Templários no Além

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No próximo Sábado vou falar acerca dos Templários no Bar do Além, em Alenquer e espero poder dizer algumas coisas novas. Mais informações em baixo:

“A Ordem do Templo em Portugal por Luís de Matos. Novas revelações e perceções sobre os Templários em almoço debate da Tertúlia do Bar do Alem, em Alenquer, sábado 24 de Outubro de 2015, com início as 12h. Inscrições ao preço de 20€/pax incluindo a refeição completa e respetivo IVA, exclusivamente pelo e mail bar.do.alem@gmail.com”

http://bardoalem.blogspot.pt/

Lançamento na Casa do Fauno

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No dia 10 de Outubro lá estive na Casa do Fauno, em Sintra, para apresentar o meu último livro. Foi uma sessão muito concorrida e longa porque o público não me deixava avançar, à medida que íamos explorando os mistérios Templários ligados com Portugal. Dei espaço para que todos pudessem contar o que tinham lido sobre o tema, de modo a bem estabelecer se o que trazia agora a público era coisa nova ou se estávamos a requentar o que já todos sabemos há tanto tempo! E, ao que parece, os que estiveram presentes gostaram das novidade. Eu pessoalmente achei um dos lançamentos mais tranquilos que tive. Desde já agradeço a todos.

Entretanto, os livros disponíveis no dia, acabados de chegar da Amazon onde foram impressos, continham algumas gralhas que me irritaram a tarde toda! Algumas eram só letras trocadas, mas há dois mistypes (que acontecem quando estamos a pensar uma coisa e escrevemos outra). Então não é que 1415 dada como a data de conquista de Goa, quando é obviamente Ceuta! Irra!

Sabedor destes detalhes, prometi aos meus leitores que, se encontrassem as grelhas, ou melhor, as gralhas, se elas os irritassem também, que me mandassem um mail que eu substituiria o livro de borla pelos exemplares limpos. Não quero que fiquem com cópias e depois apareçam no Ebay em 2084 a um preço exorbitante devido à raridade!

Podem ver na minha agenda onde me encontrar a seguir se quiserem assistir a mais apresentações do livro.

Novo Livro – Breve Memória Sobre a Ordem do Templo em Portugal

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FICHA DA OBRA

Título: “Breve Memória Sobre a Ordem do Templo em Portugal – Seguida de Outros Textos”
Data de Lançamento: 17 de Outubro
Preço de lançamento: 14,95 €
Pedidos: ihshi@mail.com

 

Em 1996 escrevi e publiquei algumas reflexões acerca da Ordem do Templo e de Portugal num artigo entretanto esgotadíssimo. Passadas quase duas décadas é agora tempo de recuperar essa reflexão, fazer as devidas actualizações e acrescentar mais alguns dados que entretanto me vão chegando.

Quando me iniciei no Jornal Quinto Império, de que fui co-fundador em 1991, ainda pouco se escrevia sobre este assunto, excepção feita aos clássicos António Quadros, Dalila Pereira da Costa, Manuel Gandra ou Lima de Freitas, entre outros de raro corte . Contudo, desde então temos assistido a uma profusão de textos e ensaios que colocaram o tema Templário e a nacionalidade em plano de destaque. Hoje há muitos fios por onde puxar e desenrolar esse novelo extraordinário de história e mito. Basta ser curioso e procurar.

O que me motivou a regressar ao tema, agora que parece estar tudo dito, é o facto de haverem alguns aspectos da história e do mito que são pouco tratados e que, no meu entender, são centrais. Deste modo convido os meus leitores a mergulharem de novo numa viagem ao passado mítico e a revisitar Portugal e os Templários.

Luis C. Matos

Proibido proibir

Começo a ter um limiar de tolerância cada vez menor para a estupidez.

Deve ser da idade.

Lá temos de voltar ao mesmo problema. Há quem, neste país, se aproprie do que é dos outros, como se fosse seu e ainda tem o descaramento de impor regras arbitrárias sobre a sua fruição!

Cito um documento que esta gente não deve conhecer, mas que fica bem na cultura geral de cada cidadão: a Constituição Portuguesa. Às páginas tantas diz, acerca do Património Cultural:

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“Artigo 78.º
Fruição e criação cultural

1. Todos têm direito à fruição (…) cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.

2. Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais:

a) Incentivar e assegurar o acesso de todos os cidadãos aos meios e instrumentos de acção cultural, bem como corrigir as assimetrias existentes no país em tal domínio; (…)”

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Mas quem é o pároco de São João Batista para espezinhar os meus direitos?!

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Será que ele não entende que está a usar o MEU PATRIMÓNIO, que tem o dever – como eu – de preservar, apenas e só porque há liberdade de culto em Portugal, aliás garantida pela mesma Constituição que me garante a mim que, quando o pároco não estiver a usar o MEU ESPAÇO para o seu culto (que até partilho, porque sou Cristão, praticante), esse espaço deve estar aberto ao acesso e fruição de todos os cidadãos (eu outra vez), nomeadamente, sempre que isso não coloque em causa a integridade do património, para que eu o possa fotografar, filmar e o dar a conhecer por mim mesmo?

Até porque se não o puder fotografar (como não consigo há mais de 20 anos sequer ver, quanto mais registar com a minha máquina sem flash o tríptico que está à guarda da mesma paróquia, que até posso supor já nem existir ou ser fragmento da minha fértil imaginação, já que não há traços visíveis dele há tantos anos!…), repito, se não o puder fotografar, como vou poder aferir se está a ser bem cuidado, se não foi roubado, se o tesouro que é de todos nós está, numa palavra, intacto? A inspecção popular faz falta. Demasiadas peças de arte sacra vão “para limpar” neste país e nunca mais regressam. Poder ter acesso e registar para uso privado é até uma protecção para os próprio párocos que, de outro modo, serão sempre os suspeitos de fazer desaparecer algumas das peças que têm expostas a troco de uns euros. Os casos estão aí. Não sou “mata frades”, pelo contrário. Mas é necessário que o património esteja aberto ao escrutínio dos seus donos (nós). Para que contrastemos registos, fotos, filmes. Para que possamos denunciar abusos. Não seria a primeira vez que, mesmo em Tomar, as paredes de pedra centenária de templos são agredidas com cravos e pregos por gente sem parafusos na época de pendurar decorações que nem sequer são litúrgicas. Liberdade de culto, sim, estamos todos de acordo. Mas com tento na cabecinha, que o património é de todos.

É pena que nisto, um país sem a nossa história como os Estados Unidos, nos dê uma valente lição. Ainda não publiquei aqui, mas lá iremos, as fotos das Catedrais de Washington e de São Mateus na mesma cidade, bem como da impressionante Basílica da Imaculada Conceição (também em Washington), esta última tão católica como São João Batista em Tomar. Pude fotografar, filmar, emocionar-me nas criptas, olhar de perto os frescos e as peças de arte, registá-las em filme e fotografia… Sem medos. Sem paranóias. Sem avisos estúpidos e obscurantistas. Acho que o melhor é começar a campanha: enviem São João Batista e Santa Maria do Olival para os Estados Unidos. Assim serão preservados, amados, abertos ao culto e ao público.

Tenho para mim que esta proibição inconstitucional e a tresandar a medievalista/inquisitorial no caso de alguma foto se bater, se destina precisamente a não permitir que os responsáveis possam ser chamados à atenção. Não há fotos, logo não há provas. Perdoa-lhes Senhor, que eles lá sabem o que fazem com o que é nosso.

Uma última nota: párocos destes, para quem o turista é um empecilho e o património que têm a seu cargo tem o mesmo valor espiritual de um abre-latas, são uma vergonha para a Igreja, que se quer Santa, que se quer Apostólica e próxima dos crentes. Cada vez creio mais em Deus e menos nestes impostores funcionários sacros de coração de pedra, que são a contradição em actos daquilo que o Evangelho é em palavras. Mal vai a Alma Lusitana quando permite anos a fio que a liberdade de culto seja confundida por energúmenos em batina com a Liberdade de ser Inculto.

Reservo-me o direito de me indignar. Ou agora esse também é proibido?…

Convento de Cristo

A internet é um instrumento social de grande importância. A partir dele, gente com interesses semelhantes pode encontrar-se e organizar iniciativas que, de outro modo, estariam condenadas a ser limitados encontros de amigos de longa data. Uma das iniciativas que tenho o prazer de vir acompanhando e apoiando há vários anos é a de um grupo de entusiastas pela Cidade de Tomar, pelo seu património e pelas duas Ordens que foram o seu pilar histórico: a Ordem do Templo e a Ordem de Cristo.

Esse grupo, inicialmente pequeno, mas não menos dinâmico, congregou-se em redor do Blog http://blog.thomar.org e mais tarde do fórum http://forum.thomar.org. Convido os meus leitores a espraiarem-se por ambos para ter uma pequena amostra do muito que um conjunto pequeno de entusiastas pode fazer.

Pois bem, este mês de Março comemoram-se os 850 anos da fundação da Cidade de Tomar pelo Mestre dos Templários Gualdim Pais. Não querendo deixar passar a data em branco, o grupo, pela mão de um dos seus mais dinâmicos dinamizadores, o Rui, criou um ambicioso programa que incluiu uma visita nocturna ao Convento, acompanhada por actores desempenhando diversos papeis, tais como João de Castilho (o arquitecto da famosa Janela), um confrade da Ordem de Cristo e o próprio Gualdim Pais. Este, a dado momento, chamou algumas crianças da assistência e armou-as cavaleiros, num momento ao mesmo tempo muito divertido e muito simbólico.

Foi profundamente interessante poder andar pelos corredores escuros do Convento iluminados com o auxílio de lanternas que os participantes levavam. Os mais novos adoraram o ambiente de mistério e aventura quase tipo “caça ao tesouro” que seguramente criará raízes na sua imaginação e, mais tarde, os irá atrair para conhecer então a história real destes tão mitificados Cavaleiros lusitanos. Mas mesmo os mais velhos sonharam outra vez nas sombras daquela noite magnífica em que as constelação que tinham protegido Mestre Guadim quando assentou a primeira pedra da Charola, voltaram a colocar-se nos mesmos lugares, como que numa dança sagrada em que todos sabiam o seu lugar. O seu manto de veludo negro, pontuado pelos brilhantes diamantes do Boieiro, da Ursa Maior, de Sirius e outros “convidados especiais”, fizeram as delícias de todos aqueles que se deixaram extasiar nos telhados do Claustro dos Filipes, deitados no chão de pedra que parecia girar magicamente, rodando o céu ao ritmo do coração e atraindo a imaginação para um abismo de sensações e ideias em torrente.

Jantou-se por um preço que já não se encontra para este tipo de eventos (contrariamente à prática muito usada de cobrar de 75 € para cima por um par de horas de visita guiada por uma “luminária” da “nova era”…). Aqui o dinheiro conta pouco… A concluir, algumas intervenções que deram a seriedade e a gravidade histórica que o momento necessitava. Pudemos ver o resultado do estudo feito com um radar geodésico ao solo da igreja de Santa Maria do Olival, que embora não tenha revelado os tão fugidios túneis (mais tarde expostos pelas obras de arranjo ao espaço circundante por causa da nova ponte sobre o Nabão), mostrou haver várias sepulturas e detritos que vale a pena estudar mais profundamente com aparelhos mais potentes.

Uma noite inesquecível. Estavam mais de 80 pessoas (em contraste com as 6 a 8 que inicialmente compunham o grupo). Conheci muita gente nova, falei horas a fio, escutei o que outros descobriram naquele recreio que tem sido meu há tantos anos. Foi um prazer enorme, sem sobressaltos, sem stress. Foi um sábado muito bem passado em Tomar, na companhia de amigos e da família.

Só me resta terminar destacando um aspecto pouco sublinhado: a abertura que a Direcção do Convento de Cristo mostrou à iniciativa, o que lhe fica muito bem. Há que entender que as instituições dependentes do Ministério da Cultura ou das Câmaras Municipais, que existem para defender e cuidar do nosso património, não são entidades privadas que podem fazer dele o que entendem nem vedar de maneira arbitrária o acesso aos cidadãos DONOS COLECTIVOS desse património. Demasiadas vezes as entidades tutelares se comportam como se fossem proprietários e não MEUS ADMNISTRADORES DELEGADOS. Aqui vem à mente a vergonhosa “coisa” designada como “Parques de Sintra – Monte da Lua”, que mais parece a Área 51 do património sintrense. Foi refrescante ver como em Tomar a Direcção do Convento de Cristo soube abrir, mostrar e colocar ao serviço da comunidade em horas incomuns um espaço que sentimos todos – nós os que o visitamos amiúde e eles que o cuidam diariamente – no nosso coração. Por nossa parte mostrámos que somos Portugueses e não hooligans, que sabemos amar e respeitar o que nos foi deixado em herança.

Muitas vezes se diz que nascemos nus e sem posses, pobres. Que estamos destinados a abandonar este mundo igualmente pobres, deixando a riqueza material deste lado. Mas eu afirmo que não! Afirmo com toda a força das minhas goelas que NÃO! Não nascemos pobres. Nascemos Portugueses! E por isso, olhando as jóias que nos foram deixadas, com o Convento de Cristo, sabemos que nascemos RICOS. Imensamente ricos. E saberemos tratar dessa riqueza para que os nossos filhos e netos possam dizer o mesmo. Somos Portugueses… Donos de um património incomparável.

Bem haja à direcção do Convento, por cuidar tão diligentemente do que é nosso.

Volto a casa com Tomar no coração.

(ver reportagem detalhada aqui: http://blog.thomar.org/2010/03/o-sonho-de-uma-coisa-thomar.html)