6 perguntas sobre o “Bestiário Maçónico”, o último livro de Luis de Matos

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De onde surgiu a ideia de fazer uma compilação dos animais simbólicos presentes nos ritos Maçónicos?

Já foi há uns anos. Estava a estudar o simbolismo do Leão, porque faz parte central do Rito Escocês Rectificado, que me interessa especialmente. Há muitos dicionários maçónicos e simbólicos, mas a maioria das vezes não ajudam muito. Por exemplo, em quase todos os casos, relativamente ao Leão, referiam que estava num quadro do 4º grau do Rito Escocês Rectificado, junto a uma legenda em latim. Ora, isso já eu sabia. Era por isso que procurava o significado… Era como ir a um guichet de informações perguntar como chegar ao Rossio e dizerem que fica na Praça D. Pedro IV, também conhecido como Rossio, bastando para tal dirigir-me ao Rossio!… Outros dicionários entravam na vertente alquímica, com a relação entre o Leão e os ácidos. Certo, certo. Mas é na Maçonaria? De onde aparece. O que significa? Que motivo levou a que fosse ali colocado? O livro surge então numa tentativa de responder a esta questão. Aos poucos começaram a aparecer outros animais e, puxando pelo fio, fui encontrando mais e mais. No início ainda pensei que já haveriam Bestiários Maçónicos publicados. Há uma sólida tradição de Bestiários Medievais muito interessantes, quer do ponto de vista lendário, quer iconográfico. Mas não encontrei, quer em Portugal, quer nos estrangeiro, nenhum que fizesse a lista dos animais que aparecem nos rituais da Maçonaria e o seu significado. Isso tornou o projecto ainda mais aliciante. Depois falei com o pintor Pedro Espanhol, desafiando-o a criar uma sequência de quadros sobre o mesmo assunto, visto da sua perspectiva muito única. A capa do livro faz parte dessa sequência. No fundo é um contributo muito simples e muito inicial para uma área de estudo ainda não sistematizada. Espero que o livro inspire outros autores a ampliarem não só a lista de animais, como o seu significado. Fica o convite.

Os rituais maçónicos referem assim tantos animais, que cheguem para um livro?

Sim. De facto inicialmente pensei em fazer apenas um artigo de fundo para alguma das publicações em que colaboro. Mas este trabalho obrigou-me a voltar à sequência de graus dos muitos sistemas de ritos e altos graus da Maçonaria. Muitos não são praticados em Portugal. Outros já não estão em uso em nenhum lugar do mundo. Foram muitos meses a decifrar rituais, imagens, esquemas simbólicos, catecismos de graus, manuscritos. Aos poucos apareciam os animais. O livro refere 32 diferentes, a que se acrescentam 3 ordens de seres sagrados, além de fazer um estudo acerca da evolução dos Altos Graus maçónicos e do uso de animais como artifício simbólico. Quando dei por mim, estavam escritas quase 300 páginas. Tivemos de usar um formato de livro maior, não apenas por causa das ilustrações, como pelo texto, conseguindo reduzir assim a 250 páginas. Durante os últimos anos trabalhei para uma empresa americana de videojogos e as longas viagens de avião sobre o Atlântico e na Europa foram uma constante. Uma porção significativa do livro foi escrita em aeroportos à espera do voo e no ar! A revisão final foi feita em tempo de retiro próximo de Tomar.  Ainda assim é o livro mais volumosos que escrevi até agora.

Quais são os animais mais conhecidos usados simbolicamente nos graus maçónicos?

O Rito Escocês Antigo e Aceite apresenta dois que quase todos leitores reconhecerão de imediato: o Pelicano e a Águia Bicéfala. São símbolos tão antigos e tão polissémicos que os encontramos em muitos outros contextos. O Pelicano, por exemplo, é o símbolo do Montepio Geral, instituição criada por maçons no século XIX. Já a Águia Bicéfala aparece como símbolo proeminente na Igreja Ortodoxa, sendo frequente vê-la coroando cúpulas na Rússia. O símbolo tem um significado arquetípico, que é o seu eixo simbólico. Depois tem um significado contextual, dependendo de como é usado relativamente a outros símbolos. Os ritos maçónicos tomam muitas vezes o significado arquetípico e depois expressam mensagens simbólicas própria nos diversos graus. Um exemplo é o Cordeiro, usado frequentemente. Em alguns casos, como no Rito Escocês Antigo e Aceite, aparece como o animal que repousa sobre o livro lacrado com os Sete Selos, tal como referido no Apocalipse. Noutros, como no caso do Rito Escocês Rectificado, aparece em glória, com o estandarte da Jerusalém Celeste. O Rito de Mamphis-Mizraim, de inspiração Egípcia, vai igualmente buscar vários animais, entre eles a Fénix, símbolo da imortalidade. Já referi o Leão, podia ainda referir a Abelha com o a sua colmeia e a Serpente, que encontramos muitas vezes na rica iconografia de aventais setecentistas, em quadros de Loja e outras fontes mais efémeras, como convocatórias aos trabalhos, circulares, diplomas, jóias distintivas, etc.

Sendo o simbolismo maçónico essencialmente geométrico, porque recorreram os maçons ao simbolismo animal?

O simbolismo geométrico e arquitectónico é a base de todo o simbolismo maçónico. Ele é usado para expressar as leis que governam o Universo e enquadrar o Homem na criação como um ser que participa de uma dada ordem das coisas. “Ordo ab Caos”, motto presente no Rito Escocês Antigo e Aceite, reafirma essa noção. Deste modo, a geometria, imutável e baseada em princípios verificáveis e constantes, dá um vislumbre sobre o Universo. Mas o processo iniciático, de aperfeiçoamento e melhoramento interior, tem como objecto o Homem. E ele é totalmente fluido e volátil. Está em permanente mudança, mimetizando-se em “pessoas” distintas ao longo da sua vida e enfrentando dentro de si versões rebeldes e desobedientes de si mesmo. Quem já tentou deixar de fumar sabe que é assim. Quem já se deu por si em situações – boas ou más – sem que percebesse como ali chegou, sabe que há camadas ou níveis de consciência de si mesmo e das decisões sobre si mesmo que variam com o tempo, o lugar e o contexto. Umas vezes esse “eu consciente” é suficientemente capaz de tomar decisões racionais. Outras vezes é obscurecido, num processo de eclipse, por um outro “eu”, menos racional, que tendencialmente toma decisões ligadas à herança animal que carregamos em virtude da evolução que levamos neste planeta. São decisões instintivas, que fazem um by-pass à racionalidade. E em geral são essas que nos conduzem a intermináveis problemas. Ora, desde há muitas gerações que essa natureza animal, inconsciente e maioritariamente instintiva, é simbolizada por animais. Todos sabemos que Ricardo Coração de Leão não era um cobarde. Todos sabemos que Cristo é “o Cordeiro de Deus”. Todos queremos que o nosso jogador de futebol favorito seja “uma fera”, mas sabemos bem que, quando as coisas correm mal, “os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio”. A tradição de usar os animais como metáforas e, em seu redor, construir alegorias sobre o comportamento humano, é longa e antiga e a Maçonaria foi beber a essa fonte tradicional.

Houve algum animal que o surpreendesse?

Sim. Eu sabia que o simbolismo da Serpente era muito versátil e muito usado em todo o tipo de contextos. Contudo não esperava encontrar tanto material simbólico à minha disposição. A imagem que transparece da maneira como a Serpente  foi usada simbolicamente surpreendeu-me. Bastará dizer que ela, ao mesmo tempo, é temida pelo veneno mortal e usada como símbolo da farmácia… Doença, morte e cura ao mesmo tempo. É o animal que acompanha os sábios e que é esmagado como o mal absoluto pelos santos. Essa contradição aparente é muito interessante. Surpreendeu-me também o uso da Borboleta no 5º grau do Rito Escocês Antigo e Aceite. É associada ao sopro vital que é exalado pelo Mestre Hiram ao morrer. A imagem é muito poética e em algumas jurisdições – em Portugal este grau é comunicado e não praticado – é cantado um Hino Fúnebre muito inspirador, que publico no livro.

 

O que pode o leitor aprender com este Bestiário?

O leitor em geral pode perceber como e porquê os animais foram usados como símbolo desde tempos imemoriais para transmitir alegorias sobre o comportamento humano inconsciente. Todos os que se interessam por simbolismo, em qualquer vertente, têm aqui muito que explorar. Quem se interessa pela condição humana e pelos seus desafios civilizacionais, culturais, religiosos ou espirituais, poderá enquadrar muitos deles pelo modo como os animais foram usados para os melhor definir. A superação de cada indivíduo, a busca da consciência universal, o domínio de si mesmo, a ligação à natureza cada vez mais afastada e perdida, a responsabilidade da espécie humana no contexto de todas as outras espécies como um cuidador, entre outros temas, encontram no Bestiário Maçónico amplo material de estudo. Para o leitor que, além de se interessar por simbolismo, seja maçon, o livro é um guia acerca de uma categoria simbólica particularmente ignorada e, embora presente nos rituais e profundamente importante para a compreensão da Ordem, raramente abordada no seu todo. Nem tudo são compassos e esquadros!…

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“Bestiário Maçónico”, por Luis C. Matos

Edições Nihil Obstat

Preço: 24,50€  19,95 € (até 30 de Novembro 2015)

Mais informações e encomenda de exemplares: Emial para ihshi@mail.com

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Abertas as inscrições para a nova edição do Curso Livre – Templários e Templarismo

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INSCRIÇÕES ABERTAS

Aulas: Sábado 5 de Dezembro e Sábado 12 de Dezembro
Total: 20h

Nova edição do Curso “Templários e Templarismo I” na Universidade Lusófona.
Seguido de “Templários e Templarismo II”
Prof. Alexandre Honrado e Luis de Matos

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Universidade Lusófona – Lisboa

Informação: ihshi@mail.com

Universidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Templários no Além

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No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Portugal SA – Assembleia de Accionistas Reconduz Administração

ADMINISTRATION

Ao longo dos últimos quatro anos ouvi muitas vezes criticar a simplicidade com que Medina Carreira dizia “Uma dona de casa geria melhor o país do que os últimos governos”, ao sublinhar que, não havendo mais dinheiro, tem de se reduzir a despesa. Pedir emprestado é como usar o cartão de crédito. Os críticos diziam que a economia de um país não se compara à economia caseira. Assisti com interesse às múltiplas soluções que foram sendo implementadas para resolver o problema, cortando despesas de modo selectivo (só algumas, especialmente as de pessoal) e aumentando a receita através do aumento de impostos. Já todos sabemos os efeitos e os resultados.

O que, para mim, se destaca é que as soluções encontradas não são de uma gestão de economia caseira, mas as usadas na gestão das empresas. E, sendo certo que a economia de uma nação não se pode gerir como quem gere uma casa, também não é menos certo que não se pode gerir a nação do mesmo modo que se gere uma mercearia. Mesmo que seja uma mercearia muito grande.

Ora foi precisamente o que aconteceu. Portugal tornou-se em Portugal SA.

Uma empresa não é uma entidade moral e não serve interesses colectivos acima do interesse particular de gerar lucro aos seus accionistas. Não é assim numa nação. Há um passado, um futuro e um presente que não são traduzíveis em números financeiros. Há a qualidade de vida dos nacionais (artigo 9º da Constituição), temas como a justiça, a educação e a saúde (artigo 63º e seguintes) que, apesar de terem uma realidade financeira, respondem a critérios de equidade, igualdade e dignidade humana que, esses sim, determinam os recursos financeiros necessários. São os dados do problema. Não são o problema. O número de médicos, camas, professores, juízes, etc., a protecção à queda em situações de pobreza, a garantia de uma vida digna e livre, etc., não são “o problema”. São os dados do problema, tal como força da gravidade, a resistência dos materiais ou o factor tempo o são na construção. Dados do problema. Pontos fixos que contribuem para o cálculo do que é variável. Ao tirar o ser humano do centro da equação, neste caso o Português, procurando soluções que o ponham em causa, resta perguntar para que servem tais soluções ao governo de um país que tem o Português como objecto único. Repito, o objecto único da governação de Portugal é o Português. Por isso só a ele é dado votar quem o governa.

Deste modo, retirando o Português do lugar que lhe é próprio como objecto da governação, vale a pena recordar o koen: “Se uma árvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para a ouvir cair, ela faz barulho”? No nosso caso: “Se um governo governa o país sem considerar as consequência para o Português, está a governar”? A resposta é simples: não. Estará a administrar. Estará a pensar nos accionistas (nem todos são “o Português”) e nos stakeholders (os que apostaram e querem ver o retorno no seu investimento). Mas não estará a governar de acordo com o mandato que lhe foi dado. Dito de maneira mais empresarial: não está a governar de acordo com o briefing que recebeu. E o briefing é a Constituição. A maneira de implementar o briefing é que é o Programa de Governo e nesse, tem liberdade de acção. Essa é a variável do problema. A redução do governo a uma administração é um downgrade, por prescindir dos instrumentos e das soluções ao alcance de uma soberania. E esta é uma discussão muito longa…

Quando uma empresa despede em larga escala, pode resolver um problema de overstaffing e orçamental. Os despedidos deixam de pesar nas contas. Mas quando uma nação despede, os despedidos continuam nas contas. E mesmo que sejam varridos para debaixo do tapete com truques estatísticos, continuam a custar dinheiro à nação. A população (activa ou não) de um país, por definição, não é um excesso. É o país!

A governação e a administração têm inúmeras diferenças. Na administração há toda uma área criativa de como reportar os números que se querem destacar. Lembro aqui a anedota:

“Três candidatos responderam ao anúncio de uma empresa de Recursos Humanos para uma posição de assessoria financeiro numa empresa sua cliente. A entrevista consistia apenas numa pergunta:

Pergunta ao primeiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: São 4. 

Pergunta ao segundo candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: Podem ser 4 ou 22.

Pergunta ao terceiro candidato: Quanto são 2 e 2?

Resposta: (tirando uma caneta e um papel do bolso) Quanto é que V. Exa. deseja que sejam?

Foi contratado logo…”

Para a administração, a forma de reportar faz toda a diferença. Na verdade o P&L é o que, no final, importa. Já na governação tudo o que sejam números criativos não passam de artimanha, porque a realidade do Português é aquela que ele vive. Digam os números o que disserem. Sejam eles “o que V. Exa. queira que sejam”. Só numa administração seria aceitável dizer “a empresa está melhor, nós é que estamos pior; trabalhamos mais tempo, ganhamos menos, temos menos certezas sobre o futuro, muitos de nós foram mandados para casa”. Quando a administração chega ao governo, não somos cidadãos, não somos sequer sócios, somos empregados. É com esse pressuposto que as decisões são tomadas. A administração determina, nós obedientes executamos.

O problema essencial é que, ao mesmo tempo, sendo empregados, somos também a principal fonte de rendimento da “empresa” Portugal SA. A sua única esperança de que se pague o que foi pedido emprestado e o que se gastou com luxos. Somos empregados a quem a empresa cobra uma comissão. Sem dar garantias de emprego, reforma ou condições de trabalho. Mesmo os que não trabalham para o Estado, na forma de agir da administração, são empregados todos os dias até ao dia das legislativas, em que todos somos consultados como uma Assembleia de Accionistas e nos pronunciamos sobre os números. Os tais que podem ser maleáveis na esperança que nós também o sejamos.

Este é o estado das coisas. No Portugal SA, a Assembleia de Accionistas reconduziu a Administração.

Esperam-se mais decisões financeiras, frias e necessárias ao P&L. Que se lixe o briefing. E pensando nisso, mal que o diga, não era melhor alterarem-no logo de uma vez? Portugal SA veio para ficar. Por isso vou-me eu embora.

O último a sair que apague a luz, para não ficarmos a dever aos chineses.

Novo Curso Arcana Templi

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Inscrições: ihshi@mail.com

O Instituto Gualdim Pais, em colaboração com o IHS-HI e com a Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolimitani Universalis (OSMTHU) vai promover mais uma edição do Curso de Instrução do Templo e da Cavalaria Espiritual, a ter lugar no dia 12 de Julho de 2015 em Sintra.

Excepcionalmente o Curso terá a duração de 8h (uma manhã e uma tarde), estando abertas as inscrições para cada uma das datas.

O Curso é composto pela Instrução Preliminar que é dada a todos os que ingressam na Ordem do Templo (OSMTHU), a qual aborda múltiplos temas relacionados com a histórica Ordem do Templo, bem como com a Cavalaria Espiritual como Via Iniciática, explorando a sua expressão Cristã reconhecida nos Templários, assim como na Ordem de Cristo, entre outras, bem como a sua história e sobrevivências até aos dias de hoje em múltiplos ramos.

O Curso faz ainda uma introdução ao que é a Instrução de Cavalaria, explanando os seus valores teológicos e iniciáticos, recorrendo a textos canónicos e documentos das diversas épocas.

Está sujeito a inscrição e todos os que o completarem são reconhecidos pela Ordem como aptos a propor-se para instrução mais adiantada e filiação na Festa de São Miguel, em Setembro de 2015.

Desde 2009 que não é possível filiar-se a este ramo da Ordem sem completar o Curso de Instrução preliminar, o qual é dado em ambiente restrito.

Após o Curso, a Ordem irá fechar de novo as suas portas até oportunidade futura que se venha a justificar.

Sobre o Ramo OSMTHU da Ordem do Templo

A Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém Universal é descendente da Ordem retomada por Fabré Palaprat em 1804, o qual trabalhou sob as Ordens de Napoleão, com o Chanceler da Ordem (e do Império), Cambaceres. Parlaprat foi igualmente Patriarca da Igreja Joanita, após ter sido ordenado Bispo na sucessão apostólica pelo Bispo Machaud. Ao longo do século XIX e século XX a Ordem teve uma história conturbada, essencialmente centrada em França e na Suiça. Após a morte de Parlaprat em 1838 a Ordem é dirigida por um Conselho de Regência. Em 1934 é eleito Regente Emile Vandenberg. Nessa época a Europa viva tempos difíceis e com o início da Segunda Guerra, os arquivos da Ordem foram colocados sob a guarda de um diplomata destacado na Bélgica. Quando a guerra acabou o Regente Vandenberg viu-se envolvido num acidente fatal e a continuidade da regência da Ordem foi assumida sem eleição pelo diplomata que havia guardado os arquivos anos antes. Os diversos Priorados tiveram reacções distintas a esta atitude não protocolar e, desde essa época vários se declararam autónomos da nova regência auto-proclamada. De 1945 em diante nasceu um ramo da OSMTH que não reconheceu durante décadas nenhuma autoridade a não ser as autoridades nacionais devidamente eleitas e cuja proveniência de Cavalaria pudesse ser verificada. Já na década de 80 constituiu-se uma Federação Internacional com o objectivo de preparar a eleição livre e universal de um Grão Mestre internacional. Este facto deu-se em 1999, tendo o espanhol Fernando de Toro-Garland sido eleito em sufrágio verificado por auditores externos à Ordem e proclamado em Santiago de Compostela. Pelo seu carácter internacional, o Conselho Magistral, órgão executivo internacional, decidiu acrescentar “Universalis” à designação da Ordem de modo a distinguir melhor dos outros ramos. Seguiu-se o Grão Mestre Antonio Paris, de Itália, para o período 2004-2009, que entretanto se retirou por motivos de saúde. Desde essa data o Conselho Magistral, liderado por Portugal, tem feito a gestão operacional e de instrução da Ordem sempre dentro de portas, de modo discreto e recatado que os tempos recomendam.

A OSMTHU não reclama ser descendente directa dos Templários históricos. Contudo reclama ter uma transmissão de Cavalaria Espiritual autêntica, aliada a uma expressão reservada da Ordenação Apostólica sob a autoridade espiritual de um Patriarca. Estes factos, em conjunto, bem como a sua história e tradição, colocam-na como uma real Ordem de Cavalaria Iniciática que se inspira nos valores e na história singular da Ordem do Templo para instruir e guiar os seus membros nos dias de hoje.

A Ordem procura não ter uma acção visível que possa ser confundida com expressões apócrifas dos Templários históricos, tão correntes nos dias de hoje. Tão pouco procura protagonizar uma restauração da Ordem original ou reclamar da Igreja de Roma qualquer tipo de perdão ou restauração anacrónica. Deste modo refugia a sua acção num pomo interior e só episodicamente aparece em público. Mudando-se os tempos poderão mudar-se os métodos.

Mais informações em Templar Globe: templars.wordpress.com

ou

templarsosmthu.wordpress.com

O Curso

O Curso terá lugar no dia 12 de Julho. Inicia-se pelas 10h e termina pelas 19h, com uma pausa de 1h30 para almoço livre. Será ministrado nas instalações do Instituto IHS em Sintra e, além da matéria própria do tema, terá uma sessão de perguntas e respostas e esclarecimento de dúvidas.

As inscrições são RIGOROSAMENTE LIMITADAS.

PREÇO

25 € para inscrições individuais

40 € para casais

Os membros da Ordem, sócios do Instituto Hermético, alunos do Curso “Templários e Templarismos” da Universidade Lusófona, bem como todos os que já fizeram o Curso em datas anteriores e desejam repeti-lo, terão uma redução no preço. Assim, o custo nestes casos será de 10 € para inscrições individuais e 15 € para casais.

Casos Especiais

Tendo em conta a situação económica actual, o Instituto e a OSMTHU decidiram disponibilizar uma inscrição a preço especial para Estudantes, desempregados e maiores de 65 anos. Se é o seu caso, refira esse facto no seu contacto.

Inscrições

As inscrições podem ser feitas para o email ihshi@mail.com, dando o nome, um email de contacto e a categoria de sócio ou não-sócio, inscrição individual ou casal. As inscrições serão tratadas por ordem de chegada.

Não esquecer: ihshi@mail.com

Quem com galinhas se mete, farelos come

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Ou melhor “Οποιος μπλέκεται με τα πίτουρα τον τρων οι κότες.”, em Português “Quem com galinhas se mete, farelos come”, um excelente provérbio Grego que não deve ter tradução em Alemão.

O que os provérbios têm de interessante é que reflectem a experiência popular, realçando truísmos (e algumas verdades muito evidentes) que se verificaram vezes e vezes sem conta no passado e a sabedoria popular aposta que virão a verificar-se no futuro. É bem verdade que cuidado e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém e que grão a grão a galinha enche o papo, isto para manter o tema aviário. A Grécia tem muito a ensinar até nos provérbios, apesar de teimarmos em depreciar o que dali vem. O nosso Sócrates não se compara ao deles. A nossa Democracia não faz escola. Às fábulas de Esopo respondemos com as fábulas de Pedro Passos Coelho. Uma tristeza.

Vem o “comer farelos” a propósito do tema do momento, que ameaça ser o tema da década: vai a Grécia falhar o pagamento aos seus credores e, em consequência disso, sair do Euro? Já tantas asneiras se disseram sobre este tema que me sinto no direito de dizer o meu lote de asneiras sem pudor. Aqui vai.

Este episódio assemelha-se muito àquela situação em que os amigos vão todos jantar fora e, depois do opíparo jantar e da boa disposição, já estão todos a contar anedotas e a por a cinza dos cigarros nas chávenas de café vazias, com o dono do restaurante a apagar e a acender as luzes discretamente a ver se põe o grupo a andar dali para fora, quando alguém finalmente pede a conta. A conta vem, o tipo do costume divide pelas cabeças presentes e o valor anunciado deixa todos perplexos. Alguém pede o talão, tira o telemóvel e volta a calcular tudo de novo. Mas não há engano! É mesmo muito por cabeça… Afinal, todos se divertiram, todos acabaram por fazer bons negócios com os parceiros do lado, planear novos encontros, deram e receberam palmadinhas nas costas. É aqui que se verifica que ninguém reclamou os cascos de sapateira que foram postos na mesa logo no início. Agora estavam comidos. Ninguém se apercebeu que o amigo francês tinha pedido uma garrafa de vinho mais cara. Agora estava bebida. O problema é que há sempre um tipo que estraga tudo e diz que não tocou na sapateira, só bebeu água do Luso e o bife dele até nem tinha ovo. “Eu não comi manteigas nem tirei do presunto!”, diz com ar reprovador. Esse tipo, chato como o caraças, pede para pagar só a parte dele. Quer contas separadas! Como se não tivesse feito negócio como os outros, como se não fosse fornecedor de sapateiras suspeitamente iguais aquelas (em que nem tocou), como se não tivesse estado no jantar. Como se só tivesse comido o seu quinhãozinho em silêncio e nada mais, sem apreciar a companhia. Um chato. Agora é preciso ir, item por item, ver quem comeu o quê para que ele se cale. Esse gajo é a Alemanha. E logo se verifica que também há sempre o tipo que pediu 3 whiskies no final, sabendo que era a dividir por todos. Para pesadelo de toda a gente, esse tipo é a Grécia.

É nisto que estamos. O cartão Visa da Grécia não passa… O dinheiro que tem no bolso não chega. “Pensasse nisso antes!” diz o indignado da Alemanha. “Paga e não bufa! Eu não racho a conta.” E assim os amigos se chateiam uns com os outros.

A alegoria roça a tragédia (Grega) porque estamos todos à mesa. E enquanto Passos Coelho, em nosso nome, diz que não seremos afectados se a Grécia sair e não voltar a ser convidada para outros jantares, a verdade é que sabemos todos que, saindo a Grécia do nosso clube, o clube está a chegar ao fim. E porquê? Ui, isso é o que o nosso amigo Alemão não percebe.

Cá vão algumas razões. O que o Clube tem para vender é um bem escasso: a estabilidade, que se traduz num substantivo que favorece o progresso: a confiança. Ganhamos todos por ter uma moeda estável e confiável e por vendermos e comprarmos a maior parte dos nossos produtos no mercado proporcionado por essa moeda. A saída da Grécia mina a estabilidade e retira a confiança. Ataca, por isso, o valor da própria União, que terá dificuldade em continuar a vender castelos nas nuvens sem o benefício tangível para os membros do Clube. Para todos os membros do Clube. É que quando vendemos “confiança”, ficamos mal na fotografia se obrigamos um dos nossos a sair quando ele atravessa dificuldades. Deprecia o nosso produto.

O Euro é a consequência inevitável da Comunidade Europeia. É intrínseco à Comunidade. Não podem haver fronteiras abertas, sem barreiras humanas e alfandegárias, se não houver uma convergência monetária que, no limite, é uma moeda única, mesmo que as designações nacionais aparentem diferença. A Inglaterra faz o que quer com a Libra? Tomara a Inglaterra… Não, não faz. Numa situação em que a circulação de bens, serviços e pessoas é livre a possibilidade de manipular a moeda para lá de variações marginais é uma arma de guerra económica que pode minar a comunidade em si. Imaginemos a Grécia, com o Dracma, membro da Comunidade, a desvalorizar a moeda sem freio, sem convergência, mas sem limites à circulação dos seus bens e serviços agora extraordinariamente baratos (baratos como na Índia, no Bangladesh ou na China ou até mais), mas não localizada na Ásia. Aqui mesmo. Não à porta. Dentro. Dentro de portas. Cá. Um dos nossos. Não há Comunidade Europeia sem convergência monetária. Isto tem sido tão claro para a Alemanha que os esforços mais incríveis têm sido feitos para impedir a saída da Grécia do sistema. Pudesse a Alemanha mandar a Grécia embora e já o tinha feito há muito. Essa é a força da Grécia. Se a conta não for rachada por todos (ou seja, se não houver uma Comunidade Europeia, e mesmo uma União Europeia como ironicamente se chama a esta mesa desavinda), a Grécia sai sem pagar a conta e “Quem com galinhas se mete farelos come”. Comeremos todos farelos se deixarmos que a Grécia seja a nossa galinha.

Mas a saída da Grécia do sistema monetário não lança os gregos na miséria. Lança os gregos na miséria por comparação. Pois é. O que nos choca é que a Grécia possa vir a viver o que se vive diariamente na Nigéria, na Somália, no Bangladesh. Há muitos países onde a situação é muito pior do que a grega. Só que não estão à nossa porta. Nem os seus cidadãos são membros da direito da Comunidade Europeia. É que a saída do Euro não equivale à saída da Comunidade. A Grécia continua a poder exportar, comprar e vender. Mas poderá fazê-lo sem estar constrangida pela camisa de forças do Euro. A camisa de forças faz falta para que não aconteça o que vai acontecer quando a Grécia se vir livre dela! Há uma razão forte para que tenhamos todos aceite a camisa de forças, até os que não têm o Euro. E o pior é que vamos todos descobri-lo da pior maneira…

A Grécia pode ser o porta-aviões da economia barata a lançar petardos na “união” europeia. Pode tornar-se numa feira ladra dentro do Centro Comercial da moda. Pode ser o Cavalo de Tróia que nenhum anti-virus consiga deter.

Além disso, atirar milhões de gregos para a pobreza tem o condão de, com apenas um passe de ilusionismo, criar dentro de fronteiras milhões e milhões de cidadãos Europeus com carências enormes, que podem circular livremente e para quem um trabalho precário e mal pago noutro estado da União será muito bem vindo. E estes que jogarmos na pobreza, nem precisam de atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa… Já cá estão. E não haverá quem os possa deter. Para quê importar pessoas a quem tiraram toda a dignidade humana se as podemos criar na Europa, não é?

O sonho da Europa Unida acaba aqui. E pode ser ainda mais dramático. É que é possível imaginar um cenário em que a Grécia não se desintegra em pedacinhos como a Estrela da Morte do Star Wars no dia em que sair do Euro. Pode continuar a existir, para desespero dos que a querem fora da mesa. A sangrar, mas presente. Pode ser que o Pártenon não caia nem os alicerces do Olimpo tremam. Pode até ser que, saindo do Euro, o colapso interno humano e político seja demolidor mas, como acontece com todos as tragédias (e já as vimos de magnitude muito maior), a Grécia atinja um dado dia o “fundo do poço”. O dia seguinte a esse dia é o primeiro dia em que a Grécia recupera e mostra que nada é final no destino das nações. Que o diga a Islândia. Podem tardar 100 anos. Podem tardar 20. Ou podem tardar 10. Mas o dia em que os números da Grécia, independentemente de quão maus tenham sido até ao fundo negro fecal, invertam a tendência – e esse dia, diz-nos a matemática de Pitágoras, que chega – ficará marcado na pedra tumular da União Europeia do pós-guerra.

É isto que está em jogo. Sá a Alemanha parece ter esquecido. Portugal faz o papel do mete nojo, que bate só nos que já estão no chão. Há que rachar a conta, meus amigos, agora que todos comeram satisfeitos. “Quem com galinhas se mete farelos come”. Façam-se outras regras para o jantar que se segue. Mas não se pense que ao obrigar o Grego a sair por mau comportamento, ficamos rodeados de santos. É que ele sai da mesa, mas continuamos a comer farelos e a dizer que é lagosta…