Curso de Geometria Sagrada

bannergeom12_15_01

Curso Geometria Sagrada
Towards The Rainbow
R. João da Silva, 14A
Areeiro 1900-271
LISBOA
geral@towards-the-rainbow.pt
5 Aulas – 4ªs feiras, das 21h às 23h
18 e 25 Nov, 2, 9 16 Dez
Informações e Inscrições: geral@towards-the-rainbow.pt
ou ihshi@mail.com

Anúncios

Abertas as inscrições para a nova edição do Curso Livre – Templários e Templarismo

bannercurso02_01

INSCRIÇÕES ABERTAS

Aulas: Sábado 5 de Dezembro e Sábado 12 de Dezembro
Total: 20h

Nova edição do Curso “Templários e Templarismo I” na Universidade Lusófona.
Seguido de “Templários e Templarismo II”
Prof. Alexandre Honrado e Luis de Matos

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Universidade Lusófona – Lisboa

Informação: ihshi@mail.com

Universidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Templários no Além

ba

No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Portugal SA – Assembleia de Accionistas Reconduz Administração

ADMINISTRATION

Ao longo dos últimos quatro anos ouvi muitas vezes criticar a simplicidade com que Medina Carreira dizia “Uma dona de casa geria melhor o país do que os últimos governos”, ao sublinhar que, não havendo mais dinheiro, tem de se reduzir a despesa. Pedir emprestado é como usar o cartão de crédito. Os críticos diziam que a economia de um país não se compara à economia caseira. Assisti com interesse às múltiplas soluções que foram sendo implementadas para resolver o problema, cortando despesas de modo selectivo (só algumas, especialmente as de pessoal) e aumentando a receita através do aumento de impostos. Já todos sabemos os efeitos e os resultados.

O que, para mim, se destaca é que as soluções encontradas não são de uma gestão de economia caseira, mas as usadas na gestão das empresas. E, sendo certo que a economia de uma nação não se pode gerir como quem gere uma casa, também não é menos certo que não se pode gerir a nação do mesmo modo que se gere uma mercearia. Mesmo que seja uma mercearia muito grande.

Ora foi precisamente o que aconteceu. Portugal tornou-se em Portugal SA.

Uma empresa não é uma entidade moral e não serve interesses colectivos acima do interesse particular de gerar lucro aos seus accionistas. Não é assim numa nação. Há um passado, um futuro e um presente que não são traduzíveis em números financeiros. Há a qualidade de vida dos nacionais (artigo 9º da Constituição), temas como a justiça, a educação e a saúde (artigo 63º e seguintes) que, apesar de terem uma realidade financeira, respondem a critérios de equidade, igualdade e dignidade humana que, esses sim, determinam os recursos financeiros necessários. São os dados do problema. Não são o problema. O número de médicos, camas, professores, juízes, etc., a protecção à queda em situações de pobreza, a garantia de uma vida digna e livre, etc., não são “o problema”. São os dados do problema, tal como força da gravidade, a resistência dos materiais ou o factor tempo o são na construção. Dados do problema. Pontos fixos que contribuem para o cálculo do que é variável. Ao tirar o ser humano do centro da equação, neste caso o Português, procurando soluções que o ponham em causa, resta perguntar para que servem tais soluções ao governo de um país que tem o Português como objecto único. Repito, o objecto único da governação de Portugal é o Português. Por isso só a ele é dado votar quem o governa.

Deste modo, retirando o Português do lugar que lhe é próprio como objecto da governação, vale a pena recordar o koen: “Se uma árvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para a ouvir cair, ela faz barulho”? No nosso caso: “Se um governo governa o país sem considerar as consequência para o Português, está a governar”? A resposta é simples: não. Estará a administrar. Estará a pensar nos accionistas (nem todos são “o Português”) e nos stakeholders (os que apostaram e querem ver o retorno no seu investimento). Mas não estará a governar de acordo com o mandato que lhe foi dado. Dito de maneira mais empresarial: não está a governar de acordo com o briefing que recebeu. E o briefing é a Constituição. A maneira de implementar o briefing é que é o Programa de Governo e nesse, tem liberdade de acção. Essa é a variável do problema. A redução do governo a uma administração é um downgrade, por prescindir dos instrumentos e das soluções ao alcance de uma soberania. E esta é uma discussão muito longa…

Quando uma empresa despede em larga escala, pode resolver um problema de overstaffing e orçamental. Os despedidos deixam de pesar nas contas. Mas quando uma nação despede, os despedidos continuam nas contas. E mesmo que sejam varridos para debaixo do tapete com truques estatísticos, continuam a custar dinheiro à nação. A população (activa ou não) de um país, por definição, não é um excesso. É o país!

A governação e a administração têm inúmeras diferenças. Na administração há toda uma área criativa de como reportar os números que se querem destacar. Lembro aqui a anedota:

“Três candidatos responderam ao anúncio de uma empresa de Recursos Humanos para uma posição de assessoria financeiro numa empresa sua cliente. A entrevista consistia apenas numa pergunta:

Pergunta ao primeiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: São 4. 

Pergunta ao segundo candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: Podem ser 4 ou 22.

Pergunta ao terceiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: (tirando uma caneta e um papel do bolso) Quanto é que V. Exa. deseja que sejam?

Foi contratado logo…”

Para a administração, a forma de reportar faz toda a diferença. Na verdade o P&L é o que, no final, importa. Já na governação tudo o que sejam números criativos não passam de artimanha, porque a realidade do Português é aquela que ele vive. Digam os números o que disserem. Sejam eles “o que V. Exa. queira que sejam”. Só numa administração seria aceitável dizer “a empresa está melhor, nós é que estamos pior; trabalhamos mais tempo, ganhamos menos, temos menos certezas sobre o futuro, muitos de nós foram mandados para casa”. Quando a administração chega ao governo, não somos cidadãos, não somos sequer sócios, somos empregados. É com esse pressuposto que as decisões são tomadas. A administração determina, nós obedientes executamos.

O problema essencial é que, ao mesmo tempo, sendo empregados, somos também a principal fonte de rendimento da “empresa” Portugal SA. A sua única esperança de que se pague o que foi pedido emprestado e o que se gastou com luxos. Somos empregados a quem a empresa cobra uma comissão. Sem dar garantias de emprego, reforma ou condições de trabalho. Mesmo os que não trabalham para o Estado, na forma de agir da administração, são empregados todos os dias até ao dia das legislativas, em que todos somos consultados como uma Assembleia de Accionistas e nos pronunciamos sobre os números. Os tais que podem ser maleáveis na esperança que nós também o sejamos.

Este é o estado das coisas. No Portugal SA, a Assembleia de Accionistas reconduziu a Administração.

Esperam-se mais decisões financeiras, frias e necessárias ao P&L. Que se lixe o briefing. E pensando nisso, mal que o diga, não era melhor alterarem-no logo de uma vez? Portugal SA veio para ficar. Por isso vou-me eu embora.

O último a sair que apague a luz, para não ficarmos a dever aos chineses.

Novo Curso Arcana Templi

ArcTbanner01

Inscrições: ihshi@mail.com

O Instituto Gualdim Pais, em colaboração com o IHS-HI e com a Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolimitani Universalis (OSMTHU) vai promover mais uma edição do Curso de Instrução do Templo e da Cavalaria Espiritual, a ter lugar no dia 12 de Julho de 2015 em Sintra.

Excepcionalmente o Curso terá a duração de 8h (uma manhã e uma tarde), estando abertas as inscrições para cada uma das datas.

O Curso é composto pela Instrução Preliminar que é dada a todos os que ingressam na Ordem do Templo (OSMTHU), a qual aborda múltiplos temas relacionados com a histórica Ordem do Templo, bem como com a Cavalaria Espiritual como Via Iniciática, explorando a sua expressão Cristã reconhecida nos Templários, assim como na Ordem de Cristo, entre outras, bem como a sua história e sobrevivências até aos dias de hoje em múltiplos ramos.

O Curso faz ainda uma introdução ao que é a Instrução de Cavalaria, explanando os seus valores teológicos e iniciáticos, recorrendo a textos canónicos e documentos das diversas épocas.

Está sujeito a inscrição e todos os que o completarem são reconhecidos pela Ordem como aptos a propor-se para instrução mais adiantada e filiação na Festa de São Miguel, em Setembro de 2015.

Desde 2009 que não é possível filiar-se a este ramo da Ordem sem completar o Curso de Instrução preliminar, o qual é dado em ambiente restrito.

Após o Curso, a Ordem irá fechar de novo as suas portas até oportunidade futura que se venha a justificar.

Sobre o Ramo OSMTHU da Ordem do Templo

A Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém Universal é descendente da Ordem retomada por Fabré Palaprat em 1804, o qual trabalhou sob as Ordens de Napoleão, com o Chanceler da Ordem (e do Império), Cambaceres. Parlaprat foi igualmente Patriarca da Igreja Joanita, após ter sido ordenado Bispo na sucessão apostólica pelo Bispo Machaud. Ao longo do século XIX e século XX a Ordem teve uma história conturbada, essencialmente centrada em França e na Suiça. Após a morte de Parlaprat em 1838 a Ordem é dirigida por um Conselho de Regência. Em 1934 é eleito Regente Emile Vandenberg. Nessa época a Europa viva tempos difíceis e com o início da Segunda Guerra, os arquivos da Ordem foram colocados sob a guarda de um diplomata destacado na Bélgica. Quando a guerra acabou o Regente Vandenberg viu-se envolvido num acidente fatal e a continuidade da regência da Ordem foi assumida sem eleição pelo diplomata que havia guardado os arquivos anos antes. Os diversos Priorados tiveram reacções distintas a esta atitude não protocolar e, desde essa época vários se declararam autónomos da nova regência auto-proclamada. De 1945 em diante nasceu um ramo da OSMTH que não reconheceu durante décadas nenhuma autoridade a não ser as autoridades nacionais devidamente eleitas e cuja proveniência de Cavalaria pudesse ser verificada. Já na década de 80 constituiu-se uma Federação Internacional com o objectivo de preparar a eleição livre e universal de um Grão Mestre internacional. Este facto deu-se em 1999, tendo o espanhol Fernando de Toro-Garland sido eleito em sufrágio verificado por auditores externos à Ordem e proclamado em Santiago de Compostela. Pelo seu carácter internacional, o Conselho Magistral, órgão executivo internacional, decidiu acrescentar “Universalis” à designação da Ordem de modo a distinguir melhor dos outros ramos. Seguiu-se o Grão Mestre Antonio Paris, de Itália, para o período 2004-2009, que entretanto se retirou por motivos de saúde. Desde essa data o Conselho Magistral, liderado por Portugal, tem feito a gestão operacional e de instrução da Ordem sempre dentro de portas, de modo discreto e recatado que os tempos recomendam.

A OSMTHU não reclama ser descendente directa dos Templários históricos. Contudo reclama ter uma transmissão de Cavalaria Espiritual autêntica, aliada a uma expressão reservada da Ordenação Apostólica sob a autoridade espiritual de um Patriarca. Estes factos, em conjunto, bem como a sua história e tradição, colocam-na como uma real Ordem de Cavalaria Iniciática que se inspira nos valores e na história singular da Ordem do Templo para instruir e guiar os seus membros nos dias de hoje.

A Ordem procura não ter uma acção visível que possa ser confundida com expressões apócrifas dos Templários históricos, tão correntes nos dias de hoje. Tão pouco procura protagonizar uma restauração da Ordem original ou reclamar da Igreja de Roma qualquer tipo de perdão ou restauração anacrónica. Deste modo refugia a sua acção num pomo interior e só episodicamente aparece em público. Mudando-se os tempos poderão mudar-se os métodos.

Mais informações em Templar Globe: templars.wordpress.com

ou

templarsosmthu.wordpress.com

O Curso

O Curso terá lugar no dia 12 de Julho. Inicia-se pelas 10h e termina pelas 19h, com uma pausa de 1h30 para almoço livre. Será ministrado nas instalações do Instituto IHS em Sintra e, além da matéria própria do tema, terá uma sessão de perguntas e respostas e esclarecimento de dúvidas.

As inscrições são RIGOROSAMENTE LIMITADAS.

PREÇO

25 € para inscrições individuais

40 € para casais

Os membros da Ordem, sócios do Instituto Hermético, alunos do Curso “Templários e Templarismos” da Universidade Lusófona, bem como todos os que já fizeram o Curso em datas anteriores e desejam repeti-lo, terão uma redução no preço. Assim, o custo nestes casos será de 10 € para inscrições individuais e 15 € para casais.

Casos Especiais

Tendo em conta a situação económica actual, o Instituto e a OSMTHU decidiram disponibilizar uma inscrição a preço especial para Estudantes, desempregados e maiores de 65 anos. Se é o seu caso, refira esse facto no seu contacto.

Inscrições

As inscrições podem ser feitas para o email ihshi@mail.com, dando o nome, um email de contacto e a categoria de sócio ou não-sócio, inscrição individual ou casal. As inscrições serão tratadas por ordem de chegada.

Não esquecer: ihshi@mail.com

Quem com galinhas se mete, farelos come

9ZpxhfOJkLA6L0pvJO9BPflN6idjaryq

Ou melhor “Οποιος μπλέκεται με τα πίτουρα τον τρων οι κότες.”, em Português “Quem com galinhas se mete, farelos come”, um excelente provérbio Grego que não deve ter tradução em Alemão.

O que os provérbios têm de interessante é que reflectem a experiência popular, realçando truísmos (e algumas verdades muito evidentes) que se verificaram vezes e vezes sem conta no passado e a sabedoria popular aposta que virão a verificar-se no futuro. É bem verdade que cuidado e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém e que grão a grão a galinha enche o papo, isto para manter o tema aviário. A Grécia tem muito a ensinar até nos provérbios, apesar de teimarmos em depreciar o que dali vem. O nosso Sócrates não se compara ao deles. A nossa Democracia não faz escola. Às fábulas de Esopo respondemos com as fábulas de Pedro Passos Coelho. Uma tristeza.

Vem o “comer farelos” a propósito do tema do momento, que ameaça ser o tema da década: vai a Grécia falhar o pagamento aos seus credores e, em consequência disso, sair do Euro? Já tantas asneiras se disseram sobre este tema que me sinto no direito de dizer o meu lote de asneiras sem pudor. Aqui vai.

Este episódio assemelha-se muito àquela situação em que os amigos vão todos jantar fora e, depois do opíparo jantar e da boa disposição, já estão todos a contar anedotas e a por a cinza dos cigarros nas chávenas de café vazias, com o dono do restaurante a apagar e a acender as luzes discretamente a ver se põe o grupo a andar dali para fora, quando alguém finalmente pede a conta. A conta vem, o tipo do costume divide pelas cabeças presentes e o valor anunciado deixa todos perplexos. Alguém pede o talão, tira o telemóvel e volta a calcular tudo de novo. Mas não há engano! É mesmo muito por cabeça… Afinal, todos se divertiram, todos acabaram por fazer bons negócios com os parceiros do lado, planear novos encontros, deram e receberam palmadinhas nas costas. É aqui que se verifica que ninguém reclamou os cascos de sapateira que foram postos na mesa logo no início. Agora estavam comidos. Ninguém se apercebeu que o amigo francês tinha pedido uma garrafa de vinho mais cara. Agora estava bebida. O problema é que há sempre um tipo que estraga tudo e diz que não tocou na sapateira, só bebeu água do Luso e o bife dele até nem tinha ovo. “Eu não comi manteigas nem tirei do presunto!”, diz com ar reprovador. Esse tipo, chato como o caraças, pede para pagar só a parte dele. Quer contas separadas! Como se não tivesse feito negócio como os outros, como se não fosse fornecedor de sapateiras suspeitamente iguais aquelas (em que nem tocou), como se não tivesse estado no jantar. Como se só tivesse comido o seu quinhãozinho em silêncio e nada mais, sem apreciar a companhia. Um chato. Agora é preciso ir, item por item, ver quem comeu o quê para que ele se cale. Esse gajo é a Alemanha. E logo se verifica que também há sempre o tipo que pediu 3 whiskies no final, sabendo que era a dividir por todos. Para pesadelo de toda a gente, esse tipo é a Grécia.

É nisto que estamos. O cartão Visa da Grécia não passa… O dinheiro que tem no bolso não chega. “Pensasse nisso antes!” diz o indignado da Alemanha. “Paga e não bufa! Eu não racho a conta.” E assim os amigos se chateiam uns com os outros.

A alegoria roça a tragédia (Grega) porque estamos todos à mesa. E enquanto Passos Coelho, em nosso nome, diz que não seremos afectados se a Grécia sair e não voltar a ser convidada para outros jantares, a verdade é que sabemos todos que, saindo a Grécia do nosso clube, o clube está a chegar ao fim. E porquê? Ui, isso é o que o nosso amigo Alemão não percebe.

Cá vão algumas razões. O que o Clube tem para vender é um bem escasso: a estabilidade, que se traduz num substantivo que favorece o progresso: a confiança. Ganhamos todos por ter uma moeda estável e confiável e por vendermos e comprarmos a maior parte dos nossos produtos no mercado proporcionado por essa moeda. A saída da Grécia mina a estabilidade e retira a confiança. Ataca, por isso, o valor da própria União, que terá dificuldade em continuar a vender castelos nas nuvens sem o benefício tangível para os membros do Clube. Para todos os membros do Clube. É que quando vendemos “confiança”, ficamos mal na fotografia se obrigamos um dos nossos a sair quando ele atravessa dificuldades. Deprecia o nosso produto.

O Euro é a consequência inevitável da Comunidade Europeia. É intrínseco à Comunidade. Não podem haver fronteiras abertas, sem barreiras humanas e alfandegárias, se não houver uma convergência monetária que, no limite, é uma moeda única, mesmo que as designações nacionais aparentem diferença. A Inglaterra faz o que quer com a Libra? Tomara a Inglaterra… Não, não faz. Numa situação em que a circulação de bens, serviços e pessoas é livre a possibilidade de manipular a moeda para lá de variações marginais é uma arma de guerra económica que pode minar a comunidade em si. Imaginemos a Grécia, com o Dracma, membro da Comunidade, a desvalorizar a moeda sem freio, sem convergência, mas sem limites à circulação dos seus bens e serviços agora extraordinariamente baratos (baratos como na Índia, no Bangladesh ou na China ou até mais), mas não localizada na Ásia. Aqui mesmo. Não à porta. Dentro. Dentro de portas. Cá. Um dos nossos. Não há Comunidade Europeia sem convergência monetária. Isto tem sido tão claro para a Alemanha que os esforços mais incríveis têm sido feitos para impedir a saída da Grécia do sistema. Pudesse a Alemanha mandar a Grécia embora e já o tinha feito há muito. Essa é a força da Grécia. Se a conta não for rachada por todos (ou seja, se não houver uma Comunidade Europeia, e mesmo uma União Europeia como ironicamente se chama a esta mesa desavinda), a Grécia sai sem pagar a conta e “Quem com galinhas se mete farelos come”. Comeremos todos farelos se deixarmos que a Grécia seja a nossa galinha.

Mas a saída da Grécia do sistema monetário não lança os gregos na miséria. Lança os gregos na miséria por comparação. Pois é. O que nos choca é que a Grécia possa vir a viver o que se vive diariamente na Nigéria, na Somália, no Bangladesh. Há muitos países onde a situação é muito pior do que a grega. Só que não estão à nossa porta. Nem os seus cidadãos são membros da direito da Comunidade Europeia. É que a saída do Euro não equivale à saída da Comunidade. A Grécia continua a poder exportar, comprar e vender. Mas poderá fazê-lo sem estar constrangida pela camisa de forças do Euro. A camisa de forças faz falta para que não aconteça o que vai acontecer quando a Grécia se vir livre dela! Há uma razão forte para que tenhamos todos aceite a camisa de forças, até os que não têm o Euro. E o pior é que vamos todos descobri-lo da pior maneira…

A Grécia pode ser o porta-aviões da economia barata a lançar petardos na “união” europeia. Pode tornar-se numa feira ladra dentro do Centro Comercial da moda. Pode ser o Cavalo de Tróia que nenhum anti-virus consiga deter.

Além disso, atirar milhões de gregos para a pobreza tem o condão de, com apenas um passe de ilusionismo, criar dentro de fronteiras milhões e milhões de cidadãos Europeus com carências enormes, que podem circular livremente e para quem um trabalho precário e mal pago noutro estado da União será muito bem vindo. E estes que jogarmos na pobreza, nem precisam de atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa… Já cá estão. E não haverá quem os possa deter. Para quê importar pessoas a quem tiraram toda a dignidade humana se as podemos criar na Europa, não é?

O sonho da Europa Unida acaba aqui. E pode ser ainda mais dramático. É que é possível imaginar um cenário em que a Grécia não se desintegra em pedacinhos como a Estrela da Morte do Star Wars no dia em que sair do Euro. Pode continuar a existir, para desespero dos que a querem fora da mesa. A sangrar, mas presente. Pode ser que o Pártenon não caia nem os alicerces do Olimpo tremam. Pode até ser que, saindo do Euro, o colapso interno humano e político seja demolidor mas, como acontece com todos as tragédias (e já as vimos de magnitude muito maior), a Grécia atinja um dado dia o “fundo do poço”. O dia seguinte a esse dia é o primeiro dia em que a Grécia recupera e mostra que nada é final no destino das nações. Que o diga a Islândia. Podem tardar 100 anos. Podem tardar 20. Ou podem tardar 10. Mas o dia em que os números da Grécia, independentemente de quão maus tenham sido até ao fundo negro fecal, invertam a tendência – e esse dia, diz-nos a matemática de Pitágoras, que chega – ficará marcado na pedra tumular da União Europeia do pós-guerra.

É isto que está em jogo. Sá a Alemanha parece ter esquecido. Portugal faz o papel do mete nojo, que bate só nos que já estão no chão. Há que rachar a conta, meus amigos, agora que todos comeram satisfeitos. “Quem com galinhas se mete farelos come”. Façam-se outras regras para o jantar que se segue. Mas não se pense que ao obrigar o Grego a sair por mau comportamento, ficamos rodeados de santos. É que ele sai da mesa, mas continuamos a comer farelos e a dizer que é lagosta…

Sintra fecha o ciclo – O que vale a Pena

série1aulalivre2015

Aos poucos, puxado pelos amigos que se iam inscrevendo e, por um motivo ou outro, não conseguiam estar presentes, fui acrescentando datas ao Calendário de Visitas das Aulas Livres. “Não conseguir ir à Pena! Quando é que vais repetir?”, diziam. “E a Regaleira?”, insistiam. Como não devo ter disponibilidade para repetir algo deste género nos próximos tempos, lá fui aceitando os desafios, semana após semana. Esta semana irá chegar ao fim o ciclo actual de Visitas e Aulas e já abordámos tantos temas e usámos os locais e edifícios históricos como pretexto para tanta filosofia que parece que estou a regressar a casa de uma longa viagem ao regressar à Pena! De Dante a Platão, de Pessoa a Lima de Freitas, de Percival a Galaaz, de lugar em lugar, ideia em ideia, questão em questão, enquadrando os lugares, as doutrinas, as perplexidades. Muito ficou por dizer e muito por observar. Mas a paixão pelos lugares ficou patente. E feliz fui ao ver a paixão compartilhada por tantos.

A eles, obrigado!