselho Magistral, liderado por Portugal, tem feito a gestão operacional e de instrução da Ordem sempre dentro de portas, de modo discreto e recatado que os tempos recomendam.

A OSMTHU não reclama ser descendente directa dos Templários históricos. Contudo reclama ter uma transmissão de Cavalaria Espiritual autêntica, aliada a uma expressão reservada da Ordenação Apostólica sob a autoridade espiritual de um Patriarca. Estes factos, em conjunto, bem como a sua história e tradição, colocam-na como uma real Ordem de Cavalaria Iniciática que se inspira nos valores e na história singular da Ordem do Templo para instruir e guiar os seus membros nos dias de hoje.

A Ordem procura não ter uma acção visível que possa ser confundida com expressões apócrifas dos Templários históricos, tão correntes nos dias de hoje. Tão pouco procura protagonizar uma restauração da Ordem original ou reclamar da Igreja de Roma qualquer tipo de perdão ou restauração anacrónica. Deste modo refugia a sua acção num pomo interior e só episodicamente aparece em público. Mudando-se os tempos poderão mudar-se os métodos.

Mais informações em Templar Globe: templars.wordpress.com

ou

templarsosmthu.wordpress.com

O Curso

O Curso terá lugar no dia 12 de Julho. Inicia-se pelas 10h e termina pelas 19h, com uma pausa de 1h30 para almoço livre. Será ministrado nas instalações do Instituto IHS em Sintra e, além da matéria própria do tema, terá uma sessão de perguntas e respostas e esclarecimento de dúvidas.

As inscrições são RIGOROSAMENTE LIMITADAS.

PREÇO

25 € para inscrições individuais

40 € para casais

Os membros da Ordem, sócios do Instituto Hermético, alunos do Curso “Templários e Templarismos” da Universidade Lusófona, bem como todos os que já fizeram o Curso em datas anteriores e desejam repeti-lo, terão uma redução no preço. Assim, o custo nestes casos será de 10 € para inscrições individuais e 15 € para casais.

Casos Especiais

Tendo em conta a situação económica actual, o Instituto e a OSMTHU decidiram disponibilizar uma inscrição a preço especial para Estudantes, desempregados e maiores de 65 anos. Se é o seu caso, refira esse facto no seu contacto.

Inscrições

As inscrições podem ser feitas para o email ihshi@mail.com, dando o nome, um email de contacto e a categoria de sócio ou não-sócio, inscrição individual ou casal. As inscrições serão tratadas por ordem de chegada.

Não esquecer: ihshi@mail.com

Quem com galinhas se mete, farelos come

9ZpxhfOJkLA6L0pvJO9BPflN6idjaryq

Ou melhor “Οποιος μπλέκεται με τα πίτουρα τον τρων οι κότες.”, em Português “Quem com galinhas se mete, farelos come”, um excelente provérbio Grego que não deve ter tradução em Alemão.

O que os provérbios têm de interessante é que reflectem a experiência popular, realçando truísmos (e algumas verdades muito evidentes) que se verificaram vezes e vezes sem conta no passado e a sabedoria popular aposta que virão a verificar-se no futuro. É bem verdade que cuidado e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém e que grão a grão a galinha enche o papo, isto para manter o tema aviário. A Grécia tem muito a ensinar até nos provérbios, apesar de teimarmos em depreciar o que dali vem. O nosso Sócrates não se compara ao deles. A nossa Democracia não faz escola. Às fábulas de Esopo respondemos com as fábulas de Pedro Passos Coelho. Uma tristeza.

Vem o “comer farelos” a propósito do tema do momento, que ameaça ser o tema da década: vai a Grécia falhar o pagamento aos seus credores e, em consequência disso, sair do Euro? Já tantas asneiras se disseram sobre este tema que me sinto no direito de dizer o meu lote de asneiras sem pudor. Aqui vai.

Este episódio assemelha-se muito àquela situação em que os amigos vão todos jantar fora e, depois do opíparo jantar e da boa disposição, já estão todos a contar anedotas e a por a cinza dos cigarros nas chávenas de café vazias, com o dono do restaurante a apagar e a acender as luzes discretamente a ver se põe o grupo a andar dali para fora, quando alguém finalmente pede a conta. A conta vem, o tipo do costume divide pelas cabeças presentes e o valor anunciado deixa todos perplexos. Alguém pede o talão, tira o telemóvel e volta a calcular tudo de novo. Mas não há engano! É mesmo muito por cabeça… Afinal, todos se divertiram, todos acabaram por fazer bons negócios com os parceiros do lado, planear novos encontros, deram e receberam palmadinhas nas costas. É aqui que se verifica que ninguém reclamou os cascos de sapateira que foram postos na mesa logo no início. Agora estavam comidos. Ninguém se apercebeu que o amigo francês tinha pedido uma garrafa de vinho mais cara. Agora estava bebida. O problema é que há sempre um tipo que estraga tudo e diz que não tocou na sapateira, só bebeu água do Luso e o bife dele até nem tinha ovo. “Eu não comi manteigas nem tirei do presunto!”, diz com ar reprovador. Esse tipo, chato como o caraças, pede para pagar só a parte dele. Quer contas separadas! Como se não tivesse feito negócio como os outros, como se não fosse fornecedor de sapateiras suspeitamente iguais aquelas (em que nem tocou), como se não tivesse estado no jantar. Como se só tivesse comido o seu quinhãozinho em silêncio e nada mais, sem apreciar a companhia. Um chato. Agora é preciso ir, item por item, ver quem comeu o quê para que ele se cale. Esse gajo é a Alemanha. E logo se verifica que também há sempre o tipo que pediu 3 whiskies no final, sabendo que era a dividir por todos. Para pesadelo de toda a gente, esse tipo é a Grécia.

É nisto que estamos. O cartão Visa da Grécia não passa… O dinheiro que tem no bolso não chega. “Pensasse nisso antes!” diz o indignado da Alemanha. “Paga e não bufa! Eu não racho a conta.” E assim os amigos se chateiam uns com os outros.

A alegoria roça a tragédia (Grega) porque estamos todos à mesa. E enquanto Passos Coelho, em nosso nome, diz que não seremos afectados se a Grécia sair e não voltar a ser convidada para outros jantares, a verdade é que sabemos todos que, saindo a Grécia do nosso clube, o clube está a chegar ao fim. E porquê? Ui, isso é o que o nosso amigo Alemão não percebe.

Cá vão algumas razões. O que o Clube tem para vender é um bem escasso: a estabilidade, que se traduz num substantivo que favorece o progresso: a confiança. Ganhamos todos por ter uma moeda estável e confiável e por vendermos e comprarmos a maior parte dos nossos produtos no mercado proporcionado por essa moeda. A saída da Grécia mina a estabilidade e retira a confiança. Ataca, por isso, o valor da própria União, que terá dificuldade em continuar a vender castelos nas nuvens sem o benefício tangível para os membros do Clube. Para todos os membros do Clube. É que quando vendemos “confiança”, ficamos mal na fotografia se obrigamos um dos nossos a sair quando ele atravessa dificuldades. Deprecia o nosso produto.

O Euro é a consequência inevitável da Comunidade Europeia. É intrínseco à Comunidade. Não podem haver fronteiras abertas, sem barreiras humanas e alfandegárias, se não houver uma convergência monetária que, no limite, é uma moeda única, mesmo que as designações nacionais aparentem diferença. A Inglaterra faz o que quer com a Libra? Tomara a Inglaterra… Não, não faz. Numa situação em que a circulação de bens, serviços e pessoas é livre a possibilidade de manipular a moeda para lá de variações marginais é uma arma de guerra económica que pode minar a comunidade em si. Imaginemos a Grécia, com o Dracma, membro da Comunidade, a desvalorizar a moeda sem freio, sem convergência, mas sem limites à circulação dos seus bens e serviços agora extraordinariamente baratos (baratos como na Índia, no Bangladesh ou na China ou até mais), mas não localizada na Ásia. Aqui mesmo. Não à porta. Dentro. Dentro de portas. Cá. Um dos nossos. Não há Comunidade Europeia sem convergência monetária. Isto tem sido tão claro para a Alemanha que os esforços mais incríveis têm sido feitos para impedir a saída da Grécia do sistema. Pudesse a Alemanha mandar a Grécia embora e já o tinha feito há muito. Essa é a força da Grécia. Se a conta não for rachada por todos (ou seja, se não houver uma Comunidade Europeia, e mesmo uma União Europeia como ironicamente se chama a esta mesa desavinda), a Grécia sai sem pagar a conta e “Quem com galinhas se mete farelos come”. Comeremos todos farelos se deixarmos que a Grécia seja a nossa galinha.

Mas a saída da Grécia do sistema monetário não lança os gregos na miséria. Lança os gregos na miséria por comparação. Pois é. O que nos choca é que a Grécia possa vir a viver o que se vive diariamente na Nigéria, na Somália, no Bangladesh. Há muitos países onde a situação é muito pior do que a grega. Só que não estão à nossa porta. Nem os seus cidadãos são membros da direito da Comunidade Europeia. É que a saída do Euro não equivale à saída da Comunidade. A Grécia continua a poder exportar, comprar e vender. Mas poderá fazê-lo sem estar constrangida pela camisa de forças do Euro. A camisa de forças faz falta para que não aconteça o que vai acontecer quando a Grécia se vir livre dela! Há uma razão forte para que tenhamos todos aceite a camisa de forças, até os que não têm o Euro. E o pior é que vamos todos descobri-lo da pior maneira…

A Grécia pode ser o porta-aviões da economia barata a lançar petardos na “união” europeia. Pode tornar-se numa feira ladra dentro do Centro Comercial da moda. Pode ser o Cavalo de Tróia que nenhum anti-virus consiga deter.

Além disso, atirar milhões de gregos para a pobreza tem o condão de, com apenas um passe de ilusionismo, criar dentro de fronteiras milhões e milhões de cidadãos Europeus com carências enormes, que podem circular livremente e para quem um trabalho precário e mal pago noutro estado da União será muito bem vindo. E estes que jogarmos na pobreza, nem precisam de atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa… Já cá estão. E não haverá quem os possa deter. Para quê importar pessoas a quem tiraram toda a dignidade humana se as podemos criar na Europa, não é?

O sonho da Europa Unida acaba aqui. E pode ser ainda mais dramático. É que é possível imaginar um cenário em que a Grécia não se desintegra em pedacinhos como a Estrela da Morte do Star Wars no dia em que sair do Euro. Pode continuar a existir, para desespero dos que a querem fora da mesa. A sangrar, mas presente. Pode ser que o Pártenon não caia nem os alicerces do Olimpo tremam. Pode até ser que, saindo do Euro, o colapso interno humano e político seja demolidor mas, como acontece com todos as tragédias (e já as vimos de magnitude muito maior), a Grécia atinja um dado dia o “fundo do poço”. O dia seguinte a esse dia é o primeiro dia em que a Grécia recupera e mostra que nada é final no destino das nações. Que o diga a Islândia. Podem tardar 100 anos. Podem tardar 20. Ou podem tardar 10. Mas o dia em que os números da Grécia, independentemente de quão maus tenham sido até ao fundo negro fecal, invertam a tendência – e esse dia, diz-nos a matemática de Pitágoras, que chega – ficará marcado na pedra tumular da União Europeia do pós-guerra.

É isto que está em jogo. Sá a Alemanha parece ter esquecido. Portugal faz o papel do mete nojo, que bate só nos que já estão no chão. Há que rachar a conta, meus amigos, agora que todos comeram satisfeitos. “Quem com galinhas se mete farelos come”. Façam-se outras regras para o jantar que se segue. Mas não se pense que ao obrigar o Grego a sair por mau comportamento, ficamos rodeados de santos. É que ele sai da mesa, mas continuamos a comer farelos e a dizer que é lagosta…

Sintra fecha o ciclo – O que vale a Pena

série1aulalivre2015

Aos poucos, puxado pelos amigos que se iam inscrevendo e, por um motivo ou outro, não conseguiam estar presentes, fui acrescentando datas ao Calendário de Visitas das Aulas Livres. “Não conseguir ir à Pena! Quando é que vais repetir?”, diziam. “E a Regaleira?”, insistiam. Como não devo ter disponibilidade para repetir algo deste género nos próximos tempos, lá fui aceitando os desafios, semana após semana. Esta semana irá chegar ao fim o ciclo actual de Visitas e Aulas e já abordámos tantos temas e usámos os locais e edifícios históricos como pretexto para tanta filosofia que parece que estou a regressar a casa de uma longa viagem ao regressar à Pena! De Dante a Platão, de Pessoa a Lima de Freitas, de Percival a Galaaz, de lugar em lugar, ideia em ideia, questão em questão, enquadrando os lugares, as doutrinas, as perplexidades. Muito ficou por dizer e muito por observar. Mas a paixão pelos lugares ficou patente. E feliz fui ao ver a paixão compartilhada por tantos.

A eles, obrigado!

 

Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal

10010_22

Em pleno dia de Pentecostes acompanhámos o autor e ensaísta Luis de Matos, editor chefe do Templar Globe, numa visita guiada ao Palácio da Pena em Sintra. Terminada a visita pudemos trocar algumas impressões e fazer a entrevista que reproduzimos de seguida.

Templar Globe (TG) – Luis, dia de Pentecostes e visita à Pena. Coincidência?

Luis de Matos (LM) – Diz-me tu.

TG – Falou-se muito das Lendas do Santo Graal. Será por isso?

LM – Não. E sim. Há uma relação entre a Demanda do Santo Graal e o Pentecostes. De facto, a versão da Vulgata inicia-se com a celebração do Pentecostes no reino de Artur, data em que tradicionalmente se lançava tavolado e se armavam cavaleiros. Nesse dias esperavam-se sempre milagres e maravilhas. E o romance começa precisamente com alguns acontecimento que maravilham todos e com a armação de Galaaz, filho de Lancelot. Mas não é por isso que escolhemos a Pena.

TG – Outros motivos?

LM – Sim. Como sabes os meus deveres profissionais afastam-me muitas vezes de Portugal. Sou director de uma empresa na área da Digital Media e Tecnologias da Informação e, embora viva há mais de 30 anos na zona de Sintra, estou mais ou menos entre 1/3 e 2/3 dos dias do ano longe de casa. Poder regressar aos lugares que formaram uma ideia que tenho do mundo – e Sintra é um deles – é um privilégio. Por isso fui desenvolvendo alguns hábitos que tento manter religiosamente. Entre eles está fazer uma espécie de Peregrinação a lugares especiais do nosso país, mais longe de Lisboa, lá pela pausa de Julho. Não sei porquê, mas um mês antes das grandes feiras de videojogos como o Gamescom onde tenho de ir, há sempre ali uma ou duas semanas mais livres. Mantenho o hábito de aproveitar para conhecer melhor Portugal há uns anos. Quase sempre há amigos que acabam por ser arrastados e fazemos uma autêntica comitiva. Outras vezes aproveito para visitar amigos que estão longe e só comunicamos pelo Facebook. Já fiz passeios em estudo nessa época do ano a Braga, Lamego, São João de Tarouca, Carrazeda de Ansiães e uma boa parte das Beiras e Trás-os-Montes…

TG – Tu és de lá de cima.

LM – Sim, fiz a escola primária em Mirandela. Conheço bem Bragança, Chaves, Miranda, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros… Enfim, estar em Trás-os-Montes é estar em casa. Mas como o meu pai era da zona de Moimenta da Beira, a região de Lamego, Tabuaço, Douro e mesmo Viseu são lugares também enraizados na memória que gosto de revisitar. Durante algum tempo andei por ali todos os anos à procura das memórias das famílias que fundaram a nacionalidade. O Vale do Sousa é muito especial, com uma herança românica única. A cidade do Porto também tem muito que se lhe diga.

TG – És tripeiro…

LM – Sou. Não do ponto de vista futebolístico. Não tenho clube. Mas sou do Bonfim, ali sobre Campanhã onde tinha nascido o Mestre Agostinho [da Silva].

TG – Mas essas visitas são em Julho. Ainda estamos em Maio…

LM – Estou a desviar-me! Outro hábito que tenho é comemorar as Luas Cheias de Carneiro – que coincide com a Páscoa, de Touro e de Gémeos. Não é uma questão astrológica, mas sim tradicional. São três momentos muito particulares no ciclo anual. A última coincide muitas vezes com o Pentecostes. Como tenho responsabilidades em algumas organizações de matriz religiosa, a Páscoa é quase sempre comemorada seguindo a liturgia Cristã. E por ser Chanceler Internacional de uma Ordem de inspiração Templária, o Pentecostes é sempre marcado por algum tipo de actividade. Ora, este ano, devido a uma questão de calendário pessoal, que se definiu muito tarde para Maio e tendo-se dado a feliz coincidência de ter terminado o Curso Livre na Universidade Lusófona sobre Templários e Templarismo há poucas semanas e os meus alunos me terem desafiado para lhes guiar uma visita a Tomar, decidi juntar o útil ao muito agradável e, com eles, com o apoio do Instituto Hermético na divulgação e da OSMTHU, fazer um curto ciclo de visitas como costumo fazer em Maio/Junho.

TG – Então esta não é a primeira.

LM – Não. Começámos em Tomar em Abril, apenas para alunos do Curso. Depois aproveitei então o bom tempo e os Domingos, porque estou sempre em Lisboa ao Domingo e marquei uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos, esta ao Palácio da Pena e no próximo Domingo à Quinta da Regaleira, com o Luis Fonseca.

TG – E vai haver mais?

LM – De momento penso que não. Não podemos abusar da paciência das pessoas! Penso em associar-me à festa de São João, que também costumamos fazer em Santa Eufêmea, em Sintra em Junho e talvez mais próximo da tal pausa de Julho (se houver este ano!), logo se vê o que programa. Mas não há mais planos de momento.

10010_23

TG – Qual é a relação destas visitas com a Ordem dos Templários a que pertences.

LM – Como sabes o Templar Globe é o órgão de divulgação principal da Ordem Internacional. Fui eu que o fundei e é um lugar de troca e publicação de informação credível sobre os Templários – antigos e modernos. Ultrapassámos há muito o milhão e meio de visitas. Por isso faz parte integrante do modo de comunicar da Ordem. Em geral, tudo o que eu faço pessoalmente relacionado com o tema Templários tem a cobertura do Templar Globe que o divulga através dos grupos do Facebook e internacionalmente. As Comendadorias de Sintra e de Lisboa são importantes bases de apoio ao estudo e actividades da Ordem. Deste modo, o que eu faço, divulgo ou publico sobre os Templários é coerente com o que a Ordem faz. Não confessional nem prosélito, no sentido em que não uso publicações e visitas para cooptar ninguém para a Ordem. Pelo contrário. Há sempre pessoas que me perguntam sobre como entrar na Ordem e eu recomendo-lhes sempre que visitem o site oficial e escrevam um mail para lá. O tema não é a Ordem em que eu estou e onde me sinto bem e onde gosto de trabalhar, mas sim os Templários como Ordem histórica e ideário já muito preenchido de mitos e lendas. Não é uma questão de aumentar fileiras. Bem pelo contrário! O que faço – isso sim – é usar os eventos, publicações e visitas para procurar entusiasmar os que as procuram, a estudar por si mesmos, pensar por si mesmos e concluir por si mesmos. E isso é instrução vital para quem esteja numa Ordem Templária, moderna ou antiga. Mas é também fundamental para quem não esteja em Ordem nenhuma! Ou seja, as actividades públicas que faço são coerentes com o que defendo sobre o mundo iniciático e, nesse sentido, são apropriadas para membros das Ordens a que pertenço, das Ordens a que não pertenço e dos que não querem ser membros de Ordem ou Religião alguma. Há momentos para tudo na vida. Seria matar o propósito das visitas fechá-las a um ramo da grande família fraternal ou usá-las para cooptar gente. Sei que os membros da Ordem Templária aproveitam as visitas para aprender. Mas não se esgota aí. O Curso Livre da Lusófona é outra coisa bem diferente.

TG – Não está afiliado à Ordem?

LM – Absolutamente não. Enquanto na Ordem a aproximação ao tema Templário é na perspectiva da Cavalaria Espiritual como um modelo de comportamento e estudo pessoal, com os seus temas, paradoxos, meditações, objectivos, desafios e imperativos de compromisso interior e com o próximo, o Curso na Universidade é académico. Explora a história da Cavalaria, na qual os Templários se inserem, todo o contexto religioso e depois a história dos diversos movimentos que se foram inspirando nos Templários desde o século XIV ao século XX.

TG – Qual é a diferença?

LM – No primeiro caso estuda-se a doutrina com o objectivo de adoptar as ideias e integrá-las num modelo de comportamento pessoal como via de relação com o divino. No segundo estudam-se as ideias, a suas evolução, de onde surgem e que impacto tiveram na história, na arte, na religião. No primeiro caso vivem-se os Mitos. No segundo conhecem-se os Mitos, as suas origens, o seu arquétipo e o modo como Mito é usado para impulsionar vontades e acontecimentos, sem necessidade de os viver ou acreditar no seu “nada que é tudo”.

TG – E os alunos do Curso da Universidade Lusófona não têm expectativas diferentes de cada visita?

LM – O tema é o tema. Cada um percepciona-o como entende. Creio que as expectativas não são goradas, porque nas visitas estão todo o tipo de pessoas. Os meus livros têm leitores de todo o género. Não sou um autor para apenas um grupo como muitos dos meus colegas autores. Alguns só são lidos nos círculos Maçónicos. Outros só são lidos nos círculos de Nova Era. Outros só são lidos entre duas paragens em bombas de gasolina. Outros só são lidos por académicos. Outros por leitores que não se filiam em nada. Eu tenho uma base de leitores que abarca todos estes grupos e grupo nenhum. O mesmo se pode dizer dos que vão às minhas visitas ou conferências. Procuro não ter uma linguagem “confessional” e proselitista. Não estou a recrutar. Não estou mesmo. Deixem-me em paz. Já tenho muito que fazer. Por isso, ao não ter uma “agenda”, ao não querer promover mais do que o livre pensamento e despertar nos outros a mesma paixão sobres os temas ou lugares que eu mesmo tenho, sem ataduras ou molduras doutrinais, tomo os assuntos de modo que cada um que me ouça ou leia possa tirar o que melhor lhe parecer para a sua busca livre. É seguir as palavras que ouvi ao Mestre Agostinho: “o que importa é gostar do que se faz e ser-se contagioso no entusiasmo”. Por isso, creio que os meus alunos não poderão dizer que lhes tentei impingir doutrinas ou códigos e por isso não creio que as expectativas que tivessem possam ter sido goradas. Espero, isso sim, que os tenha motivado e lerem-me e a deitarem fora os meus livros, trocando-os por coisas ainda melhores.

TG – Mas ao seleccionar um tema como a Demanda do Santo Graal para a Pena já é dar um mote doutrinal.

LM – De modo algum. Foi Strauss que disse “Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal” quando esteve em Sintra. Isso acontece porque reconheceu o cenário no qual as óperas de Wagner se desenrolam. Curiosamente Parzival de Wagner é de 1882 e o Palácio da Pena de 1840. Quem inspirou o quê? Quem é percursor do quê? Neste caso o que é evidente é que o mesmo tipo de imaginário que inspirou Wagner tinha já inspirado D. Fernando II.  O facto de ambos terem tido contacto com círculos iniciáticos muito próximos pode ajudar a explicar a coincidência. Mas a associação da Demanda à Pena não é uma questão doutrinal. É uma questão de facto.

10010_25

TG – Então onde é que o Luis traça a linha limite.

LM – Traço a linha limite na interpretação desses factos. Ao fazer uma visita destas procuro dar aos meus companheiros de tarde uma boa história. Como se nos juntássemos à volta de uma fogueira e partilhássemos aventuras. Nas visitas tento não falar só eu. Também quero ouvir e aprender. Estão ali muitos pares de olhos que conseguem ver o que eu não vejo e sabem o que eu não sei. O que já aprendi nestas visitas! Ui! Eu o que posso dar é o referencial que não se encontra logo disponível. Interesso-me por estes assuntos, sempre os mesmos, há tanto tempo que algumas coisas foram ficando consolidadas. Lá diz o ditado “O Diabo sabe tanto, mais por ser velho do que por ser Diabo”. Ao manter sempre a mesma linha, acabo por ir construindo uma mundividência só minha, concreta e definida, consistente. É essa experiência que devo partilhar, poupando tempo a quem me acompanha, para que disponham logo de dados relevantes para que façam a sua mundividência eles mesmos. Saber, por exemplo, que D. Fernando II era maçon ajuda a entender algumas coisas. Mas saber que ele se filiava numa Maçonaria alemã de raiz ligada à antiga Estrita Observância Templária reformada, ajuda a perceber o seu interesse pelo pintor Nicolas Poussin e as particularidades que se encontram nos pratos de Cifka. A interpretação desses elementos já são outros “quinhentos”, por assim dizer. É aí que eu traço a linha. Se me fizerem perguntas sobre a interpretação, não deixarei de responder, sublinhando que é a minha interpretação. Mas o que encorajo é a que cada um procure saber mais. Toca a “googlar” Cifka, Estrita Observância e Nicolas Poussin. Não me perguntem o que quer dizer. Descubram! O mais difícil está feito.

TG – Foi assim no Mosteiro dos Jerónimos?

LM – Claro. Um livro incontornável é “A História Secreta de Portugal” do António Telmo, onde se faz um primeiro exercício de interpretação de muitos dos elementos iconográficos. Mas eu não vou aos Jerónimos explicar António Telmo. Ele é auto-explicativo. Compra-se o livro, lê-se, até se pode fazer a visita com o livro na mão e temos lá o que pensava António Telmo. O que importa é dizer que não foi só António Telmo que pensou os Jerónimos. Importa chamar a atenção para o trabalho sobre o simbolismo do Manuelino do Paulo Pereira, para o célebre programa que a RTP passou da autoria do Manuel J. Gandra e do António Carlos de Carvalho nos idos dos anos 80, para algumas linhas escritas e particularmente os painéis do Rossio do Mestre Lima de Freitas e, já noutro plano, para todo um acervo mais recente de autores como Eduardo Amarante, Paulo Loução, entre muitos outros. Assim sim. Assim já temos uma base para “navegar” os claustros. Há informação de qualidade, há especulação, há teses distintas. É isso que serve o visitante. Serve-lhe saber onde há-de ir procurar para fazer a sua própria visita e a sua construção simbólica sobre os Jerónimos.

TG – Então não se ficou a saber o que o Luis pensa?

LM – O que o Luis pensa é muito útil ao Luis. Mas é pouco útil a quem quer compreender – no sentido bíblico de circunscrever e apreender – por si. Não quero que venham ver-me fazer sapatos, que eu não sou sapateiro. Quero que, ao explicar os sapatos, alguns saiam das visitas a querer ir experimentar fazer um par! Uma vez ou outra, lá vou dando a minha orientação temática, porque o tema está lá e fala-se pouco dele. Por exemplo, um tema fascinante nos Jerónimos é o dos túmulos vazios. Até D. Sebastião lá está! Eu tenho opinião e conto algumas histórias. Mas o essencial é apontar por onde procurar mais informação e pontos de vista inusitados ou inabituais. Acho que é disso que as pessoas mais gostam. Uma história bem contada é um apontador.

TG – E no Palácio da Pena, que temas costumam passar despercebidos.

LM – Muitos. Mesmo muitos. Tal como com os Jerónimos há uma visão mais ou menos consagrada da Pena que ignora muitos detalhes. E é no detalhe que está o tesouro. Sim, Parque e Palácio estão relacionados com a Demanda do Graal. Mas que Demanda? Há várias versões, várias linhas tradicionais. Qual delas? Que elementos estão ali expressos? E que outras correntes são determinantes para a Pena tal como a conhecemos hoje? Passa-se ao lado de quase tudo. Um tema fulcral, por exemplo, é o de saber se havia ali um Convento ou um Mosteiro. Não é tudo a mesma coisa… Outro tema é conhecer a Ordem Hieronimita, o que poderá surpreender os mais desatentos. Outro ainda, sobre o qual nos debruçámos nesta última visita, é o dos vitrais. Os da Capela são de tal modo importantes que foram feitos logo em 1840, ano do início das obras. Fazem, portanto, parte dos planos iniciais e aquilo que neles se expressa será fundamental – no sentido mesmo de fundação. Mas mesmo a colecção de esparsos reunida no Salão Nobre não é aleatória e apresenta bastas razões para uma reflexão cuidada. É mais um apontador pouco referenciado.

10010_24

TG – O que podemos esperar para a Quinta da Regaleira.

LM – Tudo.

TG – Tudo?

LM – Apontadores. O 515 pode ser logo tratado. Basta 1 minuto e está. A questão Maçónica já foi muito bem ponderada pelo José Anes. Mais um par de minutos e fica o apontador. Quase todos os que vão ou já leram, ou podem vir a ler em breve o livro. Outro apontador é o do Manuel Gandra que publicou informação relevante sobre a colecção camoniana de Carvalho Monteiro, agora em Washington. Isso toma mais uns minutos. Noutro plano, naquele espaço não se pode ignorar o trabalho do Victor Adrião, que já estuda a Quinta desde há muitos, muitos anos. Trabalho extenso, documentado e detalhado. Mais um par de minutos. Como é costume não direi nada sobre o autor, mesmo sabendo que não é recíproco! Em menos de 20 minutos os apontadores mais conhecidos estarão dados. Perfeito. Será então hora de por isso tudo numa pastinha, fechar e ver em casa. Porque chegou a hora de, isso sim, fazer o que se deve fazer naquele jardim: passear. Deixar-se levar. Deixar-se encantar. Viver a tarde. Olhar o detalhe, deixar a evocação surgir à superfície do consciente. É um jardim iniciático. Comece-se a iniciação.

Fotos: Sunana Ferreira (c) 2015

Texto: TG (c) 2015