Abertas as inscrições para a nova edição do Curso Livre – Templários e Templarismo

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INSCRIÇÕES ABERTAS

Aulas: Sábado 5 de Dezembro e Sábado 12 de Dezembro
Total: 20h

Nova edição do Curso “Templários e Templarismo I” na Universidade Lusófona.
Seguido de “Templários e Templarismo II”
Prof. Alexandre Honrado e Luis de Matos

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS, EDUCAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Universidade Lusófona – Lisboa

Informação: ihshi@mail.com

Universidade Lusófona Curso Livre – Templários

Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Templários no Além

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No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Novo Curso Arcana Templi

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Inscrições: ihshi@mail.com

O Instituto Gualdim Pais, em colaboração com o IHS-HI e com a Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolimitani Universalis (OSMTHU) vai promover mais uma edição do Curso de Instrução do Templo e da Cavalaria Espiritual, a ter lugar no dia 12 de Julho de 2015 em Sintra.

Excepcionalmente o Curso terá a duração de 8h (uma manhã e uma tarde), estando abertas as inscrições para cada uma das datas.

O Curso é composto pela Instrução Preliminar que é dada a todos os que ingressam na Ordem do Templo (OSMTHU), a qual aborda múltiplos temas relacionados com a histórica Ordem do Templo, bem como com a Cavalaria Espiritual como Via Iniciática, explorando a sua expressão Cristã reconhecida nos Templários, assim como na Ordem de Cristo, entre outras, bem como a sua história e sobrevivências até aos dias de hoje em múltiplos ramos.

O Curso faz ainda uma introdução ao que é a Instrução de Cavalaria, explanando os seus valores teológicos e iniciáticos, recorrendo a textos canónicos e documentos das diversas épocas.

Está sujeito a inscrição e todos os que o completarem são reconhecidos pela Ordem como aptos a propor-se para instrução mais adiantada e filiação na Festa de São Miguel, em Setembro de 2015.

Desde 2009 que não é possível filiar-se a este ramo da Ordem sem completar o Curso de Instrução preliminar, o qual é dado em ambiente restrito.

Após o Curso, a Ordem irá fechar de novo as suas portas até oportunidade futura que se venha a justificar.

Sobre o Ramo OSMTHU da Ordem do Templo

A Ordem Soberana e Militar do Templo de Jerusalém Universal é descendente da Ordem retomada por Fabré Palaprat em 1804, o qual trabalhou sob as Ordens de Napoleão, com o Chanceler da Ordem (e do Império), Cambaceres. Parlaprat foi igualmente Patriarca da Igreja Joanita, após ter sido ordenado Bispo na sucessão apostólica pelo Bispo Machaud. Ao longo do século XIX e século XX a Ordem teve uma história conturbada, essencialmente centrada em França e na Suiça. Após a morte de Parlaprat em 1838 a Ordem é dirigida por um Conselho de Regência. Em 1934 é eleito Regente Emile Vandenberg. Nessa época a Europa viva tempos difíceis e com o início da Segunda Guerra, os arquivos da Ordem foram colocados sob a guarda de um diplomata destacado na Bélgica. Quando a guerra acabou o Regente Vandenberg viu-se envolvido num acidente fatal e a continuidade da regência da Ordem foi assumida sem eleição pelo diplomata que havia guardado os arquivos anos antes. Os diversos Priorados tiveram reacções distintas a esta atitude não protocolar e, desde essa época vários se declararam autónomos da nova regência auto-proclamada. De 1945 em diante nasceu um ramo da OSMTH que não reconheceu durante décadas nenhuma autoridade a não ser as autoridades nacionais devidamente eleitas e cuja proveniência de Cavalaria pudesse ser verificada. Já na década de 80 constituiu-se uma Federação Internacional com o objectivo de preparar a eleição livre e universal de um Grão Mestre internacional. Este facto deu-se em 1999, tendo o espanhol Fernando de Toro-Garland sido eleito em sufrágio verificado por auditores externos à Ordem e proclamado em Santiago de Compostela. Pelo seu carácter internacional, o Conselho Magistral, órgão executivo internacional, decidiu acrescentar “Universalis” à designação da Ordem de modo a distinguir melhor dos outros ramos. Seguiu-se o Grão Mestre Antonio Paris, de Itália, para o período 2004-2009, que entretanto se retirou por motivos de saúde. Desde essa data o Conselho Magistral, liderado por Portugal, tem feito a gestão operacional e de instrução da Ordem sempre dentro de portas, de modo discreto e recatado que os tempos recomendam.

A OSMTHU não reclama ser descendente directa dos Templários históricos. Contudo reclama ter uma transmissão de Cavalaria Espiritual autêntica, aliada a uma expressão reservada da Ordenação Apostólica sob a autoridade espiritual de um Patriarca. Estes factos, em conjunto, bem como a sua história e tradição, colocam-na como uma real Ordem de Cavalaria Iniciática que se inspira nos valores e na história singular da Ordem do Templo para instruir e guiar os seus membros nos dias de hoje.

A Ordem procura não ter uma acção visível que possa ser confundida com expressões apócrifas dos Templários históricos, tão correntes nos dias de hoje. Tão pouco procura protagonizar uma restauração da Ordem original ou reclamar da Igreja de Roma qualquer tipo de perdão ou restauração anacrónica. Deste modo refugia a sua acção num pomo interior e só episodicamente aparece em público. Mudando-se os tempos poderão mudar-se os métodos.

Mais informações em Templar Globe: templars.wordpress.com

ou

templarsosmthu.wordpress.com

O Curso

O Curso terá lugar no dia 12 de Julho. Inicia-se pelas 10h e termina pelas 19h, com uma pausa de 1h30 para almoço livre. Será ministrado nas instalações do Instituto IHS em Sintra e, além da matéria própria do tema, terá uma sessão de perguntas e respostas e esclarecimento de dúvidas.

As inscrições são RIGOROSAMENTE LIMITADAS.

PREÇO

25 € para inscrições individuais

40 € para casais

Os membros da Ordem, sócios do Instituto Hermético, alunos do Curso “Templários e Templarismos” da Universidade Lusófona, bem como todos os que já fizeram o Curso em datas anteriores e desejam repeti-lo, terão uma redução no preço. Assim, o custo nestes casos será de 10 € para inscrições individuais e 15 € para casais.

Casos Especiais

Tendo em conta a situação económica actual, o Instituto e a OSMTHU decidiram disponibilizar uma inscrição a preço especial para Estudantes, desempregados e maiores de 65 anos. Se é o seu caso, refira esse facto no seu contacto.

Inscrições

As inscrições podem ser feitas para o email ihshi@mail.com, dando o nome, um email de contacto e a categoria de sócio ou não-sócio, inscrição individual ou casal. As inscrições serão tratadas por ordem de chegada.

Não esquecer: ihshi@mail.com

Sintra fecha o ciclo – O que vale a Pena

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Aos poucos, puxado pelos amigos que se iam inscrevendo e, por um motivo ou outro, não conseguiam estar presentes, fui acrescentando datas ao Calendário de Visitas das Aulas Livres. “Não conseguir ir à Pena! Quando é que vais repetir?”, diziam. “E a Regaleira?”, insistiam. Como não devo ter disponibilidade para repetir algo deste género nos próximos tempos, lá fui aceitando os desafios, semana após semana. Esta semana irá chegar ao fim o ciclo actual de Visitas e Aulas e já abordámos tantos temas e usámos os locais e edifícios históricos como pretexto para tanta filosofia que parece que estou a regressar a casa de uma longa viagem ao regressar à Pena! De Dante a Platão, de Pessoa a Lima de Freitas, de Percival a Galaaz, de lugar em lugar, ideia em ideia, questão em questão, enquadrando os lugares, as doutrinas, as perplexidades. Muito ficou por dizer e muito por observar. Mas a paixão pelos lugares ficou patente. E feliz fui ao ver a paixão compartilhada por tantos.

A eles, obrigado!

 

Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal

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Em pleno dia de Pentecostes acompanhámos o autor e ensaísta Luis de Matos, editor chefe do Templar Globe, numa visita guiada ao Palácio da Pena em Sintra. Terminada a visita pudemos trocar algumas impressões e fazer a entrevista que reproduzimos de seguida.

Templar Globe (TG) – Luis, dia de Pentecostes e visita à Pena. Coincidência?

Luis de Matos (LM) – Diz-me tu.

TG – Falou-se muito das Lendas do Santo Graal. Será por isso?

LM – Não. E sim. Há uma relação entre a Demanda do Santo Graal e o Pentecostes. De facto, a versão da Vulgata inicia-se com a celebração do Pentecostes no reino de Artur, data em que tradicionalmente se lançava tavolado e se armavam cavaleiros. Nesse dias esperavam-se sempre milagres e maravilhas. E o romance começa precisamente com alguns acontecimento que maravilham todos e com a armação de Galaaz, filho de Lancelot. Mas não é por isso que escolhemos a Pena.

TG – Outros motivos?

LM – Sim. Como sabes os meus deveres profissionais afastam-me muitas vezes de Portugal. Sou director de uma empresa na área da Digital Media e Tecnologias da Informação e, embora viva há mais de 30 anos na zona de Sintra, estou mais ou menos entre 1/3 e 2/3 dos dias do ano longe de casa. Poder regressar aos lugares que formaram uma ideia que tenho do mundo – e Sintra é um deles – é um privilégio. Por isso fui desenvolvendo alguns hábitos que tento manter religiosamente. Entre eles está fazer uma espécie de Peregrinação a lugares especiais do nosso país, mais longe de Lisboa, lá pela pausa de Julho. Não sei porquê, mas um mês antes das grandes feiras de videojogos como o Gamescom onde tenho de ir, há sempre ali uma ou duas semanas mais livres. Mantenho o hábito de aproveitar para conhecer melhor Portugal há uns anos. Quase sempre há amigos que acabam por ser arrastados e fazemos uma autêntica comitiva. Outras vezes aproveito para visitar amigos que estão longe e só comunicamos pelo Facebook. Já fiz passeios em estudo nessa época do ano a Braga, Lamego, São João de Tarouca, Carrazeda de Ansiães e uma boa parte das Beiras e Trás-os-Montes…

TG – Tu és de lá de cima.

LM – Sim, fiz a escola primária em Mirandela. Conheço bem Bragança, Chaves, Miranda, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros… Enfim, estar em Trás-os-Montes é estar em casa. Mas como o meu pai era da zona de Moimenta da Beira, a região de Lamego, Tabuaço, Douro e mesmo Viseu são lugares também enraizados na memória que gosto de revisitar. Durante algum tempo andei por ali todos os anos à procura das memórias das famílias que fundaram a nacionalidade. O Vale do Sousa é muito especial, com uma herança românica única. A cidade do Porto também tem muito que se lhe diga.

TG – És tripeiro…

LM – Sou. Não do ponto de vista futebolístico. Não tenho clube. Mas sou do Bonfim, ali sobre Campanhã onde tinha nascido o Mestre Agostinho [da Silva].

TG – Mas essas visitas são em Julho. Ainda estamos em Maio…

LM – Estou a desviar-me! Outro hábito que tenho é comemorar as Luas Cheias de Carneiro – que coincide com a Páscoa, de Touro e de Gémeos. Não é uma questão astrológica, mas sim tradicional. São três momentos muito particulares no ciclo anual. A última coincide muitas vezes com o Pentecostes. Como tenho responsabilidades em algumas organizações de matriz religiosa, a Páscoa é quase sempre comemorada seguindo a liturgia Cristã. E por ser Chanceler Internacional de uma Ordem de inspiração Templária, o Pentecostes é sempre marcado por algum tipo de actividade. Ora, este ano, devido a uma questão de calendário pessoal, que se definiu muito tarde para Maio e tendo-se dado a feliz coincidência de ter terminado o Curso Livre na Universidade Lusófona sobre Templários e Templarismo há poucas semanas e os meus alunos me terem desafiado para lhes guiar uma visita a Tomar, decidi juntar o útil ao muito agradável e, com eles, com o apoio do Instituto Hermético na divulgação e da OSMTHU, fazer um curto ciclo de visitas como costumo fazer em Maio/Junho.

TG – Então esta não é a primeira.

LM – Não. Começámos em Tomar em Abril, apenas para alunos do Curso. Depois aproveitei então o bom tempo e os Domingos, porque estou sempre em Lisboa ao Domingo e marquei uma visita ao Mosteiro dos Jerónimos, esta ao Palácio da Pena e no próximo Domingo à Quinta da Regaleira, com o Luis Fonseca.

TG – E vai haver mais?

LM – De momento penso que não. Não podemos abusar da paciência das pessoas! Penso em associar-me à festa de São João, que também costumamos fazer em Santa Eufêmea, em Sintra em Junho e talvez mais próximo da tal pausa de Julho (se houver este ano!), logo se vê o que programa. Mas não há mais planos de momento.

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TG – Qual é a relação destas visitas com a Ordem dos Templários a que pertences.

LM – Como sabes o Templar Globe é o órgão de divulgação principal da Ordem Internacional. Fui eu que o fundei e é um lugar de troca e publicação de informação credível sobre os Templários – antigos e modernos. Ultrapassámos há muito o milhão e meio de visitas. Por isso faz parte integrante do modo de comunicar da Ordem. Em geral, tudo o que eu faço pessoalmente relacionado com o tema Templários tem a cobertura do Templar Globe que o divulga através dos grupos do Facebook e internacionalmente. As Comendadorias de Sintra e de Lisboa são importantes bases de apoio ao estudo e actividades da Ordem. Deste modo, o que eu faço, divulgo ou publico sobre os Templários é coerente com o que a Ordem faz. Não confessional nem prosélito, no sentido em que não uso publicações e visitas para cooptar ninguém para a Ordem. Pelo contrário. Há sempre pessoas que me perguntam sobre como entrar na Ordem e eu recomendo-lhes sempre que visitem o site oficial e escrevam um mail para lá. O tema não é a Ordem em que eu estou e onde me sinto bem e onde gosto de trabalhar, mas sim os Templários como Ordem histórica e ideário já muito preenchido de mitos e lendas. Não é uma questão de aumentar fileiras. Bem pelo contrário! O que faço – isso sim – é usar os eventos, publicações e visitas para procurar entusiasmar os que as procuram, a estudar por si mesmos, pensar por si mesmos e concluir por si mesmos. E isso é instrução vital para quem esteja numa Ordem Templária, moderna ou antiga. Mas é também fundamental para quem não esteja em Ordem nenhuma! Ou seja, as actividades públicas que faço são coerentes com o que defendo sobre o mundo iniciático e, nesse sentido, são apropriadas para membros das Ordens a que pertenço, das Ordens a que não pertenço e dos que não querem ser membros de Ordem ou Religião alguma. Há momentos para tudo na vida. Seria matar o propósito das visitas fechá-las a um ramo da grande família fraternal ou usá-las para cooptar gente. Sei que os membros da Ordem Templária aproveitam as visitas para aprender. Mas não se esgota aí. O Curso Livre da Lusófona é outra coisa bem diferente.

TG – Não está afiliado à Ordem?

LM – Absolutamente não. Enquanto na Ordem a aproximação ao tema Templário é na perspectiva da Cavalaria Espiritual como um modelo de comportamento e estudo pessoal, com os seus temas, paradoxos, meditações, objectivos, desafios e imperativos de compromisso interior e com o próximo, o Curso na Universidade é académico. Explora a história da Cavalaria, na qual os Templários se inserem, todo o contexto religioso e depois a história dos diversos movimentos que se foram inspirando nos Templários desde o século XIV ao século XX.

TG – Qual é a diferença?

LM – No primeiro caso estuda-se a doutrina com o objectivo de adoptar as ideias e integrá-las num modelo de comportamento pessoal como via de relação com o divino. No segundo estudam-se as ideias, a suas evolução, de onde surgem e que impacto tiveram na história, na arte, na religião. No primeiro caso vivem-se os Mitos. No segundo conhecem-se os Mitos, as suas origens, o seu arquétipo e o modo como Mito é usado para impulsionar vontades e acontecimentos, sem necessidade de os viver ou acreditar no seu “nada que é tudo”.

TG – E os alunos do Curso da Universidade Lusófona não têm expectativas diferentes de cada visita?

LM – O tema é o tema. Cada um percepciona-o como entende. Creio que as expectativas não são goradas, porque nas visitas estão todo o tipo de pessoas. Os meus livros têm leitores de todo o género. Não sou um autor para apenas um grupo como muitos dos meus colegas autores. Alguns só são lidos nos círculos Maçónicos. Outros só são lidos nos círculos de Nova Era. Outros só são lidos entre duas paragens em bombas de gasolina. Outros só são lidos por académicos. Outros por leitores que não se filiam em nada. Eu tenho uma base de leitores que abarca todos estes grupos e grupo nenhum. O mesmo se pode dizer dos que vão às minhas visitas ou conferências. Procuro não ter uma linguagem “confessional” e proselitista. Não estou a recrutar. Não estou mesmo. Deixem-me em paz. Já tenho muito que fazer. Por isso, ao não ter uma “agenda”, ao não querer promover mais do que o livre pensamento e despertar nos outros a mesma paixão sobres os temas ou lugares que eu mesmo tenho, sem ataduras ou molduras doutrinais, tomo os assuntos de modo que cada um que me ouça ou leia possa tirar o que melhor lhe parecer para a sua busca livre. É seguir as palavras que ouvi ao Mestre Agostinho: “o que importa é gostar do que se faz e ser-se contagioso no entusiasmo”. Por isso, creio que os meus alunos não poderão dizer que lhes tentei impingir doutrinas ou códigos e por isso não creio que as expectativas que tivessem possam ter sido goradas. Espero, isso sim, que os tenha motivado e lerem-me e a deitarem fora os meus livros, trocando-os por coisas ainda melhores.

TG – Mas ao seleccionar um tema como a Demanda do Santo Graal para a Pena já é dar um mote doutrinal.

LM – De modo algum. Foi Strauss que disse “Eis o jardim de Klingsor e o Castelo do Santo Graal” quando esteve em Sintra. Isso acontece porque reconheceu o cenário no qual as óperas de Wagner se desenrolam. Curiosamente Parzival de Wagner é de 1882 e o Palácio da Pena de 1840. Quem inspirou o quê? Quem é percursor do quê? Neste caso o que é evidente é que o mesmo tipo de imaginário que inspirou Wagner tinha já inspirado D. Fernando II.  O facto de ambos terem tido contacto com círculos iniciáticos muito próximos pode ajudar a explicar a coincidência. Mas a associação da Demanda à Pena não é uma questão doutrinal. É uma questão de facto.

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TG – Então onde é que o Luis traça a linha limite.

LM – Traço a linha limite na interpretação desses factos. Ao fazer uma visita destas procuro dar aos meus companheiros de tarde uma boa história. Como se nos juntássemos à volta de uma fogueira e partilhássemos aventuras. Nas visitas tento não falar só eu. Também quero ouvir e aprender. Estão ali muitos pares de olhos que conseguem ver o que eu não vejo e sabem o que eu não sei. O que já aprendi nestas visitas! Ui! Eu o que posso dar é o referencial que não se encontra logo disponível. Interesso-me por estes assuntos, sempre os mesmos, há tanto tempo que algumas coisas foram ficando consolidadas. Lá diz o ditado “O Diabo sabe tanto, mais por ser velho do que por ser Diabo”. Ao manter sempre a mesma linha, acabo por ir construindo uma mundividência só minha, concreta e definida, consistente. É essa experiência que devo partilhar, poupando tempo a quem me acompanha, para que disponham logo de dados relevantes para que façam a sua mundividência eles mesmos. Saber, por exemplo, que D. Fernando II era maçon ajuda a entender algumas coisas. Mas saber que ele se filiava numa Maçonaria alemã de raiz ligada à antiga Estrita Observância Templária reformada, ajuda a perceber o seu interesse pelo pintor Nicolas Poussin e as particularidades que se encontram nos pratos de Cifka. A interpretação desses elementos já são outros “quinhentos”, por assim dizer. É aí que eu traço a linha. Se me fizerem perguntas sobre a interpretação, não deixarei de responder, sublinhando que é a minha interpretação. Mas o que encorajo é a que cada um procure saber mais. Toca a “googlar” Cifka, Estrita Observância e Nicolas Poussin. Não me perguntem o que quer dizer. Descubram! O mais difícil está feito.

TG – Foi assim no Mosteiro dos Jerónimos?

LM – Claro. Um livro incontornável é “A História Secreta de Portugal” do António Telmo, onde se faz um primeiro exercício de interpretação de muitos dos elementos iconográficos. Mas eu não vou aos Jerónimos explicar António Telmo. Ele é auto-explicativo. Compra-se o livro, lê-se, até se pode fazer a visita com o livro na mão e temos lá o que pensava António Telmo. O que importa é dizer que não foi só António Telmo que pensou os Jerónimos. Importa chamar a atenção para o trabalho sobre o simbolismo do Manuelino do Paulo Pereira, para o célebre programa que a RTP passou da autoria do Manuel J. Gandra e do António Carlos de Carvalho nos idos dos anos 80, para algumas linhas escritas e particularmente os painéis do Rossio do Mestre Lima de Freitas e, já noutro plano, para todo um acervo mais recente de autores como Eduardo Amarante, Paulo Loução, entre muitos outros. Assim sim. Assim já temos uma base para “navegar” os claustros. Há informação de qualidade, há especulação, há teses distintas. É isso que serve o visitante. Serve-lhe saber onde há-de ir procurar para fazer a sua própria visita e a sua construção simbólica sobre os Jerónimos.

TG – Então não se ficou a saber o que o Luis pensa?

LM – O que o Luis pensa é muito útil ao Luis. Mas é pouco útil a quem quer compreender – no sentido bíblico de circunscrever e apreender – por si. Não quero que venham ver-me fazer sapatos, que eu não sou sapateiro. Quero que, ao explicar os sapatos, alguns saiam das visitas a querer ir experimentar fazer um par! Uma vez ou outra, lá vou dando a minha orientação temática, porque o tema está lá e fala-se pouco dele. Por exemplo, um tema fascinante nos Jerónimos é o dos túmulos vazios. Até D. Sebastião lá está! Eu tenho opinião e conto algumas histórias. Mas o essencial é apontar por onde procurar mais informação e pontos de vista inusitados ou inabituais. Acho que é disso que as pessoas mais gostam. Uma história bem contada é um apontador.

TG – E no Palácio da Pena, que temas costumam passar despercebidos.

LM – Muitos. Mesmo muitos. Tal como com os Jerónimos há uma visão mais ou menos consagrada da Pena que ignora muitos detalhes. E é no detalhe que está o tesouro. Sim, Parque e Palácio estão relacionados com a Demanda do Graal. Mas que Demanda? Há várias versões, várias linhas tradicionais. Qual delas? Que elementos estão ali expressos? E que outras correntes são determinantes para a Pena tal como a conhecemos hoje? Passa-se ao lado de quase tudo. Um tema fulcral, por exemplo, é o de saber se havia ali um Convento ou um Mosteiro. Não é tudo a mesma coisa… Outro tema é conhecer a Ordem Hieronimita, o que poderá surpreender os mais desatentos. Outro ainda, sobre o qual nos debruçámos nesta última visita, é o dos vitrais. Os da Capela são de tal modo importantes que foram feitos logo em 1840, ano do início das obras. Fazem, portanto, parte dos planos iniciais e aquilo que neles se expressa será fundamental – no sentido mesmo de fundação. Mas mesmo a colecção de esparsos reunida no Salão Nobre não é aleatória e apresenta bastas razões para uma reflexão cuidada. É mais um apontador pouco referenciado.

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TG – O que podemos esperar para a Quinta da Regaleira.

LM – Tudo.

TG – Tudo?

LM – Apontadores. O 515 pode ser logo tratado. Basta 1 minuto e está. A questão Maçónica já foi muito bem ponderada pelo José Anes. Mais um par de minutos e fica o apontador. Quase todos os que vão ou já leram, ou podem vir a ler em breve o livro. Outro apontador é o do Manuel Gandra que publicou informação relevante sobre a colecção camoniana de Carvalho Monteiro, agora em Washington. Isso toma mais uns minutos. Noutro plano, naquele espaço não se pode ignorar o trabalho do Victor Adrião, que já estuda a Quinta desde há muitos, muitos anos. Trabalho extenso, documentado e detalhado. Mais um par de minutos. Como é costume não direi nada sobre o autor, mesmo sabendo que não é recíproco! Em menos de 20 minutos os apontadores mais conhecidos estarão dados. Perfeito. Será então hora de por isso tudo numa pastinha, fechar e ver em casa. Porque chegou a hora de, isso sim, fazer o que se deve fazer naquele jardim: passear. Deixar-se levar. Deixar-se encantar. Viver a tarde. Olhar o detalhe, deixar a evocação surgir à superfície do consciente. É um jardim iniciático. Comece-se a iniciação.

Fotos: Sunana Ferreira (c) 2015

Texto: TG (c) 2015

Aula Livre – Quinta da Regaleira

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A Quinta da Regaleira e os seus Jardins Iniciáticos e Palácio, está situada na encosta da Serra de Sintra e a escassa distância do Centro Histórico. O seu construtor, Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, deu à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. Modelou o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.

Homem de grande cultura clássica, Carvalho Monteiro era dono de uma excepcional colecção camoniana. A mitologia greco-romana, as visões infernais de Dante e os ecos de um passado distante de misticismo e deslumbre acompanham o visitante que queira decifrar os mistérios de jardins e cavernas, num viagem ao interior da alma.

A visita terá lugar no dia 31 de Maio, iniciando-se pelas 14h30 e terminando 19.00h, sendo guiada por Luis de Matos e Luis Fonseca* (ver: universatil.wordpress.com).

As inscrições são limitadas e devem estar concluídas até dois dias antes da visita por imposições logísticas da própria Quinta.

A visita tem um custo de 10€ por pessoa + entrada no monumento** (ver preços de admissão ao monumento em: regaleira.pt)

Inscrições prévias: ihshi@mail.com

* Luis de Matos é autor, entre outros de “A Maçonaria Desvendada – Reconquitar a Tradição”, “Quero Saber – Alquimia” e “Breve Memória sobre a Ordem do Templo e Portugal”; Luis Fonseca é autor de, entre outros, de “Perit ut Vivat” e “A Doutrina Cristã Esotérica”.

** para alunos do Curso Livre Templários e Templarismo da Universidade Lusófona, bem como membros da OSMTHU a visita é gratuita e apenas devem pagar a entrada no monumento, contudo DEVEM INSCREVER-SE de modo a garantir a participação.

Teasers para o Curso Livre – Templários e Templarismo na Universidade Lusófona

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Parte 1 – A Cavalaria – Da Milícia armada à Milícia de Cristo

– A Cavalaria Origem, fundamentos, contexto; Heranças: a Instituição, Equites Romano, invasões bárbaras; migração da Tradições Oriente para Ocidente, do homem armado a cavalo ao Cavaleiro; Heranças: Metafísica, migração do ideário de Cavalaria da Ásia para a Europa pelo Médio Oriente (séculos VI a XI); Cruzadas; a Nova Milícia de Bernardo de Claraval

– Templários O Cavaleiro-Monge; motivações, fundamento espiritual, a simbólica, raízes Bíblicas do arquétipo, veterotestamentárias e neotestamentária, raízes tradicionais e os três votos, raízes esotéricas e iniciáticas, o selo templário

– Cristianismo Esotérico História do Cristianismo e heresias (gnosticismos, maniqueísmo, catarismo); Cristianismo Copta; Escola de Alexandria, fundamentos, tratados e teologia; Islão Místico; Pontes entre Templários, Cristianismo Copta e o Islão; Noção da Gradação na Exegese Bíblica, três níveis e três Igrejas; a corrente Joanita e sua simbólica; Jerusalém e a Nova Jerusalém

– Traços de Cristianismo Esotérico na Ordem do Templo Arquitectura, iconografia, literatura, liturgia.

Parte 2 – A Nova Cavalaria – Dos Templários aos Neo-Templários – Fundamentos Iniciáticos A Pirâmide Social e as Vias Iniciáticas

– Sobrevivências históricas (1317-1319) Montesa, Calatrava e Alcântara, São João, Teutónica; Míticas: as lendas, Escócia, Arménia; o caso Português, Ordem de Cristo, papel da Ordem de Avis, o século XIV do Templo.

– Século XVIII Surgimento da Maçonaria Especulativa, breve história e contextualização, papel da Nobreza, tutela Cavaleiresca; Estrita Observância Templária; Ordem da Águia Negra e Ordem de São Lázaro; Rectificação da Maçonaria (Wilhelmsbad, 1778); criação da Lenda Templária, Discurso de Ramsey, Escocismo, templarismo maçónico e sua origem, consolidação da lenda no século XIX e XX.

– Século XIX Fabré Palaprat e a OSMTJ; a Ordo Templis Orientis e o seu contexto esotérico

– Século XX Efeito das duas Grandes Guerras nos movimentos esotéricos: Maçonaria, Martinismo, Templários; Pós-Guerra e noções de uma Era de Aquário; Neo-Templarismo e seus ramos: da Ordre Renové du Temple ao Templo Solar; Outras linhas neo-Templárias: corrente teosófica, rosicruciana e martinista.

– Século XXI Retrato do panorama actual.


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Suicídio colectivo ou assassinato? Ecos do Templo Solar

Os noticiários abriram em choque naquele dia de Outubro de 1994. Meia centena de membros de um grupo neo-Templário foi encontrado morto em múltiplos locais na Suíça e no Canadá num aparente pacto de suicídio colectivo. Ainda decorriam investigações quando novo massacre levou a vida a mais 16 pessoas, três das quais crianças, em Dezembro de 1995, desta vez em França. A década não terminaria sem que novo grupo protagonizasse idêntico pacto no Canadá.

Passadas duas décadas ainda se colocam muitas perguntas sobre as tragédias. O que motivou o pacto? Qual era o conteúdo doutrinal da OTS? Tratava-se de uma seita ou de uma nova expressão de religiosidade? Qual a sua origem e influências. Qual a sua herança nos dias de hoje? A Ordem do Templo Solar entrou já no folclore esotérico-ocultista, com expressões como “trânsito para Sirius” ou “suicídio colectivo” indelevelmente associadas ao fatídico grupo, que tomou os Templários como modelo. Uma tragédia esquecida que vale a pena conhecer. Suicídio colectivo ou assassinato? Venha conhecer a resposta.


troca2Em 1319 D. Dinis consegue concluir favoravelmente as negociações com o Papa João XXII em Sé de Avignon, para a “criação” da nova Milícia de Cristo. Os bens e homens da suspensa Ordem do Templo não passam directamente para a Ordem de Cristo.

Apesar da astúcia do monarca, a evidente desconfiança do pontífice aconselhava a algumas cedências. Efectivamente a sede da nova Ordem foi o castelo de Castro Marim, no Algarve, longe da Tomar Templária. Do mesmo modo a nova cruz, por imposição papal, levará uma cruz latina branca sobreposta, em sinal da bênção apostólica. De modo a “renovar” a direcção da Ordem, D. Dinis procede a uma inteligente manobra de trocas, usando a Ordem de Avis, pelo que o novo Mestre da Milícia de Cristo será o antigo Mestre Martins da Ordem de Avis, entrando em Avis Mestre Martins, antigo chefe do Templo em Portugal, bem como a vasta maioria dos líderes militares Templários do reino.

Terá influência na história a conversão de Avis no reduto último do Templo em Portugal? Qual será a dinâmica entre a recentemente criada Ordem de Cristo com os bens Templários, a Ordem de Avis com a antiga liderança Templária e a Coroa ao longo do século XIV? Estando as pedras no tabuleiro da história desfavoráveis ao Templo e a Avis no início do século, como irão ambas as Ordens terminar um dos séculos mais emblemáticos da história de Portugal?


02 - LUIS DAVID - Coroação de Napoleão

Napoleão Bonaparte e o Templarismo

“Da turbulência criada pela Revolução Francesa, um “filho da Revolução”, Napoleão Bonaparte, subiu ao poder, prometendo difundir os ideais da Revolução para toda a Europa. Depois de conquistar a maioria da Europa continental, fez-se proclamar Imperador. Nesse mesmo ano de 1804, uma nova forma de Templarismo apareceu. A “restaurada” Ordre du Temple [de Fabré Palaprat].

Por motivos só seus, Napoleão Bonaparte aprovou esta “restauração”, tendo mesmo autorizando uma grande cerimónia em Paris, em honra de Molay e todos os outros mártires Templários. Napoleão, ao se tornar imperador, criou uma nova nobreza. Talvez tenha visto esses novos templários como servindo de contrapeso às lojas maçónicas, de quem desconfiava, devido ao seu radicalismo político. Em 1808, através do recrutamento agressivo, a nova Ordem tinha estabelecido Priorados e Comendadorias na maior parte do Grande Império, incluindo Itália e Suíça. Laços com suas origens maçónicas foram cortados, proclamando esta Ordem do Templo a sua autonomia e adesão à religião Católica Apostólica Romana.” [in: comentário num fórum sobre neo-Templarismo]

Quem foi Fabré-Palaprat? Qual o seu papel nos “ressurgimentos” da Ordem do Templo? Onde fundava Palaprat o seu legado? Documentos? Histórias? Mitos?


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“Os Templários são os mais excelentes soldados. Vestem um manto branco com uma cruz vermelha e quando vão para a guerra levam à sua frente um estandarte de duas cores chamados balzaus. Cavalgam em silêncio. O primeiro ataque é o mais terrível. Na contenda são os primeiros a entrar. Na retirada – os últimos. Aguardam as ordens do seu Mestre. Quando prontos para a batalha e a trombeta soou, cantam em coro o Salmo de David: “Não a nós, Senhor” ajoelhados no sangue e no pescoço do inimigo, a menos que tenham forçado as suas tropas à retirada completa, ou as tenham totalmente quebrado em pedaços. Caso algum deles, por qualquer motivo, virar as costas para o inimigo, ou sair vivo [de uma derrota], ou pegar em armas contra os cristãos, ele é severamente punido; o manto branco com a cruz vermelha, que é o sinal de sua cavalaria, é retirado com desonra. Será expulso da sociedade dos irmãos, e come sua comida no chão, sem guardanapo, pelo período de um ano. Se os cães o molestam, ele não se atreve a afastá-los. Mas no final do ano, se o Mestre e os irmãos pensam que a sua penitência foi suficiente, devolvem-lhe o cinto de cavaleiro”. [Relato de peregrino a Jerusalém, citado em “The New Knighthood”, por Malcolm Barber


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“A decisão de restabelecer os Cavaleiros Templários e, portanto de fundar a Ordem Renovada do Templo, foi tomada por mestres ocultos da tradição, a 5 de Fevereiro de 1962. A primeira etapa de uma longa preparação deu-se em 1968, com o encontro de Raymond Bernard e de um misterioso Jean, descendente dos reis de França, com o “Cardeal Branco”, um dignitário secreto do Templo. Foi ele que transmitiu na Cripta Ferrata, uma cripta secreta da Abadia de San Nilo, num bairro de Roma, a ordenação e a missão de despertar a Ordem, ordenação por sua vez confirmada em Chartres. Esta é a história alegórica de Raymond Bernard, que muitos infelizmente têm tomado de modo literal.

Quando publicou sua “aventura” em 1968, Raymond Bernard transmitiu a ordenação “templária” que teria recebido perto de Roma, a dois dos seus mais próximos, Raymond Devaux e Julien Origas, na cripta da Catedral de Chartres. Dois anos depois fundou a Ordem Renovada do Templo de que será até 1972 o Grão-mestre secreto. A Ordem desenvolve-se primeiro no seio da AMORC [organização de tradição Rosacruz], permitindo-lhe contar em alguns meses com quase mil e quinhentos membros.” [Sérge Caillet, autor de “L’Ordre Rénové du Temple”] Quem foi Raymond Bernard? Quais as fontes documentais que substanciam os seus relatos? Que encontro secreto se deu em Roma e quem era o Cardeal Branco? Que relação há entre os encontros de 1968-70 e o Priorado de Sião, trazido à luz já nos anos 80? Estamos no domínio da História, ou do Mito Urbano?


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“Subsolo.

A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo — a mais sublime de todas do mundo.

Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Nãos se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também.» E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras.

Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros—chamemos-lhes sempre assim — não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo. Os seus cavaleiros são ligados uns aos outros pelo simples laço de serem tais, e assim são irmãos, não sócios nem associados. São irmãos, digamos assim, porque nasceram tais. Na ordem de Cristo não há juramento nem obrigação.

Ela, sendo assim tão semelhante à Fraternidade em que respira, porque, segundo a Regra, «o que está em baixo é como o que está em cima», não é contudo aquela Fraternidade: é ainda uma ordem, embora uma Ordem Fraterna, ao passo que a Fraternidade não é uma ordem.”

s.d.

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética – Fragmentos do espólio . Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. – 47.

A que Ordem se referia Fernando Pessoa? Qual a sua relação com aquela a que chama a “Ordem Templária de Portugal”? Que outras referências há na sua obra a um Templarismo subjacente à história mítica de Portugal?


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“A tomada de Jerusalém foi extremamente sangrenta. A quase totalidade dos habitantes – muçulmanos, judeus e, até, cristãos orientais – foi massacrada. Segundo a Gesta Francorum, um livro de autor anónimo que se crê ter sido escrito por um cruzado, diz que “a carnificina foi tão grande que os nossos homens caminhavam em sangue até aos tornozelos”.

Tomada a cidade, o poder foi entregue a Godofredo de Bolhão. Depois de re cusar o título de rei, dizendo que jamais usaria uma coroa de ouro na cidade onde Nosso Senhor usara uma coroa de espinhos, viria a aceitar apenas o título de Protector do Santo Sepulcro. Infelizmente, porém, o “reinado” de Godofredo durou pouco. Uma estranha doença, que muitos consideraram consequência de um envenenamento, matá-lo-ia em 1100. Desta forma, foi o seu irmão Balduíno a assumir o poder. Sem os pruridos de Godofredo, aceitou a coroa e o trono de Jerusalém como Balduíno I.

Após a morte sem deixar descendência de Balduíno I, o reino de Jerusalém atravessou uma fase complicada. A primeira ideia foi entregar a coroa a Eustáquio, irmão mais velho de Godofredo e de Balduíno. As movimentações de Joscelin de Courtenay, porém, levaram a um volte-face. No trono acabaria Balduíno de Bourcq, primo dos dois irmãos, que reinaria como Balduíno II.

Seria este monarca a receber, logo no seu primeiro ano no trono, a visita de Hugo de Payens que, com outros oito cavaleiros do condado de Champagne, se foi oferecer para garantir a segurança nas estradas para a Terra Santa dos peregrinos cristãos que, provenientes da Europa, pretendiam chegar a Jerusalém. Os ataques dos salteadores (não apenas muçulmanos mas, em muitos casos, também cristãos) faziam inúmeras vítimas e, apesar de múltiplas tentativas, nunca os cruzados tinham conseguido garantir a segurança da costa até à cidade santa.

Balduíno aceitou a proposta e entregou aos nove cavaleiros instalações no Monte do Templo, no local onde, diz a tradição, estariam instaladas as cavalariças do rei Salomão. A localização das suas instalações originais viria a justificar parte do nome da ordem.”, in Revista Focus [José Colaço]


Castelo Soure

“Segundo o frei Bernardo da Costa, na sua História da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo publicada em 1771, foi na Fonte Arcada que os templários instalaram a sua primeira sede em território português. Tal facto leva a colocar em dúvida a possibilidade de, nessa primeira fase, o seu principal papel ser militar – já que Penafiel ficava bastante longe da frente de combate contra os mouros.

Dois anos volvidos, a sede dos templários muda de local e, agora sim, parece ter já um papel militar. As instalações ficam, agora, no castelo de Soure, também doado por D. Teresa. Situado na confluência de três rios (Arunca, Anços e Arão, todos afluentes do Mondego), Soure funciona como guarda avançada à cidade de Coimbra. Por curiosidade, será às portas deste castelo que, em 1144, os templários sofrem uma das suas mais pesadas derrotas em Portugal, perante as tropas de Abu Zakaria, vizir de Santarém.

A lista, a partir daqui, engrossa rapidamente – muito em especial após a independência e a subida ao trono da dinastia de Borgonha. Esta simpatia dos descendentes do Conde D. Henrique pela Ordem do Templo poderá estar relacionada com a proximidade entre a nobreza da Borgonha e a de Champagne – de onde vieram os templários originais – ou com o facto de o grande ideólogo do templarismo, Bernardo de Claraval, ser ele próprio um borgonhês de nobres famílias.” in Revista Focus [José Colaço]


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“No dia 22 de março de 1312, o papa Clemente V dissolveu a Ordem dos Templários, alegando degeneração e heresia. A ordem havia sido criada em Jerusalém, em 1118, para proteger os peregrinos, mas acabou virando uma das mais poderosas e misteriosas organizações da Idade Média.

Tesouros afundados, atos heróicos, ritos religiosos secretos e uma forte crença comum: este o material de que são feitos os mitos. A Ordem dos Cavaleiros do Templo era uma das mais poderosas e enigmáticassociedades secretas da Idade Média.

Fundado em torno de 1119, em Jerusalém, por cruzados franceses, o grupo nasceu para proteger peregrinos cristãos que empreendiam a longa e perigosa jornada até a Terra Santa. Séculos mais tarde, o tema dos templários foi enfocado por Umberto Eco em seu livro O Pêndulo de Foucault.

Com rituais de iniciação, voto de pobreza e uma dedicação espartana, os templários se tornaram monges-guerreiros, detentores de profundo conhecimento esotérico e donos de enorme fortuna.”, in Folha de São Paulo, 2007

Que incorrecções estão expressas neste artigo? Qual foi então a história da fundação, ascensão e queda dos Templários? Como foi a sua tragédia tomada como um exemplo que inspirou inúmeros pelos séculos dos séculos?


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“Por meio de longas e inomináveis sessões de torturas, foram arrancadas dos prisioneiros confissões detalhadas, confirmando quase a totalidade das acusações. O rolo de pergaminho contendo a transcrição dos interrogatórios de 1307 chega a vinte e dois metros e vinte centímetros. Confessaram práticas bizarras. Certamente, aquilo que constava nos altos de acusação. Admitiram que, durante os ritos de iniciação, renegavam Cristo três vezes e cuspiam no crucifixo. “Os noviços “eramdesnudados e beijados in posterior parte” spine dorsi”; ou nas nádegas, e no umbigo e nos lábios. Terminada a cerimónia começavam uma orgia. Qual a sustentação real das acusações? Em grande parte surgiram de preconceitos, catalogados por Guilherme de Nogaret.

O mistério com que os Templários protegiam seus castelos alimentava a desconfiança popular há tempos. Circulava a suspeita de que, devido a aparente riqueza da Ordem, produziam ouro por meio da alquimia.

Num primeiro momento, o papa hesitou em cumprir o pedido de Filipe, o Belo, que desejava a imediata extinção do Templo. Mas suas relações com os Templários estavam abaladas. Recentemente, havia entrado em conflito com o mestre Jacques De Molay. Clemente V, preocupado com a inatividade dos freires franceses, pretendia chegaram a organizar uma cruzada, que seria conduzida por Carlos de Valois, irmão de Filipe, o Belo, e que reuniria Templários e Hospitalários na mesma campanha. Aparentemente, seu verdadeiro objetivo era fundir as duas confrarias (Almeida, 1910: 333). O mestre De Molay, desconfiando das intenções do pontífice, recusou-se a dar prosseguimento ao plano.” in Os Templários no Seu Auge, por Carlos Navarro


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“Não é de estranhar que D. Gualdim Pais tenha feito edificar monumentos que apontassem claramente um referente mítico, imitando a imagem do Santo Sepulcro de Jerusalém ou da Cúpula do Rochedo, ambos templos de planta centrada. Convém esclarecer que, uma “cópia” ou “imitação” arquitectónica funcionava sempre de um modo muito vago no quadro da representação medieval, chegando a encontrar construções bastantes diferentes, mas com significados similares, e outros praticamente idênticos, contudo, com funções distintas. A dita “cópia”, observa Paulo Pereira, não passava, portanto, de um jogo onde se procurava aproximar uma ou mais características fundamentais do edifício-modelo e em Tomar encontramo-lo certamente na sua planta centralizada. Deste modo, transpunham-se as barreiras geográficas, económicas e culturais com a construção de um templo que evocasse outro, mesmo com uma distância considerável a separá-los. Ao construir a Charola, os Templários tinham como objectivo simbólico a realização da chamada “viagem ao centro” ou “orientação espiritual”, conseguindo assim atingir “uma vitória sobre o espaço e sobre o tempo, visto que o seu objectivo se identifica ritualmente com o Objectivo supremo, com o centro supremo, (…) com a Jerusalém celeste e a Igreja”.

Desta forma, pode-se aludir que a charola templária tenta representar os dois principais edifícios de Jerusalém medieval: o Templo de Salomão, que não é mais do que o reflexo da Cúpula do Rochedo e o Santo Sepulcro.” in Carlos Emanuel Sousa Santos, “Charola Templária de Tomar: Jerusalém Perdida”